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Manaus
ELEIÇÕES 2018

Jingles de candidatos ao governo do AM apelam para experiência e mudança

Estratégia adotada pelos postulantes ao Executivo foca em reforço a feitos de candidaturas anteriores. Especialista em marketing afirma que os jingles podem diminuir antipatia por candidatos 24/09/2018 às 07:00 - Atualizado em 24/09/2018 às 09:06
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Foto: Arquivo/AC
Geizyara Brandão Manaus (AM)

Seja nas caminhadas ou nas propagandas do rádio e da televisão, os candidatos apostam nos jingles para convencer e lembrar o eleitor amazonense em quem votar no pleito que acontece no próximo dia 7. A maioria dos candidatos, nos jingles, destaca mudança, avanço e experiência.

O candidato a reeleição, Amazonino Mendes (PDT), manteve o “amor” expressado na campanha suplementar com o jingle “ama, ama, ama, eu voto no Amazonas” para esta eleição, fazendo alusão às três primeiras letras do nome e à coligação. “A estratégia da coligação 'Eu Voto no Amazonas' é manter o alto nível da campanha, ligando o número 12 às centenas de realizações boas do candidato e às suas propostas inovadoras de mudança para o Estado”, explicou a coordenação de comunicação do candidato.

De acordo com o Divulgacand do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Amazonino já desembolsou R$ 600 mil com programas de rádio e TV e R$ 71,8 mil com publicidade em materiais impressos para a campanha eleitoral, sendo o segundo que mais gastou com os itens.

Na liderança em gastos com produção de programas, o senador Omar Aziz (PSD), candidato pela coligação “Amazonas com Segurança”, já gastou R$ 912 mil. O jingle usado enfatiza a experiência por já ter ocupado o cargo de governador e o número. "55 é Omar. A gente sabe que ele sabe trabalhar. 55 é Omar. Ele cumpre o que diz, pode acreditar", diz o refrão.

Outro jingle de Aziz foi composto pelo poeta Chico da Silva no dia do aniversário do candidato. A história da música foi a primeira propaganda no rádio. A letra de “Eu sou Omar” também ressalta que “cumpre o que diz”.

A assessoria do candidato e deputado David Almeida (PSB) disponibilizou três jingles com os ritmos de samba, xote e funk. As letras que enfatizam a “renovação” com a “experiência” de governador interino. "A mudança começou, o Amazonas despertou. David 40 agora é meu governador", expõe o samba. O valor da produção dos programas de Almeida chega a R$ 150 mil.

Já o jornalista Wilson Lima (PSC), também candidato ao governo, possui jingles para diferentes momentos da campanha como o “eu 20 ver, eu 20 apoiar” para animar as caminhadas e reforçar o número, segundo o marqueteiro Gabriel Aquino.  “As pessoas, muitas vezes, esquecem que o eleitor não vota no nome do candidato e sim no número. Desde o início da campanha, o ‘20’ sempre ocupou posição de destaque. O W20 é a mensagem reduzida que reforça o conceito”, contou.

Para o coordenador da campanha do candidato Berg da UGT (Psol), Walter Santos, a importância dos jingles decaíram por conta do tempo reduzido de propaganda. Portanto o objetivo da equipe de marketing, que se limita a duas pessoas, é encaixar nos 13 segundos o mote da mudança e o número com “50 neles”.

Destaque são para número e nome

Na disputa para as duas vagas de senadores das eleições deste ano, os candidatos com mais recursos também usam o jingle para destacar o nome e o número para o eleitor.

Dentre as estratégias usadas, Alfredo Nascimento (PR) fez um “flash” da música que ficou marcada quando concorreu para a prefeitura de Manaus. O coordenador de comunicação, Paulo Castro, salientou que o jingle é “a forma mais fácil de gravar o número do candidato”.

"Ninguém pode calar essa mulher guerreira. Vanessa Senadora 656", é o refrão do jingle da candidata Vanessa Grazziotin (PCdoB), que recebeu R$ 800 mil do partido para a campanha. “Temos a clareza de que o jingle da senadora, reafirma suas lutas e conquistas no mandato”, disse a coordenação de comunicação.

O candidato Hissa Abrahão (PDT) utiliza dois jingles nos programas eleitorais, nos vídeos das redes sociais e nas reuniões, além de serem disseminados pelo WhatsApp, de acordo com a assessoria de comunicação. 

Na contramão, a campanha do candidato Luiz Castro (Rede) tem se concentrado nas redes sociais com auxílio de voluntários e apoiadores.

Jingles podem minimizar antipatia

“O jingle sozinho não tem o poder de mudar a eleição”, avalia o especialista em Marketing e analista político, Afrânio Soares, destacando a importância da ferramenta utilizada pelos candidatos durante a campanha eleitoral. 

Para Soares, os jingles sempre foram importantes para que o eleitor que já sabe em quem vai votar possa lembrar e para o que ainda não está convencido. “Outra questão é junto aos que não votam em determinado candidato, o efeito do jingle pode ajudar a minimizar certa antipatia que possa existir para com aquele candidato”, pontuou.

Além disso, Soares ressalta que há a vantagem de transmitir o “posicionamento desejado para aquele candidato” por meio da letra e não apenas da música. “A letra pode dizer algo que ele tenha feito, como ele é conhecido, algo importante da sua vida, da sua carreira e as pessoas vão memorizando não só os refrões, que são o que mais se repete no jingle, mas também as quadras, as letras, e acabam por incorporar aquela ação ao candidato”, afirmou.

O especialista também enfatiza que o jingle faz parte do conjunto de estratégias do candidato e precisa estar alinhado com a campanha, a postura e a vida pública.

Gastos

Os candidatos ao governo gastaram R$ 2,36 milhões com produção de programas para rádio e TV, além de publicidade por materiais impressos, de acordo com o Divulgacand do TSE. Apenas Lúcia Antony  e Sidney Cabral não apresentaram gastos com estes itens na plataforma.

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