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Manaus
VIOLÊNCIA SEXUAL

Justiça começa a julgar acusados de integrar rede de prostituição infantil em Manaus

Grupo foi descoberto após a prisão em flagrante de um empresário dentro de um motel com uma adolescente de 13 anos 12/12/2018 às 14:58 - Atualizado em 12/12/2018 às 14:59
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Foto: Arquivo/AC
acritica.com Manaus (AM)

A 2ª Vara de Crimes Contra a Dignidade Sexual de Crianças e Adolescentes da Comarca de Manaus iniciou, na manhã desta quarta-feira (12), a audiência de instrução e julgamento em ação que envolve quatro acusados de integrarem uma rede de prostituição infantil no Amazonas. O grupo foi descoberto após a prisão do empresário Fabian Neves dos Santos, 37, dentro de um motel com uma adolescente de 13 anos, em agosto.

O processo, que tramita sob segredo de Justiça, tem quatro réus e sete vítimas, que possuem entre 13 e 14 anos de idade. A Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) concluiu o inquérito sobre o caso em outubro. Ao longo dos trabalhos policiais foram presos, além do empresário Fabian, uma mulher de 28 anos que é tia da adolescente de 13 anos, e que não pode ter a identidade divulgada, o comerciante Raimundo Alves do Vale Filho, 52, e Ana Cássia da Silva Bentes, 23.

As vítimas serão ouvidas nesta quarta e quinta-feira (13), sendo que os depoimentos serão colhidos de acordo com a Lei 13.431/17, em depoimento especial. Nesse caso, as adolescentes são ouvidas em uma sala separada, com a presença de uma psicóloga forense. O depoimento é transmitido, ao vivo, para a sala de audiências onde ficam a defesa, a acusação e o juiz.

Na próxima sexta feira (14) serão ouvidas as nove testemunhas de acusação. Na segunda-feira (17) será a vez das 11 testemunhas de defesa. Os acusados, que estão presos, serão ouvido na terça-feira (18). A partir do final das oitivas, a defesa e o Ministério Público farão as alegações finais e, com isso, o processo estará concluso para sentença.

Para a juíza Articlina Oliveira Guimarães, titular da 2ª Vara de Crimes Contra a Dignidade Sexual de Crianças e Adolescentes da Comarca de Manaus, o processo está sendo tratado com celeridade, uma vez que os crimes do gênero têm prioridade.

Flagrados no motel

Conforme a titular da Depca, delegada Joyce Coelho, no dia 7 de agosto deste ano o empresário Fabian Neves dos Santos foi preso em flagrante por estupro de vulnerável praticado contra uma adolescente de 13 anos. A tia da vítima, de 28 anos, também foi presa por envolvimento na prática criminosa. Na ocasião, policiais da Depca resgataram a garota de dentro de um quarto de motel localizado na avenida Elias Ramiro Bentes, bairro Colônia Terra Nova, Zona Norte da capital.

A delegada disse, na época do crime, que após as prisões de Fabian e da tia da vítima a polícia fez novas diligências, demonstrando a necessidade da decretação da prisão preventiva deles para não atrapalhar as investigações. Posteriormente, a 69ª Promotoria de Justiça, por meio do promotor Rodrigo Miranda Leão Júnior, emitiu um parecer pela decretação da prisão temporária e de busca e apreensão nos endereços dos investigados. “Assim que ficamos sabendo da decisão judicial, nos dirigimos por volta das 14h aos endereços, a fim de cumprirmos os mandados”, pontuou a delegada Joyce.

Operação 666

No dia 18 de setembro deste ano a Polícia Civil deflagrou uma operação, chamada de “666”, que resultou nas prisões de mais dois integrantes da organização cirminosa, o comerciante Raimundo Alves do Vale Filho, 52, e Ana Cássia da Silva Bentes, 23. Os dois foram acusados pelos crimes de estupro de vulnerável e favorecimento da prostituição.

A delegada Joyce Coelho declarou, na época, que as prisões dos infratores ocorreram em desdobramento do caso de estupro de vulnerável e favorecimento da prostituição ou exploração sexual envolvendo Fabian e a tia de uma das vítimas. Ana Cássia e Raimundo foram citados durante todos os depoimentos. Segundo Joyce Coelho, Ana Cássia seria uma segunda agenciadora e Raimundo seria, também, um dos clientes dela e da tia da adolescente de 13 anos encontrada com Fabian.

Conforme a autoridade policial, na ocasião das prisões de Fabian e da tia da adolescente, foram apreendidos os aparelhos celulares dos dois infratores. A delegada então representou à Justiça o pedido da quebra dos dados telefônicos, quando foram encontradas imagens e conversas que evidenciavam o esquema criminoso. A titular da Depca enfatizou que Ana seria amiga e sócia da tia da menina de 13 anos, ou seja, responsável por aliciar adolescentes para a prostituição. Já Raimundo, assim como Fabian, era cliente das infratoras.

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