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Juiz marca primeira audiência sobre homicídio do delegado Oscar Cardoso, morto este ano

Crime teria sido encomendado pelo traficante foragido “João Branco”, por motivo de vingança. Oscar estava em frente à casa dele, no bairro Petrópolis, Zona Sul, e foi morto em frente à família com mais de 20 tiros 31/10/2014 às 15:48
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Delegado Oscar Cardoso
JOANA QUEIROZ Manaus (AM)

O juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Anésio Pinheiro, marcou para o dia 9 de dezembro a audiência de instrução processual do homicídio do delegado de Polícia Civil Oscar Cardoso Filho, morto no dia 9 de março deste ano, com mais de 20 tiros, em frente à família dele, na casa no bairro Petrópolis, Zona Centro-Sul da capital.

Os cinco réus serão ouvidos pela primeira vez em juízo, além de 11 testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público Estadual (MPE) e testemunhas de defesa. De acordo com o juiz, até esta quinta-feira (30), o processo permanecia sob sigilo de Justiça. 

Anésio Pinheiro não revelou se a audiência processual será aberta ao público. Pela ordem, serão ouvidas as testemunhas de acusação, em seguida as defesa e, por último, os réus que, segundo a investigação policial, são traficantes.

Entre os nomes estão o narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, Messias Maia Sodré, Diego Bruno de Souza Moldes e o empresário do ramo de veículos Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”.

Destes, apenas três estão presos. João Branco, apontado como o mandante do crime, está foragido, e Mário Tabatinga está preso na Delegacia de Homicídios e Sequestros (DEHS), por medidas de segurança.  Até agora, não há informação sobre quem faria a defesa dos réus.

Na denúncia, proferida pelo promotor de Justiça da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Ednaldo Medeiros, foram atribuídos três qualificadores ao crime de homicídio praticado pelo bando: motivo fútil, vingança e promessa de recompensa, dificuldade de defesa da vítima e motivo cruel, além de associação para o crime.

Conforme a denúncia do Ministério Público, o crime foi motivado pelo sentimento de vingança, visto que João Branco, que foi denunciado como executor e mandante, entendia que um grupo de policiais comandados pelo delegado Oscar teria sequestrado a esposa dele, Sheila Faustino Peres.

A mulher, além de ser sequestrada, também foi estuprada, e os bandidos rivais de João Branco tentaram extorqui-lo, pedindo grande quantia em dinheiro pela liberdade dela. Para João Branco, os sequestradores eram policiais presos junto com Oscar na operação “Tribunal de Rua”.

Vingança

No homicídio de Oscar, consta na polícia ainda que João Branco, Marcos Pará e Messias fizeram a vítima ficar de joelhos antes de atirar. Quando o delegado já estava no chão, um dos criminosos teria aproximado dele, dizendo: “Eu não avisei? Eu não te falei?”, e disparou dois tiros no rosto da vítima.

Para o promotor Ednaldo Medeiros, essa foi uma demonstração de que os criminosos agiram de maneira cruel, aumentando o sofrimento da vítima. Segundo a perícia da Polícia Civil, as balas que mataram o delegado saíram de pistolas calibre PT. 40, arma de uso restrito das polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal.

Ainda de acordo com Ednaldo, as balas eram de um lote que saiu da Secretaria de Segurança Pública (SSP), segundo investigações promovidas pela força tarefa criada para investigar o crime. O delegado foi executado com mais de 20 tiros, na frente da própria família. Quatro homens dispararam contra ele.

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