Domingo, 19 de Maio de 2019
POSICIONAMENTO

Julgamento Caso Oscar: promotor diz que nunca viu ‘tantas provas’ contra acusados

Geber Mafra é um dos quatro promotores da equipe de acusação no julgamento de “João Branco” e outros três réus acusados de participarem da morte do delegado Oscar Cardoso



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Segundo a acusação, o narcotraficante 'João Branco' foi o mandante do crime Foto: Arquivo/AC
13/04/2018 às 20:51

“Em vinte anos de Ministério Público, eu nunca vi um processo com tantas provas sólidas”. A afirmação é do promotor do Ministério Público Federal do Amazonas, Geber Mafra, sobre o caso Oscar Cardoso. Mafra compõe com outros três promotores a equipe de acusação do julgamento do traficante João Pinto Carioca, conhecido como "João Branco", e outros três réus acusados de participação na morte do delegado Oscar Cardoso.

O promotor Ednaldo Medeiros, que também faz parte da equipe de acusação, afirmou que “o julgamento de hoje não revela apenas quatro criminosos, revela também como o crime organizado perdeu todos os limites, agindo de maneira cruel, em plena luz do dia, executando um delegado de Polícia”.

E acrescentou ainda: ‘O Ministério Público trabalha unido para combater o crime no Estado que já produziu e continua produzindo vítimas na cidade, transformando Manaus em um campo de guerra entre facções e vitimando toda a sociedade’.

Início dos trabalhos 

O julgamento começou na manhã desta sexta-feira (13), no Fórum Ministro Henoch Reis, na Zona Centro-Sul de Manaus. A previsão é que a sentença seja dada nas primeiras horas deste sábado (14).

João Branco, Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, Messias Maia Sodré e Diego Bruno de Souza Moldes são acusados de assassinar o delegado Oscar Cardoso em 9 de março de 2014, em frente à casa dele, na rua Negreiros Ferreira, bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus.

Segundo a acusação, João Branco foi o mandante do crime. A motivação do assassinato dele seria um suposto envolvimento de Oscar Cardoso no sequestro e estupro da esposa do narcotraficante João Branco, um dos líderes da facção criminosa Família do Norte.

“O padrão do cidadão comum é procurar a Justiça (diante de um crime). Mas ele (João Branco) disse: ‘Aqui é da minha maneira’. Fazendo sua vingança pessoal, o seu modo de agir”, declarou o promotor Mafra, durante a sustentação da acusação.

Data pensada

A data para a execução do assassinato, segundo a promotoria, foi pensada. No dia 9 de março de 2014, ocorreu a inauguração da Arena da Amazônia, fazendo com que o aparato de segurança do Estado estivesse com as atenções voltadas ao evento.

Mais de 40 tiros foram disparados contra o delegado Oscar Cardoso, dos quais 18 o atingiram. A vítima estava em via pública, com o neto no colo, um menino que na época tinha 1 ano e seis meses de idade, quando foi surpreendido pelos atiradores, que desceram de vários veículos.

A acusação também afirmou durante a sustentação que o delegado chegou a pedir aos criminosos que não matassem seu neto.

Mário Tabatinga já foi condenado

Outro réu no caso, Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”, foi condenado na primeira sessão do julgamento ocorrido em agosto do ano passado. Ele, acusado de fornecer o veículo usado no crime, pegou 5 anos, 6 meses e 15 dias de pena por associação criminosa e ocultação de bem ilícito. Como já tinha ficado preso por três anos, o restante da pena foi colocado em regime aberto


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