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RELATOS

Justiça começa a ouvir testemunhas do caso dos desaparecidos do Grande Vitória

Alex Júlio Roque, 25, Rita de Cássia Castro da Silva, 19, e Weverton Marinho Gonçalves, 21, desapareceram em outubro de 2016 após abordagem policial; oito PMs foram denunciados pelo sequestro e desaparecimento dos jovens 05/06/2017 às 19:10
Show jovens desaparecidos
Oito policia militares foram denunciados como os responsáveis pelo sequestro e desaparecimento das vítimas, cujos corpos nunca foram encontrados.
Kelly Melo Manaus - AM

O juiz Mauro Antony, da 3ª Vara do Tribunal do Júri, começou a ouvir nesta segunda-feira as testemunhas de acusação do caso dos oito policiais militares denunciados pelo sequestro e desaparecimento de Alex Júlio Roque, 25, Rita de Cássia Castro da Silva, 19, e Weverton Marinho Gonçalves, 21, após uma abordagem policial no bairro Grande Vitória, na Zona Leste, em outubro do ano passado.   O aspirante Luiz Ramos é apontado com o mandante do crime.

Os outros policiais denunciados são José Fabiano Alves da Silva, Edson Ribeiro Costa, Ronaldo Cortez, Eldeson Alves de Moura, Cleidson Eneas Dantas, Denilson de Lima Correa, Isaac Loureiro da Silva. Todos eles aguardam julgamento presos.

Das oito testemunhas de acusação convocadas, apenas quatro foram ouvidas.  Uma nova audiência foi agendada para o dia 22 de junho, para ouvir as outras quatro testemunhas do Ministério Público. Duas delas serão ouvidas por carta precatória, já que moram em outras cidades. “Nessa audiência vamos ouvir as testemunhas do MP que faltaram  e as de defesa, que são oito. A gente vai tentar esgotar as oitivas de testemunhas nessa data e depois nós vamos marcar uma nova audiência para o interrogatório dos acusados”, afirmou Antony.

Para o juiz, a expectativa é de que até o final de setembro a instrução seja finalizada e haja uma definição se os policiais irão ou não a júri popular.

O conteúdo dos depoimentos não foi divulgado. Mas conforme o promotor do caso, Rogério Marques, duas das testemunhas relataram se sentirem temerosas às abordagens policiais, desde o desaparecimento dos três jovens. Os corpos das vítimas não foram localizados até hoje. “Este processo deveria chamar a atenção para a necessidade da PM realizar abordagens somente mediante o monitoramento por câmeras de suas viaturas. Se a viatura estiver com uma câmera danificada, isso teria que implicar no afastamento da viatura até que o problema fosse resolvido. Ou que na própria farda dos PMs existisse uma câmera para filmar toda e qualquer operação”, defende o promotor.

Ainda segundo Marques, “a PM não pode agir na clandestinidade quando aborda pessoas. Há bons policiais e a sociedade não pode ter segurança sem a PM em ação. Mas o desaparecimento de três pessoas após serem abordadas por policiais é algo inaceitável”, disse o promotor, ao reafirmar que existem provas suficientes para condenar os réus.

O caso

Alex Júlio Roque, 25 anos, Rita de Cássia Castro da Silva, 19, e Weverton Marinho Gonçalves, 21, desapareceram após uma abordagem policial e o Ministério Público do Estado (MPE), baseado no inquérito policial conduzido pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), denunciou oito policiais militares como responsáveis pelo desaparecimento dos jovens.

Os réus também foram convocados para a audiência de oitiva das testemunhas de acusação realizada nesta segunda-feira no Fórum Ministro Henoch Reis. Eles compareceram, mas a pedido de duas das testemunhas, não acompanharam os depoimentos, permanecendo na carceragem do fórum. Em função da condição de réus, serão os últimos a ser ouvidos na instrução processual.

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