Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020
prevenir é melhor

Janeiro Roxo foca em ações de combate à hanseníase no AM

Neste mês, serão realizadas atividades nas unidades de saúde do município e nos centros de referência como a Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta (Fuam)



po_6BB978B3-2E35-4572-AF49-4A55A762B9A6.JPG Foto: Divulgação
08/01/2020 às 09:37

Foi dado início à campanha Janeiro Roxo, que ao longo do mês promoverá uma série de ações para conscientizar a população sobre a hanseníase, uma doença de pele infecciosa. A abertura da campanha foi realizada, ontem pela manhã, no Shopping Phelippe Daou, no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus.

Neste mês, serão realizadas atividades nas unidades de saúde do município e nos centros de referência como a Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta (Fuam), bem como ações de saúde em locais como shoppings, feiras e escolas.  

Nestes locais estão previstas mutirões de consultas e exames dermatológicos, testagem rápida para sífilis, hepatite e HIV, avaliação antropométrica, teste de glicemia capilar, aferição de PA, exames preventivos e imunização. O exame de pele, que será oferecido em todas as unidades de saúde, é a forma mais efetiva para a detecção precoce da doença.



Doença infecciosa causada por uma bactéria chamada “bacilo de Hansen”, a hanseníase tem como características manchas vermelhas, rosas ou brancas e alteração na sensibilidade da pele. A transmissão pode acontecer quando uma pessoa suscetível à bactéria tem contato com as secreções nasais, tosses ou espirros de uma pessoa doente que não esteja em tratamento. Por isso, é recomendável que os familiares e pessoas próximas procurem uma unidade de saúde para avaliação.

Se estima que 95% das pessoas que são expostas à bactéria causadora da hanseníase sejam resistentes. No caso dos outros 5% que ainda podem ser atingidos pela doença, o Ministério da Saúde (MS) explica que há uma série de fatores que podem influenciar: sexo, idade, genes específicos e condições socioeconômicas e geográficas.

O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de casos da enfermidade, ficando atrás apenas da Índia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Amazonas, os índices de detecção da doença tiveram uma queda acentuada nos últimos 19 anos. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS), apontam que a taxa de casos novos no Estado é de 10,31 para cada 100 mil habitantes, enquanto a taxa nacional é de 13,70. Houve uma redução de 12% nos casos nos últimos três anos.

Para se ter uma ideia, em levantamento feito pela Fuam, em 2000, a taxa de detecção era de 44,3 casos para cada grupo de 100 mil habitantes no Amazonas. Já em 2018 esse índice era de 5,35 (uma queda de 77,1%). Em 2019, o Estado registrou 401 novos casos da doença.

Conforme o farmacêutico-bioquímico Ronaldo Derzy, diretor-presidente da Fuam ,apesar da queda acentuada na última década, ainda vivemos uma realidade distante da eliminação total da enfermidade. “Hoje, há menos de dez pacientes para cada 100 mil habitantes e temos reduzido esse índice gradativamente, contudo, a OMS recomenda menos de um. A eliminação total da hanseníase no Amazonas ainda está distante”, disse Ronaldo, ao ressaltar que o preconceito com os pacientes reduziu com o passar dos anos devido a diminuição de pessoas com as sequelas da doença.

Tratamento nas UBS e na rede estadual de saúde do AM

O tratamento contra a hanseníase está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) em todos os Estados do Brasil. No Amazonas pode ser realizado  tanto nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) quanto nas unidades de referência, como a Fuam e a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). Todos os municípios do interior do Estado possuem programas de atendimento aos pacientes nas UBS, sob responsabilidade das prefeituras.

A orientação é que ao apresentar sintomas, como manchas claras ou vermelhas na pele com diminuição da sensibilidade, dormência e fraqueza nas mãos e nos pés, o paciente procure a UBS mais próxima. Os casos mais graves serão encaminhados pela própria UBS para atendimento na rede estadual de saúde. Em caso de detecção da doença, dependendo da gravidade, o paciente deverá ser acompanhado por cerca de um ano.

A hanseníase tem cura caso o paciente siga o tratamento adequadamente pelo período recomendado pelo médico. Se o diagnóstico for tardio ou o tratamento negligenciado, a doença pode causar incapacidades físicas devido atingir pele e nervos.

Em 2019, foi criado na rede estadual de saúde o projeto “Ação pela Eliminação da Hanseníase”, que leva ao interior do Amazonas uma frente de ações para educação, exames, tratamento e organização estratégica, práticas importantes para o combate à hanseníase e outras doenças dermatológicas, além das infecções sexualmente transmissíveis (IST).

Todo mês

A Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta (Fuam), localizado na rua Codajás, 24, Cachoeirinha, Zona Centro-Sul da capital, estará com portas abertas para exames dermatológicos em seu prédio, que receberá iluminação na cor da campanha. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) também oferecerão exames de pele.

Dias 14 e 15
Será realizado um mutirão de consultas dermatológicas na Policlínica Codajás, na avenida Codajás, 26, Cachoeirinha, zona Sul de Manaus. Para ter acesso às consultas, o paciente deve procurar a unidade previamente e passar por uma triagem com a equipe de enfermagem. As consultas serão com as dermatologistas Aline Grana e Camila Mendes.
Dia 25
Ação de saúde e cidadania no Centro de Reabilitação Antônio Aleixo, na sede do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e na Escola Municipal Violeta de Matos Areosa, todos no bairro Colônia Antônio Aleixo, zona Leste da capital.
Dia 31
Encerramento da campanha Janeiro Roxo quando será realizada, às 8h, uma caminhada de sensibilização sobre a hanseníase no bairro Colônia Antônio Aleixo, saindo do Lago do Aleixo, percorrendo as ruas do bairro e terminando em frente ao Hospital Geraldo da Rocha, na praça central da comunidade.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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