Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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Manaus Moderna

Irmãos venezuelanos improvisam um salão de corte de cabelo de frente para o rio Negro

Ambos fugiram da crise em seu país natal para tentar a sorte com suas famílias em Manaus; no local, improvisado, o corte de cabelo custa R$ 5, bem menos que a média normal que oscila entre R$ 10 a R$ 20 em salões populares


04/04/2017 às 05:00

Você já teve a sensação de ter o seu cabelo cortado, ou a barba aparada e feita, tendo como cenário de frente o caudaloso rio Negro? Pois esta é a sensação que têm os clientes dos irmãos cabeleireiros venezuelanos Celio Salazar, 24, e Luiz Villanier, 26, que resolveram, em face da crise financeira, montar um salão de barbearia ao ar livre, na calçada da Feira da Manaus Moderna, no Centro da cidade, e tendo como cenário de frente o imponente rio Negro!

Ambos residem no próprio Centro da cidade e contaram que já exerciam essa profissão na Venezuela. Eles resolveram, após chegar à capital amazonense, continuar seguindo o mesmo ramo de trabalho.

No local, improvisado, o corte de cabelo custa R$ 5, bem menos que a média normal que oscila entre R$ 10 a R$ 20 em salões populares. Já “cortar e aparar a barba” custam os mesmos R$ 5. E caso o cliente deseje fazer os dois serviços, com o descontão tudo sai a módicos R$ 8.

Para o cliente que aguarda ou já está usufruindo dos serviços dos dois profissionais, os barbeiros providenciaram uma banqueta que suporta uma pequena caixa de som que emite uma agradável música caribenha que, no mínimo, faz quem passa por alí bater o pé ao ritmo da salsa e merengue.

Se por um lado a vista para o rio, as embarcações e a música provocam uma sensação de leveza, por outro quem vai cortar o cabelo e fazer a barba está consciente de que não poderá se importar com o conforto: uma das cadeiras é de plástico, dessas encontradas facilmente em bares da capital, e a outra é uma acolchoada que gira para os lados (até lembra, vagamente, uma de salão convencional). 

“Estamos aqui há uns 4 meses e o movimento é bom. Aqui cortamos o cabelo tanto de homem quanto de mulher. Moramos alugados com a família e também tenho outro trabalho: chego aqui por volta de 6h a 7h, quando não chove, para fazer carreto de frutas como melancias. Só com o salão dá pra faturar R$ 40 por dia”, disse Luiz Villanier, enfatizando que só volta para a Venezuela “se a situação melhorar pois lá tem racionamento de comida”.

Célio Salazar disse que seu trabalho é importante porque é o que o sustenta diariamente.

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“Daqui é que tiramos o dinheiro para pagar o aluguel, que compramos nossa comida, etc. Meu irmão chegou primeiro e eu cheguei depois”, disse ele, que é casado, mas ainda não tem filhos. “Vim aqui para Manaus trabalhar”, explica ele, com a tradicional máquina de cortar cabelo na mão e finalizando o serviço em uma cliente.

Os clientes elogiam a iniciativa dos irmãos. “Sempre venho aqui com eles pois eles cortam ‘bacana’. É melhor que pagar R$ 15 a R$ 20”, disse o carregador Leonardo Ferreira Gomes.

Frase

“Estamos aqui há uns 4 meses e o movimento é bom. Aqui cortamos o cabelo de homem e mulher. Moramos alugados

Luiz Villanier, barbeiro venezuelano

Frase

Daqui é que tiramos o dinheiro para o aluguel, que compramos comida, etc. Meu irmão chegou primeiro e eu depois

Celio Salazar, barbeiro venezuelano

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