Sábado, 28 de Novembro de 2020
POLÍTICA

Josué Neto encerra sessão após Alessandra Campêlo acusá-lo de 'manipular trabalhos' em condução de impeachment

Deputada encaminhou questão de ordem que questionava legitimidade do presidente da Casa à frente do processo de impedimento do governador e do vice-governador



alessandra_neto_AC3D51F6-2DA1-4C73-B3E9-CAB4C2DC6925.jpg Foto: Arquivo/A Crítica
12/05/2020 às 15:31

Em meio à guerra de interpretações de procedimentos internos e constitucionais, a vice-presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), deputada Alessandra Campêlo (MDB), tentou encaminhar para apreciação do plenário uma questão de ordem que declara Josué Neto (PRTB) suspeito para presidir a admissibilidade da petição de crime de responsabilidade contra o governador e o vice-govenador do Amazonas, impetrado pelo Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam).

A sessão plenária virtual desta terça-feira (12) foi encerrada sem a apreciação pelo plenário tanto da questão de ordem da deputada, quanto do parecer de juristas que apontam interesse direto de Josué na condução do processo.



A parlamentar suscitou colegas deputados para se debruçarem sobre a matéria, citando o regimento interno, que segundo Câmpelo, daria o direito de recorrer ao Plenário depois da negativa do deputado presidente. 

“Estou apelando ao inciso sexto do regimento interno que fala que da decisão do presidente caberá recurso. O senhor tomou uma decisão e estou fazendo recurso ao plenário. A Procuradoria já lhe informou que cabe, sim, o recurso. Se o senhor não seguir o regimento, concluo que vossa excelência infelizmente está manipulando os trabalhos”, acusou.

Josué se defendeu dizendo que a Alessandra não estava sendo honesta ao afirmar que ele mandou a Procuradoria “manipular os trabalhos” e enfatizou que, assim como ela, “também zela pela boa aplicabilidade do regimento e da Constituição”.

Temendo que os pares tomassem partido na discussão do mérito da questão levantada por Alessandra Campêlo, Josué encerrou subitamente a sessão plenária, sem decidir os nomes que iriam fazer parte da Comissão Especial do Impeachment.

“O senhor não quer votar presidente. O senhor está fugindo da votação. Não tem coragem de votar”, cobrou Alessandra a Josué, que logo em seguida decretou o fim da reunião plenária de hoje.

Desde o início da sessão, os deputados estaduais ligados à base governista na Assembleia tentam convencer o presidente da Casa a se declarar parcial na condução do processo de impeachment. 

Mais cedo, A Crítica mostrou que Josué tirou os fones de ouvido para não ouvir aos questionamentos dos deputados e assim poder ler o expediente que contém as duas denúncias por crime de responsabilidade contra Wilson Lima e Carlos Almeida. 

A leitura da denúncia é um dos passos necessários para aceitação da denúncia por crime de responsabilidade.

A reportagem consultou deputados que relataram não ter acesso à ordem do dia já na metade da reunião. Constava na ordem do dia da sessão de hoje a tramitação em regime de urgência do parecer encomendado pelo deputado Saullo Vianna, que aponta a ilegitimidade do presidente do Legislativo Estadual como juiz natural do afastamento de ambos chefes do Governo do Amazonas.


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