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Manaus
LUTA

Jovem de 22 anos com insuficiência renal busca doador de rim para sobreviver

Biomédica Isabella Athayde descobriu a doença durante viagem a Venezuela. Desde lá a jovem luta contra a doença que afeta o funcionamento dos rins 18/10/2018 às 16:28 - Atualizado em 19/10/2018 às 11:13
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Foto: Divulgação
Priscila Rosas Manaus (AM)

Um transplante de rim pode salvar a vida da Isabella Athayde, de 22 anos, que sofre de insuficiência renal crônica. O doador precisa ter mais de 30 anos, independentemente do sexo, estar bem de saúde e ter sangue do tipo A+ ou O-. Doadores com menor faixa etária também podem doar, mas os médicos ainda preferem os mais velhos. 

Os primeiros testes de compatibilidade foram feitos em tios e amigos mais próximos, mas até agora não foi achado nenhum doador para ela. O pai e a mãe dela não podem doar por sofrerem doenças crônicas. A irmã, de 20 anos, e o irmão, de 17, são considerados muito jovens pela equipe médica. Nem todos os familiares possuem o mesmo tipo sanguíneo.

“Isso reduziu bastante as minhas chances. Infelizmente não é fácil achar uma pessoa compatível”, desabafa. Por isso foi necessário apelar para as redes sociais. No Instagram, a publicação de Isabelle, feita no dia 4 de outubro, já tinha 1.316 curtidas e 109 comentários até o fechamento dessa matéria.

Surgimento da doença

A vida da jovem mudou da noite para o dia durante uma viagem a Mérida, na Venezuela. Isabella tinha acabado de colar grau no curso biomedicina e decidiu visitar a mãe, que mora no país há mais de dez anos, no dia 14 de agosto desse ano.  No terceiro dia de viagem, ela começou a passar mal apresentando vômito, febre e mal estar.

“A gente pensou que era por causa da viagem, por conta da água, por ser diferente. Daí, não demos muita importância em um primeiro momento. Na segunda semana, eu não conseguia mais comer nem andar direito”, fala.

Levada ao hospital pela mãe, a pressão dela estava alta (22 por 15) e por isso, foi internada. Os resultados do exame de sangue mostravam que os índices de uréia e creatinina também estavam alterados. “Eu descobri totalmente por acaso que eu era paciente renal”, conta.

No dia 4 de setembro, a especialista do hospital venezuelano confirmou o diagnóstico e explicou quais eram os tratamentos e o que era a doença. Além disso, Isabella teve que colocar um cateter para poder fazer a hemodiálise, tratamento base para a doença renal crônica que é um procedimento onde uma máquina limpa e filtra o sangue, além de ajudar a controlar a pressão arterial e ajudar o corpo a manter o equilíbrio de substâncias como sódio e potássio.  “Nas duas primeiras foi super OK. Não senti nada, mas depois comecei a passar mal, sentia calafrios, febre e também vomitava”, diz.

Apoio

Para voltar ao Brasil, Isabella teve ajuda da família. Apoio que tem sido essencial nesse momento tão delicado. “Num dia, a gente tava conversando no grupo da família e no outro dia, eles já tinham comprado a passagem para mim e para a minha mãe. Nós não tivemos gasto com nada. Foi muito bonito”, conta. Ela retornou no dia 26 de setembro.

Em Manaus, ela foi internada no Hospital Adriano Jorge e refez os exames. Foi constatada a doença renal crônica e a necessidade de diálise e transplante. Os médicos que a acompanham acreditam que a doença seja genética porque o avô materno faleceu com a mesma doença. Isabella explica que o novo rim a ajudaria a não precisar do tratamento pelo resto da vida. De acordo com ela, o rim comprometido já é atrofiado, chegando a medir aproximadamente 9 cm. Um rim normal mede cerca de 11 cm.

Isabelle colocou um segundo cateter, para auxiliar na hemodiálise, pois o primeiro infeccionou na última quinta (11). O transplante é essencial para ela. “Estamos correndo muito atrás do meu transplante. A hemodiálise é muito ruim, é muito complicado. Você não sabe como é que vai ser”, conta. Sua rotina consiste em fazer hemodiálise três dias por semana no Centro de Hemodiálise Francisco de Assis Farias Rodrigues, do Hospital Adriano Jorge. Cada sessão de hemodiálise tem duração de três horas e meia. Nos outros dias, ela fica de repouso em casa, por ainda estar debilitada, tomando os remédios necessários ao tratamento.

Pedido na rede social

Ao voltar para o Brasil e ser novamente internada, Isabelle se sentiu frustrada. “Eu me sentia muito mal comigo mesma. Fiquei me perguntando porque acontecia isso comigo. Foi bem difícil”, fala. Ajudada pelos psicólogos do Hospital Adriano Jorge, hoje, ela confirma que a doença a deixou mais forte.

Nas redes sociais, com tantos compartilhamentos e mensagens de apoio, a jovem se sentiu realmente querida e amada. “Eu tive muito ajuda lá. O pessoal se engajou e ajudou da forma que podia, compartilhando. Eu recebia muitas mensagens. Isso foi muito legal, porque me deixou mais forte, foi como um abraço”, diz.

Com a exposição nas redes sociais sobre a doença, ela espera que as pessoas conheçam mais sobre a insuficiência renal crônica. Antes do diagnóstico, Isabelle desconhecia o que era.  “Eu nem dava importância. Não ligava para nada disso. Acredito que muitas pessoas agora sabem graças a eu ter exposto na internet o que estava acontecendo”, comenta.

Doença renal no Estado

No Estado, existem 986 pessoas diagnosticadas com doença renal crônica atendidas pelos serviços da rede estadual de saúde, realizando Terapia Renal Substitutiva (TRS). Na próxima quarta-feira (17), o serviço de hemodiálise em Manaus será ampliado pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam) atendendo mais 200 pacientes.

De acordo com a Susam, a ampliação é uma das medidas previstas no Plano Estadual de Atenção ao Paciente com Doença Renal Crônica, em fase de implantação. Até o final do ano, outras 180 vagas deverão ser abertas, com meta de atender 100% da demanda pelo serviço.

Ainda de acordo com a Susam, o Governo do Estado está retomando o transplante de rins, suspenso em 2016. As cirurgias serão realizadas a partir de novembro no Hospital e Pronto-Socorro da Zona Norte, que operará com toda a sua capacidade instalada. Atualmente, quem precisa realizar transplante é encaminhado a outro estado para fazer o procedimento via Programa de Tratamento Fora de Domicílio. 

Doença

A insuficiência renal crônica, também chamada de doença renal crônica, é a perda lenta do funcionamento dos rins, cuja função principal é remover resíduos e excesso de água do organismo.

A doença leva a um acúmulo de líquidos e resíduos no organismo. Também afeta a maioria dos sistemas e funções do corpo, inclusive, a produção de glóbulos vermelhos, o controle da pressão arterial, a quantidade de vitamina D e a saúde dos ossos.

A insuficiência renal crônica é assintomática nos primeiros estágios e piora lentamente com o tempo. Ela pode ser tão lenta que os sintomas não aparecem até que o funcionamento dos rins seja menor que um décimo do normal. Ou seja, quando o paciente percebe, o funcionamento dos rins já está comprometido.

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