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Manaus
Centro Histórico

Iphan autorizou a retirada de marquise em prédio do Centro por risco de desabar

De acordo com a superintendente do Iphan, solicitação de restauro completo do prédio ainda está em análise, mas retirada da marquise foi autorizada de maneira emergencial 17/11/2016 às 17:22 - Atualizado em 17/11/2016 às 18:04
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No local, a marquise foi arrancada e toda a fachada ficou aparentemente danificada (Euzivaldo Queiroz)
Vinicius Leal Manaus (AM)

A retirada de uma marquise histórica da fachada de um prédio centenário no Centro de Manaus foi autorizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Segundo o órgão, a estrutura metálica tinha o risco de se desprender e desabar e, por isso, autorizaram a retirada do objeto. O prédio onde estava a marquise, da época da Belle Époque e tombado como patrimônio histórico, funciona como uma unidade da rede de departamento Lojas Marisa.

Segundo a superintendente do Iphan, Karla Bitar, as Lojas Marisa apresentaram um laudo técnico comprovando o risco de desabamento da marquise, que estava danificada, e por isso eles autorizaram a retirada da estrutura. “Eles (Lojas Marisa) ligaram comentando que a marquise estava quase caindo. Nós estávamos preocupados com a questão da segurança das pessoas que transitam em frente à Marisa, por isso demos uma autorização emergencial”, disse.

Após a retirada da marquise, toda a fachada ficou aparentemente danificada. “Havia um laudo técnico informando esse risco e aí nos autorizamos a retirada e a guarda, que é quando se guarda alguma coisa para depois recolocar. Como é uma marquise metálica, possibilita ser retirada. Se fosse de concreto não seria possível”, completou a superintendente.

Ainda de acordo com a superintendente, já havia um projeto solicitado pelas Lojas Marisa ao Iphan para o restauro completo do prédio onde ficava a marquise, localizado na esquina das avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro. “Eles protocolaram um projeto solicitando o restauro do prédio, mas não deu tempo hábil de analisarmos tudo. Por isso demos uma autorização emergencial, já que o projeto em si não estava totalmente analisado”, disse. Enquanto o projeto ainda é estudado e a obra não inicia, a marquise fica guardada em posse das Lojas Marisa.

Denúncia

A reportagem de A CRÍTICA denunciou na semana passada a retirada da marquise e, durante visita ao local, não havia identificado nenhuma placa de autorização do restauro ou indicação dos profissionais responsáveis pela obra. Uma funcionária da Marisa, Sheila Vargas, disse que eles tinham a autorização. “A empresa recebeu a autorização para mexer na fachada há uns dois meses, mas desde o ano passado estamos tentando o restauro. A marquise estava danificada e os vidros estavam todos quebrados”, justificou a funcionária.

Consultado pela reportagem, o secretário de Estado da Cultura (SEC), Robério Braga, informou que a pasta não havia recebido nenhuma solicitação para realizar a obra. “Qualquer trabalho dessa natureza tem que ser comunicado à SEC, à Prefeitura e ao Iphan”, disse. Segundo ele, a marquise, feita de bronze e vitrô, é a única que restava dos anos 1890. “Essa fachada tem mais de 130 anos e tem um valor inestimável para a história da arquitetura”, disse.

A Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), chegou a embargar e multar a obra em 10 a 100 mil Unidades Fiscais do Município (UFM) – cada UFM equivale a R$ 92,97 – devido não existir autorização para manutenção e retirada da marquise.

Centenária

O Implurb informou que a marquise em questão, apesar de estar em imóvel de área de tombamento federal, não aparece em registros históricos datados de 1901-1902, como no livro “Álbum do Amazonas”, de Silvério Nery. A fachada sim. A marquise, segundo registros fotográficos pesquisados, teria tido instalação a partir do início da década de 10.

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