Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Manaus

Justiça Militar decreta e PM prende policiais que agrediram e torturaram jovens em Manaus

O pedido de prisão preventiva dos três policiais foi feito ontem (9) e, ontem mesmo, aceito e decretado pela Justiça Militar. Vídeo registrou momento das agressões



1.jpg Soldado Jamesson Moreira, da Força Tática, foi um dos que participaram ação de tortura e agressão contra os jovens
09/05/2015 às 15:37

ASSISTA AO VÍDEO

Foram presos neste sábado (9) em Manaus os três policiais militares da Força Tática que agrediram e torturaram três jovens de 15, 18 e 22 anos durante uma abordagem na comunidade Jesus me Deu, Zona Norte, em Manaus, na última quarta-feira. Em um vídeo divulgado pelo Portal A Crítica, é possível ver o momento da agressão.

A prisão preventiva dos três policiais foi solicitada ontem (9) pela Diretoria de Justiça e Disciplina da Polícia Militar e, ontem mesmo, foi aceita e decretada pela Justiça Militar. A informação foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, e pelo corregedor auxiliar da PM, coronel Euler Cordeiro.

Segundo Euler, os três PMs – cabo Fábio Luis Paiva dos Santos, 37, e soldados Carlos Diego do Nascimento e Silva, 28, e Jamesson Pinto Moreira, 27 – já sabiam desde a noite de sexta-feira (8) sobre possibilidade de serem presos a qualquer momento. As prisões foram efetuadas por PMs que prestam serviço para a Corregedoria da PM.


Jovens agredidos firam com hematomas

Após a prisão, os policiais foram conduzidos ao Presídio Militar, no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte de Manaus. Além de serem presos e responderem por inquérito policial militar, eles poderão ser expulsos da corporação, o que ainda será averiguado em sindicância na Corregedoria. O cabo Fábio Luis está há mais de 15 anos na PM do Amazonas e os dois soldados Carlos Diego e Jamesson fazem parte da corporação há cerca de 4 anos. 

Denúncia

Imagens de uma câmera de vigilância registraram o momento em que os policiais desceram da viatura e agrediram com socos, pontapés e golpes de pau as costas e as nádegas dos três jovens – dois rapazes e uma moça. As vítimas das agressões ficaram com marcas e hematomas nas regiões do corpo atingidas. Familiares dos jovens fizeram a denúncia do caso.

Ministério Público

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) também abriu uma investigação para averiguar a conduta dos três policiais. A promotora de Justiça Cley Barbosa Martins, da 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial (Proceap), abriu um Procedimento Preparatório para investigar o fato.

Vítimas

A reportagem do A CRÍTICA conversou com as vítimas das agressões. Segundo os jovens, os três policiais desceram da viatura, renderam os jovens e iniciaram as agressões – um dos PMs estava encapuzado, Primeiro eles abordaram o auxiliar de padaria L.F.C.P., 22, que é empurrado para a parede e agredido com tapas e pontapés.

“Eu estava lanchando aqui na frente quando eles chegaram e me mandaram ir para parede e já foram me batendo. Não me revistaram, nem me algemaram e me mandaram ajoelhar”, disse a vítima. Ainda segundo o jovem, um dos policiais pegou um pedaço de tábua de madeira e bateu pelo menos 16 vezes nas costas e nas nádegas. “Não tinha motivo para eles fazerem isso. A gente não estava fazendo nada de errado”, afirmou.

A versão foi confirmada pela adolescente C.C.S, que disse ter levado 20 pauladas. Ela também foi agredida com tapas nas costas, obrigada a tirar a roupa na frente dos militares e depois a obrigaram bater nos colegas.

“Eles me mandaram ficar sem roupa e mandaram eu me abaixar. Um deles chegou a encostar o cuturno nas minhas partes íntimas, mas eu levantei. Depois eles me mandaram bater nos meninos, senão eu ia apanhar mais. Tive que bater”, contou a menina que para sentar, precisa usar uma almofada, já que os glúteos dela também ficaram com muitos hematomas.


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