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Jovem diz que matou pai porque era violentada sexualmente por ele desde os 13 anos de idade

A polícia não acreditou totalmente na história e supõe que a jovem de 19 anos talvez quisesse se livrar do pai para ficar com a casa dele 11/06/2015 às 16:41
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Kimberly Keisy de Jesus da Vida, a “Jhenny”, matou o pai com 13 facadas e pretendia enterrá-lo após esquartejamento
Vinicius Leal e Fábio Oliveira Manaus

ASSISTA AO DEPOIMENTO DE KINBERLIN

O fato de ter sofrido abuso sexual do pai desde os 13 anos de idade teria sido o motivo para Kinberlin Keyce de Jesus da Vida, a “Jhenny”, hoje com 19, ter assassinado com 13 facadas o pai dela, Kedson Barbosa da Silva, 41, na madrugada de ontem, terça (9), no conj. Nova Cidade, Zona Norte de Manaus. Segundo a polícia, ela pretendia esquartejar e enterrar o corpo.

A garota morava com um amigo no bairro Novo Aleixo e confessou que foi até o local do crime a pedido do pai, que a convidou para passar a noite e provavelmente fazerem sexo. Segundo Kinberlin, ela e o pai faziam sexo desde quando ela tinha 13 anos, quando começaram os abusos sexuais. Com raiva após seis anos, ela disse ter resolvido assassinar Kedson.

Em depoimento aos policiais civis da Delegacia de Homicídios (DEHS), Kinberlin afirmou que matou o pai por volta de meia noite de segunda para terça-feira. O pai teria a chamado no quarto, onde eles fizeram sexo. Em certo momento, a jovem foi até a cozinha e voltou para o quarto segurando uma faca. Ela escondeu a faca embaixo da cama e esperou.

Kinberlin confessou que começou a esfaquear o pai quando estava em cima dele. “Por que você está fazendo isso”, teria perguntado o pai à Kinberlin, que respondeu: “estou te matando porque você abusava de mim”. As declarações da garota foram confirmadas pelo delegado Ivo Martins, titular da DEHS e quem liderou as investigações.

Kimberly tinha uma namorada e tinha se afastado do pai, segundo ela mesma, para morar com um amigo devido os abusos. Kedson tinha outros dois filhos, mas nenhum morava com ele. Kinberlin disse ainda que diversas vezes Kedson ligava para ela, pedindo que ela voltasse a morar com ele e prometendo que não praticaria mais os abusos e pararia de beber.

A outra motivação

O delegado Ivo Martins disse, em coletiva de imprensa na DEHS, que o caso está solucionado, mas é preciso saber a mecânica de como o crime aconteceu. A polícia não descarta a hipótese do abuso sexual, mas tem como principal linha de investigação a possibilidade de Kinberlin querer matar Kedson para ficar com a casa dele.

A namorada de Kinberlin, que não teve o nome revelado, disse que a jovem de 19 anos ligou para ela afirmando que as duas morariam juntas na casa do pai porque Kedson tinha “dado” a casa para elas. Conforme a polícia, a mudança para a “nova” casa já havia começado e pertences da namorada já estavam na residência do morto.

Esse foi o ponto de partida para a desconfiança sobre a verdadeira motivação do assassinato. Entretanto, em depoimento, Kinberlin negou que matou o pai para ter a propriedade para si, e reafirmou os abusos sofridos. Ela disse que nunca denunciou a violência sexual por vergonha, medo, pena, e que o pai também a ameaçava, o que ainda não foi confirmado.

Ligou para o Samu

Quando a polícia chegou na casa, o corpo de Kedson estava de bruços na sala, com os pés e mãos amarrados, e com sete facadas no peito, cinco no pescoço e uma na mão. Além do facão usado por Kinberlin, também havia uma mala e uma enxada, que seriam usados para esquartejar e enterrar o homem. No quintal, havia um buraco de pequena profundidade, a cova onde Kedson seria enterrado.


Kinberlin, de gorro, ao lado do delegado Ivo Martins

Segundo o delegado Ivo Martins, após assassinar o pai, a jovem lavou o chão sujo de sangue, mas não sabia o que fazer com o corpo. Ela teria tentado colocar o pai na mala e enterrá-lo no quintal, mas sem sucesso resolveu ligar para o Samu e inventou a história de que Kedson havia sido vítima de um latrocínio.

Uma equipe da DEHS foi enviada ao local e um vizinho denunciou aos policiais que Kinberlin havia emprestado dele uma enxada e que o mesmo tinha achado isso estranho. Isso gerou desconfiança dos policiais e a partir daí começaram as dúvidas sobre Kinberlin. Não demorou muito para a jovem confessar tudo.

Participação

O delegado Ivo Martins descartou, a princípio, a participação da namorada no crime, mas considera a possibilidade outra pessoa ter ajudado  Kinberlin no assassinato. Kinberlin se disse arrependida, mas com frieza. Ela negou que alguém da família soubesse dos planos dela.  Kinberlin passará por exames para confirmar o sexo com o pai e será levada para a cadeia pública.

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