Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
EMPREGO

Jovem recebe propostas de trabalho após expor cartaz pedindo um emprego

De acordo com o estudante Pyerk Lima, 24, ele recebeu ao menos 40 ligações de pessoas interessadas em lhe ajudar a conseguir um emprego.



22/04/2017 às 05:00

O estudante Pyerk Lima, 24, que na última quinta-feira segurou por algumas horas cartaz com um pedido de emprego, na avenida Constantino Nery, Zona Centro-Sul, recebeu ao menos 40 ligações de pessoas interessadas em ajudá-lo. Ele tem entrevista agendada para hoje, outras para a próxima segunda-feira e o telefone dele não para de tocar com outras pessoas pedindo que ele envie seu currículo.

A foto de Pyerk com o cartaz teve mais de 7,9 mil compartilhamentos nas redes sociais. No portal A CRÍTICA, a matéria sobre sua atitude teve mais de cinco mil curtidas, até o fechamento desta edição. Ele revelou que não imaginava tamanha repercussão. “São tantas as pessoas me desejando boa sorte, querendo ajudar, pedindo que eu envie meu currículo e marcando entrevistas, que eu nem acredito no que está acontecendo”, disse.  



Ele relatou que ficou surpreso com a resposta positiva que recebeu das pessoas enquanto estava expondo o cartaz em frente à Arena Amazônia. Teve algumas pesssoas que quiseram doar dinheiro, mas Pyerk recusou. O que ele quer mesmo é um trabalho. “As pessoas passavam por mim e me falavam palavras de conforto. Alguns também se ofereceram em pegar meu currículo”, lembrou.

O estudante está desempregado há quase um ano e neste período tem sobrevivido com a ajuda da família e de alguns bicos que faz para o tio, que é dono de uma gráfica. Ele e a noiva, Ádria Regina, 17, moram de aluguel e o sonho do casal é poder ter as coisas em casa. “Nós tomamos café, almoçamos e jantamos na casa da minha tia, que mora a duas ruas. Ainda não temos fogão e geladeira em casa”, declarou.     

Agora, o jovem está cheio de expectativa quanto a conseguir um emprego e a realizar seus sonhos. A prioridade, conforme ele, é terminar os estudos: faltam três matérias para concluir o ensino médio. Quer também fazer um curso de reciclagem de vigilância, sua área de atuação. “Tenho curso de vigilante, trabalhei na área, mas estou sem reciclagem, o que dificulta na busca de um emprego”, diz.

Pyerk conta que nunca tinha feito algo parecido, pois sua mãe sempre lhe deu tudo de melhor. Mas com a crise a situação mudou. “As coisas ficaram complicadas quando ela precisou sair de casa e ir morar com a minha vó. Agora a minha mãe vive com o dinheiro do aluguel e eu me mudei para morar com a minha noiva”, declarou.

Três horas e meia no sinal

O estudantedecidiu fazer um cartaz com a frase “precisa-se de  um emprego” e o número do seu telefone após tentar de todas as formas e não conseguir arrumar um emprego. “Bati em várias portas atrás de um emprego, mas não consegui nenhum. Numa atitude desesperadora, tive a ideia de fazer o cartaz e ir a um lugar onde houvesse bastante gente indo para o trabalho”, contou.

O jovem escolheu um semáforo próximo a Arena da Amazônia para expor seu material. Chegou ao local por volta de 6h da última quinta-feira e ficou até as 9h30. Depois foi para casa, no bairro Mutirão, Zona Norte. Quando chegou, já foi recebendo as ligações de pessoas querendo lhe ajudar. Graças a uma pessoa que, ao passar por ele, fez uma foto e postou nas redes sociais, gerando uma enorme repercussão positiva.

Em números

7.971 foi a quantidade vezes que a foto de Pyerk Lima segurando o cartaz “precisa-se de um emprego”  foi compartilhada nas redes sociais até as 17h de ontem.

Amazonas registra perda de  4,7 mil vagas

De janeiro a março deste ano, o Amazonas perdeu 4,7 mil empregos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho (MTE) divulgados na última quarta-feira. O setor mais afetado foi o comércio, com perda de 1.652 postos de trabalho, seguido de perto pela construção civil, com redução de 1.323 vagas. A indústria, apesar de ter demitido mais no mês de março, fecha o trimestre com 365 empregos a menos.   

Em todo o País, a perda foi de 63.624 vagas formais de emprego em março. No trimestre, o Brasil registrou fechamento líquido de 64.378 empregos. Em março do ano passado, o saldo foi negativo em 118.776 vagas. 

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, negou que a queda do número de empregos formais no mês de março gera a sensação de frustração para o governo. “Não há frustração porque a comparação com 2016 mostra metade da perda de emprego. Vamos melhorando mês a mês e a perda de emprego vem reduzindo sistematicamente”, afirmou. 

Nogueira  disse que a confiança continua no governo porque os números mostram que o ritmo de destruição de empregos é cada vez menor. “Em março de 2016, foram fechados 118,7 mil empregos. Agora, tivemos 64,6 mil empregos. O ritmo está menor. Não houve frustração e a expectativa positiva se mantém”, disse. 

Questionado, ele rechaçou a avaliação de que pode ter havido comemoração precipitada em fevereiro, quando o dado do emprego foi anunciado no Planalto com a presença do presidente Temer. “Não houve comemoração precipitada em fevereiro, quando houve criação de empregos”.


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