Domingo, 16 de Junho de 2019
Manaus

Juíza que condenou réus do Caso Belota fala da emoção da justiça feita no Tribunal do Júri

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1.jpg Magistrada lê a sentença na qual condenou Jimmy e os parceiros dele a 272 anos de cadeia em regime fechado
24/11/2013 às 10:25

A juíza Mirza Telma Oliveira está fazendo história como uma das magistradas mais atuantes do Judiciário amazonense. Ela está há 29 anos como juíza e começou a atuar nas comarcas do interior. Atualmente é titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri e julga crimes contra a vida. É frequente no término de alguns deles ser aplaudida de pé não só pelo resultado, mas principalmente pela forma como conduz os trabalhos.

A magistrada também surpreende quando se emociona  durante a leitura da sentença de um réu. Aconteceu no final do julgamento do motorista Cristian Silva de Souza, condenado  a 31 anos de prisão pelo atropelamento e morte do menino Mateus Alves Gomes, 4. Ela não conseguiu chegar ao final e a leitura foi concluída pelo chefe do cartório. “Antes de eu ser juíza, eu sou ser humano, mulher, mãe e filha”, explica.

Um dos julgamentos que marcou a carreira dela aconteceu em dezembro de 2001, quando a  dona de casa  Kelly da Silva Ramos, 23, e Jeferson da Silva Mota, 28, foram condenados por  matar a própria filha, Ana Vitória Ramos Mota.

Na quinta-feira (21) ela presidiu o julgamento do triplo homicídio que ficou conhecido como caso “Belota”, um dos mais esperados do ano, devido a repercussão que o crime teve. Plenário lotado, a maioria dos que estavam ali  era  familiar das vítimas e aguardavam ansiosamente pela condenação dos réus. O julgamento começou por volta das 9h de quinta-feira e terminou às 6h de sexta-feira (22), com intervalos apenas para  almoço e lanche.


Logo na abertura dos trabalhos a magistrada foi obrigada a tomar uma posição  decisiva para que os três réus fossem julgados de uma só vez. Os advogados de Jimmy Robert Brito, considerado o mentor dos crimes, abandonaram o réu porque eles queriam adiar o julgamento por mais dez dias. Primeiro a magistrada colocou um defensor público à disposição de Jimmy, mas este o rejeitou. Imediatamente então ela nomeou o advogado Mário Jorge Vitor para defender o rapaz, filho, sobrinho e primo das vítimas.

No final do julgamento a magistrada  fez a leitura da sentença e mais uma vez demonstrou estar emocionada. Segundo ela, não basta julgar, condenar ou absolver o réu. Para ela, o que importa é fazer justiça. “As vezes a emoção vem acompanhada do sentimento do dever cumprido. É uma resposta que damos às famílias e aos réus também para que eles retomem suas vidas e sigam em frente”, diz.

Vida pessoal

Perto de do meio-dia de sexta-feira, Mirza Telma, aparentando cansaço, ainda estava na sala cercada por uma pilha de processos. “Vamos pra casa mãe já chega” apelava o filho. “Não adianta ir pra casa agora que eu não vou conseguir dormir”, respondeu a Mirza.

A magistrada disse que se considera uma mulher vaidosa que está sempre bem arrumada, maquiada com os cabelos bem arrumados, unhas feitas e que no momento não está frequentando academia por falta de tempo. “Não sou muito chegada à cozinha, faço algumas comidinhas como macarronada para os meus filhos e eles gostam”, diz

Nos momentos de folga, a juíza diz que arruma a casa, coloca em ordem tudo o que está fora do lugar, porém ficar com os filhos e a mãe também é prioridades.

Segundo Mirza Telma, o trabalho é uma das preocupações da família, principalmente da mãe e para levantar a moral depois de uma jornada dura de trabalho não há nada melhor do que a sopa preparada pela mãe e o aconchego dos filhos.

‘Uma máquina de trabalhar’, diz promotor

O promotor de Justiça Carlos Fábio Monteiro  diz que é uma honra trabalhar com a juíza Mirza Telma no Tribunal do Júri. Ele diz que já trabalhou com vários magistrados, mas  que ela consegue reunir e concentrar nela só as qualidades individuais dos outros. “Ela é combatível, segura e destemida. Na verdade, ela é uma máquina de trabalhar”, diz o promotor.

Segundo o promotor, que já a acompanha por alguns anos, quando ela está presidindo um julgamento, enquanto estão acontecendo os debates ela está fazendo outros processos. Para Monteiro, a magistrada tem prazer em exercer a magistratura e faz por amor.

O promotor disse que é frequente ela se emocionar no final de um júri. “Ela é firme, mas não perde a ternura. Eu acho bonito isso porque ela consegue ser firme sem deixar de ser sensível”, diz o promotor.


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