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OPORTUNIDADE

Jovens infratores participam de projeto para fazer estágio na Defensoria Pública

Jovens que cumprem medidas socioeducativas do Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa se preparam para dar passos mais largos. Adolescentes escolhidos poderão estagiar por um ano no órgão 25/05/2017 às 14:43 - Atualizado em 25/05/2017 às 14:58
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Palestras são dadas para os internos com o objetivo de prepará-los (Foto: Gilson Melo)
Mariah Brandt Manaus (AM)

Uma chance de recomeçar. Essa é a proposta para jovens de 16 a 21 anos, que cumprem medidas socieducativas no Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa, no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste. Além das aulas no projeto Educação para Jovens e Adultos (EJA), eles recebem atividades como horticultura, padaria, almoxarifado e informática, e agora se preparam para dar passos mais largos com a oportunidade de fazer um estágio na Defensoria Pública do Estado e, assim, mudar de vida.

*Daniel (nome fictício) tem 18 anos e está sem liberdade há seis meses. “Cometi latrocínio com dois amigos e mais o patrão da loja em que eu trabalhava, era uma assistência técnica. Me meti com tráfico, uma hora eu caí, tava no interior. Minha família sempre vem aqui me ver, já os que diziam ser amigo nunca vieram me visitar. Aqui a gente estuda, faz curso de informática, quero um dia fazer Ciência da Computação”, sonha o interno, um dos 79 que vivem atualmente no Dagmar.

Filho caçula de uma família sem pai, Daniel tem quatro irmãos e somente um mora com sua mãe. “Minhas irmãs já tão tudo ‘amigada’, só uma que voltou pra casa da mamãe porque teve filho, mas eu já não morava lá também quando vim parar aqui. Ia na casa dela pra ver como ela tava, agora ela que me visita aqui”, diz o adolescente.

A metodologia utilizada para a recuperação dos jovens mudou há cerca de 10 meses com a troca na direção – que antes era feita por um policial civil. O psicólogo Antônio Lima administra o local e aplica um método mais complexo que o de somente vigiar e punir, praticado na maioria dos centros prisionais brasileiros, conhecidos como “verdadeiras escolas do crime”.

“Tivemos que preparar a equipe de técnicos, socioeducadores, cozinheiros, para que olhassem para eles individualmente. Cada um tem um plano de atendimento, trabalhamos em três níveis: no primeiro ele acaba de chegar, precisa olhar pra si. No segundo o foco são as atividades, já no terceiro é quando eles já vivem a possibilidade do desligamento então há uma intensidade nas responsabilidades”, conta o responsável pelos 15 meninos vindos do interior e 59 adolescentes da capital.

Outro interno, *Mateus, de 17 anos, recebeu na terça-feira (23) a visita da irmã e da mãe que, enquanto massageava o pé do filho, esticado na cadeira a sua frente, recebia um convite para participar de um café da manhã oferecido para a família dos adolescentes que tiveram as dez melhores notas. Mateus está lá há dois meses e cursa a sétima série. A saudade já é grande: “Sinto muita falta dele nas refeições, quando a gente conversava”, lembrou a mãe.

Metodologia da resiliência

A titular da Sejusc, Graça Prola, explicou que no local os jovens aprendem a lidar com seus conflitos: “Através das regras de convivência e participação todo adolescente muda-se a forma de lidar com os problemas, isso é a resiliência”.

Internos farão estágio na DPE

Para mostrar alternativas além da criminalidade, a Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) e a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) trabalham juntas em projetos dentro da unidade. O “Ensina-me a Sonhar”, da Defensoria, irá escolher a cada três meses internos para estagiar na sede da instituição, até que complete o número de 10 estagiários. Lá eles poderão desenvolver trabalhos técnicos e administrativos, de acordo com o que aprenderam no “Teens ao Máximo” da Sejusc. Os adolescentes escolhidos poderão estagiar por um ano e receberão uma bolsa e vale transporte com valores ainda não divulgados.

A defensora pública Juliana Lopes é responsável pelo projeto e fala sobre a importância na vida dos jovens. “Um estudo comprova que 80% das pessoas que saem para atividades saudáveis não voltam pro crime. É também um passo de confiança mostrar que mesmo internados podem fazer um dinheiro, ajudar a família e ser útil”, explicou Juliana, citando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que garante ao jovem que sair do local, mediante a autorização do diretor, a praticar esporte, ter acesso à cultura e para estimular o convívio com a sociedade.

*Nomes fictícios para resguardar os internos

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