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Manaus
INDEPENDÊNCIA

Jovens contam como administraram as finanças para ter independência

Morar sozinho requer planejamento e responsabilidade. Saiba como administrar suas finanças 28/03/2017 às 05:00
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Com apenas 23 anos, o jornalista Alírio Lucas conseguiu comprar seu carro, já teve uma loja e morar sozinho desde os 18. (Foto: Arquivo Pessoal)
Geizyara Brandão Manaus

Com algumas peças de roupas e R$ 200, Kethuly Araújo saiu do interior do Amazonas em direção à capital. Vinda de Urucurituba, cidade localizada a 212 quilômetros de Manaus, deixou a casa da avó aos 19 anos com o objetivo de melhoria de vida. “Ela (avó) sentou junto a mim e pensamos no que seria melhor, na ocasião, para que eu viesse a ter algum progresso em minha vida, diferente do que ela havia tido”, contou.

Ao chegar a Manaus, conseguiu um emprego e acumulou uma quantia enquanto morava com a madrinha. A distância da avó foi uma das dificuldades que mais preocuparam a jovem. Após dez meses empregada foi morar sozinha. “Eu queria mais, queria privacidade, sair da rotina e experimentar coisas novas”, disse Kethuly.

Para se organizar financeiramente, a jovem fazia horas extras na empresa em que trabalha como industriária.  “Eu tirava um bom dinheiro, investia em casa, em mim e, claro, ajudava minha avó”, explicou.

Atualmente com 25 anos, Kethuly Araújo é formada em Recursos Humanos e pretende cursar Psicologia. A industriária ressalta que é preciso ficar atento às despesas. “Apesar da grande liberdade que se pode obter, há também uma grande responsabilidade. Se não houver um controle de entrada e saída (do dinheiro), você acaba se perdendo totalmente. Aconteceu isso comigo e ainda estou tentando me restabelecer”, expôs.
Mudanças
Já o jornalista Alírio Lucas, 23, que hoje mora em São Paulo, pensava em mudanças desde os 15 anos, pois era um costume da família que ao atingir a maioridade os filhos assumiam responsabilidade de morarem sozinhos. Pensando no futuro, o jovem já não pedia presentes tradicionais para a idade, mas móveis para a futura casa.

Trabalhando em dois estágios enquanto cursava jornalismo foi o que impulsionou Alírio para morar sozinho e mais próximo dos locais de trabalho. “Quando saí de casa foi mais por questão de logística para mim, estava em uma rotina muito exaustiva. Tem a questão da liberdade, de caminhar com as próprias pernas, não ser mais tão dependente”, afirmou.

O jornalista revela que nunca foi bom em economizar dinheiro, mas estava com as contas em dia, suprindo as necessidades. 
 
A economia era abdicar de algumas saídas e comprar itens para despensa e reunir os amigos em casa. Uma das maiores dificuldades o atrasos das bolsas de estágio. 

A redução dos custos, principalmente de compras do supermercado, só veio com a contratação como repórter, ao almoçar no local de trabalho. “Consegui ter uma reserva para dar como entrada em um veículo para me locomover melhor”, disse.

Com uma estabilidade melhor, veio a aquisição do carro que, segundo Alírio, foi a despesa que mais pesou no orçamento. “Era R$ 704 (a parcela), eu brinco que lembro até hoje o valor da prestação”, expôs.

O jornalista teve uma loja durante um tempo como renda e os planos para o futuro são de mais mudanças. “Já conquistei muita coisa para minha pouca idade, pelo menos, é o que eu considero. [...] Me sinto muito realizado”, finalizou.

Número
14,4% dos brasileiros moram sozinhos em residências próprias, sendo que as mulheres correspondem a 50,3% deste total, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já a Região Norte contabiliza 11,5% de domicílios denominados unipessoais. O número de casais sem filhos somam 46,3% na região.

Casais relatam suas experiências

Quem casa, quer casa. O ditado popular evidencia a saída da casa dos pais ou responsáveis para a formação de uma nova família. Em Manaus, 13.194 pessoas são casadas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O técnico em informática Raul de Oliveira, 24, antes de se casar com Karen Lima, 24, pesquisou antecipadamente os valores que seriam necessários para morarem sozinhos. 

Durante o namoro e noivado o casal guardou dinheiro para compra de itens essenciais. “Todo mês separávamos um valor de R$ 100 ou qualquer um que dava para guardar, tivemos uma ajuda financeira dos nossos pais e o 13º salário foi usado também”, contou Raul.

As dificuldades começaram logo no primeiro mês, com pouca experiência em organizar as despesas, as contas passaram dos limites e só conseguiram equilibrar no segundo mês de convivência. “Tivemos uma preocupação regular de manter todo mês o dinheiro do aluguel, luz, comida. Algumas vezes sacrificamos ir ao cinema e outros entretenimentos para manter a economia”, revelou.

Recém-casados
Casados há três meses, Ranyelle Barros, 23, e Jeffeson Souza, 22, enfrentam os percalços da vida a dois. Assim como Raul e Karen, acumularam uma quantia enquanto namoravam visando o casamento e o pós. “Foi um processo de bastante renúncia principalmente para ela, pois era bastante compulsiva e teve que regrar. Quase não conseguíamos sair com nossos amigos, que chegavam a brincar dizendo ‘ninguém mandou querer casar’ (risos) foi bem difícil no início, mas depois tiramos de letra”, lembrou Jefferson.

Com novas responsabilidades e um pouco de insegurança, Ranyelle explica que tem recebido auxílio. “Sempre pedimos direção de Deus e dos nossos pais quanto as administrações da nossas finanças, estamos conseguindo manter”.

Pontos
O Especialista em Gestão e Coaching Aykell Nascimento dá dicas para se programar antes de sair de casa. 

Atitude
Ao sair as coisas mudam e muito, toda a responsabilidade passa a ser sua, com os custos, manutenção, organização e tudo mais que uma casa necessita. É uma mudança muito drástica;

Planejamento
Para qualquer ação que será tomada o ideal é pensar nos prós e contras e também em uma forma de contornar as situações mais adversas;

Analisar
Envolve avaliar qual a situação financeira no momento da decisão (principal). É ter certeza que a renda é suficiente para suprir as necessidades. 

Coragem
Tudo isso envolve coragem, entender que essa é normalmente uma decisão que muda a vida, alguns acabam voltando para a casa dos pais justamente porque não se prepararam, e esta não é uma decisão que deva ser tomada de qualquer forma, ou por conta de briga familiar. Deve sim ser tomada com a razão, uma vez que este é um passo natural que damos na vida, romper os laços da dependência com a família.

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