Domingo, 19 de Maio de 2019
CASO OSCAR

'João Branco' é o líder, diz delegado que presidiu inquérito do caso Oscar Cardoso

Paulo Martins, ex-titular da DEHS e que comandou as investigações do assassinato de Oscar Cardoso, testemunhou hoje (13) durante julgamento. Ele confirmou a participação dos réus no crime



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Foto: Arquivo A Crítica
13/04/2018 às 16:20

O delegado da Polícia Civil do Amazonas Paulo Martins, ex-titular da Delegacia de Homicídios e Sequestros (DEHS) e que comandou as investigações sobre o assassinato do delegado Oscar Cardoso, em Manaus, testemunhou no início da tarde desta sexta-feira (13) no Fórum Ministro Henoch Reis, onde acontece o julgamento do caso Oscar. O narcotraficante “João Branco” e outros três réus são acusados de participação no crime.

Segundo Martins, os três réus fora “João Branco” – Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”; Messias Maia Sodré e Diego Bruno – ficaram com medo de citar o narcotraficante líder da facção criminosa Família do Norte (FDN) durante os depoimentos deles no inquérito do caso na Polícia Civil.

Segundo Martins, “Branco” é líder da FDN, organização criminosa que domina o tráfico de drogas e os presídios do Amazonas. “Geralmente qualquer acusado quando presta depoimento é aconselhado pelos advogados a não citar o nome de pessoas que eles não querem acusar. Nesta organização criminosa, existe uma hierarquia. O ‘João Branco’ é o líder. Na cadeia os presos tem um pacto, quem é cagoeta morre. Se eles falassem o nome dele, seriam mortos”, afirmou o delegado.

Conforme Martins, o único réu que citou o nome de “João Branco” durante depoimento à Polícia Civil foi Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”, condenado ano passado por participação no crime. “O ‘Tabatinga’ disse durante depoimento que ‘João Branco’ é tratado como rei dentro do presídio. Os presos servem até comida para ele”, lembrou o policial.

Paulo Martins também afirmou que tentou rastrear as ligações do telefone pessoal de “João Branco”, mas não conseguiu. Segundo ele, todas as atividades foram realizadas com auxílio da Justiça e do Ministério Público do Amazonas (MP-AM). “Tentamos rastrear o celular do ‘João Branco’, mas depois soubemos que ele não utiliza o dele próprio para fazer as ligações. Sempre pede de alguém próximo. Todas as intercepções foram aprovadas pela Justiça e MPE”, explicou.

Réus envolvidos

Questionado pela defesa dos acusados sobre a participação deles no homicídio do delegado Oscar Cardoso, Paulo Martins comentou que as investigações apontaram sim o envolvimento de “João Branco”, “Marcos Pará”, Diego Bruno e Messias Sodré no assassinato. “As investigações apontam a participação dos quatro na morte do delegado”, completou.

Problema com a internet

Um problema de conexão na internet foi registrado durante o julgamento nesta sexta (13). Por algumas vezes, “João Branco”, que participa do julgamento por videoconferência por estar preso no presídio federal de Catanduvas, no Paraná, afirmou que não estava ouvindo o que estava sendo discutido no plenário do Fórum Henoch Reis. O juiz que preside a sessão precisou repetir o que tinha sido relatado.

Delegado assassinado

O delegado Oscar Cardoso foi assassinado com mais de 20 tiros no dia 9 de março de 2014 em frente à casa dele, na rua Negreiros Ferreira, bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus. A vítima estava em via pública, com o neto no colo, um menino que na época tinha 1 ano e seis meses de idade, quando foi surpreendido pelos atiradores, que desceram de vários veículos.

Os acusados

O principal réu no caso é João Pinto Carioca, o “João Branco”, líder da FDN e acusado de ser o mentor do crime. Segundo a acusação, no dia do crime “João Branco” saiu do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde estava preso, só para matar Oscar, e depois retornou. Os outros réus são “Marcos Pará”, que participou como atirador no crime; Messias Sodré, quem dirigiu o veículo usado pelos atiradores e que, segundo testemunhas, também atirou no delegado; e Diego Bruno, que ajudou na fuga após o assassinato.

Condenado

Outro réu no caso, Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”, foi condenado na primeira sessão do julgamento ocorrido em agosto do ano passado. Ele, acusado de fornecer o veículo usado no crime, pegou 5 anos, 6 meses e 15 dias de pena por associação criminosa e ocultação de bem ilícito. Como já tinha ficado preso por três anos, o restante da pena foi colocado em regime aberto.

Motivo do crime

Segundo investigações da Polícia Civil do Amazonas feitas na época da morte do delegado, a motivação do assassinato dele seria um suposto envolvimento de Oscar Cardoso no sequestro e estupro da esposa do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, um dos líderes da facção criminosa Família do Norte. Segundo a acusação, “João Branco” deu a ordem para matar Oscar como vingança pelo o que o delegado teria com a esposa dele.


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