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Manaus
LIBERDADE

Juíza concede liberdade provisória a homens apontados pela polícia como líderes da FDN

No processo não constava que a dupla fazia parte de qualquer facção criminosa, afirma a titular da 5ª Vara Criminal 02/08/2017 às 19:10 - Atualizado em 02/08/2017 às 19:25
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Ocimar Prado, o “Coquinho”, e Ronny Costa, são considerados de alta periculosidade e mandantes de diversos assassinatos na capital (Foto: Divulgação)
Tiago Melo Manaus (AM)

Quatro supostos integrantes da facção criminosa Família do Norte (FDN), dentre eles Ocimar Prado Júnior, o “Coquinho”, e Ronny Costa dos Santos, apontados pela Secretaria Executiva-Adjunta de Inteligência (Seai) como os líderes da organização, receberam nesta quarta-feira (02) o direito à liberdade provisória concedido pela juíza titular da 5ª Vara Criminal, Andréa Jane Silva de Medeiros. Também foram soltos Reinaldo Padilha Natal de Lima e Daniel Cesa Miiller.

Conforme a decisão da juíza, em nenhum momento do processo é citado que os réus têm envolvimento com a FDN ou qualquer organização criminosa. Colaborou, também, para o deferimento em favor dos réus, o fato de que na audiência, realizada ontem, nenhum dos policiais que eram testemunha de acusação, todos devidamente intimados, compareceram para prestar depoimento.

Ainda de acordo com a juíza, foi constatado, durante a consulta do sistema, que o quarteto não responde a nenhum outro processo que fundamentasse a permanência no regime fechado. O fato foi averiguado pela reportagem do Portal A Crítica em consulta no site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). 

Por fim, a titular da 5ª Vara Criminal justificou sua decisão alegando que o grupo foi acusado por porte ilegal de arma e formação de quadrilha, o que configura uma pena máxima de até três anos e no mínimo um ano, em regime aberto.

Ainda conforme o documento, os quatro são obrigados a comparecerem em juízo trimestralmente no último dia de cada mês, além de ficarem proibidos de sair de Manaus. “Fica desde já advertido o flagranteado/iniciado/acusado que a sua ausência em qualquer ato processual importará na revogação do benefício concedido”, afirmou a juíza.

Para o delegado Paulo Mavignier, do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), órgão responsável, em conjunto com a Seai, pela operação que resultou na prisão dos quatro homens, pode ser que outras investigações maiores estejam em curso e que elas possam ligar o quarteto com a FDN.

"Fizemos a nossa parte, o nosso procedimento. Prendemos os quatro em flagrante pelo aporte ilegal de armas. Não sei qual a motivação da juíza em libertá-los e acredito que os policiais não tenham ido testemunhar por problemas de intimação", disse ele.  

O secretário de segurança pública, Sérgio Fontes, declarou que a decisão judicial tem que ser cumprida e que a polícia fez o seu dever. “Nós fizemos a nossa parte prendendo esses criminosos”, destacou.

A reportagem também tentou entrar em contato com o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) para comentar o caso, mas não obteve sucesso até o fechamento desta edição.  

Funk da FDN

Em junho deste ano, a reportagem de A Crítica teve acesso a um vídeo do cantor de funk Mr. Catra no qual ele exalta traficantes da Compensa, bairro apontado pela polícia como berço do tráfico de drogas em Manaus. No início do funk, Catra cita os nomes de “Ronny” e “Coquinho”, apontados pela polícia como aliados do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, um dos conselheiros e líderes da FDN, facção que comanda o tráfico no Amazonas.

Os dois nomes citados por Catra são, segundo a polícia, de mandantes de homicídios na cidade e também pistoleiros. Ronny e Coquinho foram presos pela polícia com armas sem registro em maio deste ano.

Entenda a prisão

“Coquinho” e Ronny foram presos por volta das 22h30 em um posto de gasolina na rua Raimundo Nonato de Castro, no bairro Ponta Negra, na Zona Oeste da cidade, logo após saírem de um condomínio de luxo.

Segundo as investigações, o grupo usava um apartamento neste condomínio de luxo apenas para realizar reuniões de integrantes da facção. O apartamento tinha poucos móveis e não tinha sinais de que havia alguém morando no local.

Na operação também foram presos Daniel Cesar Miiller, que tinha mandado de prisão por homicídio, e Reinaldo Padilha Natal de Lima, envolvido com o tráfico de drogas, segundo a polícia.

A ação contou com a participação de 20 policiais da Seai, ligada à Secretária de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), e do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc) e do Grupo Fera da Polícia Civil. Foram apreendidas quatro pistolas, uma de 380 e outra de 9 milímetros, e mais dois carros, uma SD10 e um Passat blindado.

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