Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
briga entre médicos

Irmãos de adolescente de 14 anos que morreu após cirurgia pedem justiça

Lúcio Pena Figueira faleceu nesta sexta-feira (12) no Hospital e Pronto Socorro da Criança da Zona Leste. Dois médicos brigaram e se agrediram fisicamente durante a cirurgia do menor, no dia 4 de agosto



adolescente_1.JPG Francisco Carlos mostra a imagem do irmão que faleceu nesta sexta-feira (12). Foto: Evandro Seixas
12/08/2016 às 21:33

Durante o velório de Lúcio Pena Figueira, de 14 anos, familiares estavam revoltados com as circunstâncias que levaram à morte do adolescente, nesta sexta-feira (12), no Hospital e Pronto Socorro da Criança da Zona Leste, o “Joãozinho”. Segundo irmãos do menor, o quadro de saúde de Lúcio se agravou porque, durante a cirurgia para a retirada de um coágulo do cérebro do jovem, dois médicos brigaram e se agrediram fisicamente, deixando o procedimento a cargo de um médico residente.

“Isso não pode ficar assim. Acreditamos que o estado dele ficou mais grave por ter ficado tanto tempo aberto. Eles [médicos] foram discutindo, saíram na porrada e mandaram um estagiário para fazer a cirurgia”, declarou o irmão da vítima, Francisco Carlos, 23, durante o velório do adolescente, realizado em uma sala da Paróquia de São Lázaro, na Zona Sul de Manaus.




Na imagem, Lúcio Pena Figueira. Foto: Arquivo pessoal

Ainda segundo Francisco, a sua mãe não consegue falar e está tomando pílulas para controlar a pressão. “Ele era o caçula. Queremos justiça [...] Toda vez que alguém mexe nele [no corpo] começa a cair a lágrima. Agora só resta a saudade”, disse, ainda muito emocionado.

“Está todo mundo angustiado, triste, porque se os médicos tivessem operado ele direito e não brigado, ele estaria vivo uma hora dessas. Está todo mundo revoltado e ninguém sabe o paradeiro dos médicos. Vamos fazer justiça por nosso irmão”, acrescentou Lucas Pena Figueira, salientando que ação indenizatória movida pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) contra o Estado pela briga dos médicos conta com apoio da família.

Os profissionais envolvidos no episódio foram identificados como o neurocirurgião Odilamar Santos de Andrade e o anestesista Aldo Sales. O Conselho Regional de Medicina (CRM) abriu uma sindicância, do tipo ex-officio – quando nem família nem hospital registraram denúncia, mas o órgão toma conhecimento do caso através da mídia. O relator da sindicância é o presidente do CRM, José Bernardes Sobrinho, e o prazo máximo para a investigação é de um ano.

O local do enterro ainda não foi decido pelos familiares até o fechamento desta edição. Lúcio Pena Figueira era o caçula de uma família de cinco irmãos.


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