Domingo, 20 de Outubro de 2019
HPS da Criança

Morre paciente de 14 anos que presenciou briga de médicos em centro cirúrgico

O garoto deu entrada em estado grave após cair e bater a cabeça. Ele passava por cirurgia quando dois médicos se desentenderam na sala de cirurgia do Hospital e Pronto Socorro da Criança da Zona Leste, o Joãozinho



show_sfdfsdfsdf.JPG (Foto: Arquivo A Crítica)
12/08/2016 às 09:35

Morreu na manhã de hoje, sexta-feira (12), em Manaus, o adolescente Lúcio Pena Figueira, de 14 anos, paciente que passava por uma cirurgia na cabeça no Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, o “Joãozinho”, quando dois médicos iniciaram uma briga e se agrediram. O jovem faleceu às 6h30 de hoje, após ficar internado por oito dias.

O caso de desentendimento entre os profissionais do hospital aconteceu na semana passada, dia 4 deste mês. O neurocirurgião Odilamar Santos de Andrade e o anestesista  Aldo Sales foram parar na delegacia após a briga. O garoto estava em estado grave depois de ter sofrido uma queda e bater o crânio. Ele ficou por oito dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital.



De acordo com o atestado de óbito adquirido pela reportagem, o jovem morreu vítima de hemorragia intracraniana e edema cerebral, além de ter sofrido crises convulsivas. A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou, porém, que a causa da morte foi um Vascular Cerebral (AVC), provavelmente decorrente de um quadro infeccioso do sistema nervoso central.

Conforme a Susam informou no dia 4, os dois médicos eram de empresas terceirizadas – Clínica Amazonense de Neurocirurgia (CAN) e Cooperativa Amazonense de Anestesiologistas (Coopaneste). Os dois foram afastados imediatamente das funções e uma sindicância havia sido aberta para apurar o comportamento dos profissionais.

Segundo a família da vítima, a briga dos médicos causou demora no atendimento e isso pode ter contribuído para o óbito do adolescente. “Eles estavam brigando lá e deixaram meu irmão com a cabeça aberta. Mandaram outro médico, mas demorou. Pela hora que começou (a cirurgia) foi meia noite e acabou umas três e meia da madrugada”, disse o irmão do adolescente, Francisco Carlos, 23.

Conforme nota da Susam, a direção do Hospital “Joãozinho” ressaltou que o incidente entre os médicos no centro cirúrgico “não teve qualquer influência no estado do paciente, que já apresentava um quadro gravíssimo de saúde, conforme o registro de prontuário”.

Defensoria quer indenização

A Defensoria Pública do Estado (DPE) pode ajuizar uma ação indenizatória  contra o estado, após o episódio em que um neurologista e um anestesista do Hospital e Pronto-Socorro da Criança do João Lúcio, na Zona Leste, foram parar na delegacia após terem se agredido durante uma cirurgia.

De acordo com o defensor Danilo Germano, o caso será acompanhado de perto pela DPE. Ele destacou que vai chamar a família do adolescente para uma conversa  e obter mais detalhes sobre o episódio. Germano não descartou a possibilidade de ingressar com uma ação contra o estado.

O defensor disse ainda que independente da culpa dos dois especialistas, o Estado deve responder pelo caso e caso seja condenado, poderá entrar com uma ação regressiva contra os médicos.


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