Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
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Justiça prorroga prisões de PMs suspeitos de sumiço de jovens no Grande Vitória

Decisão foi do juiz Mauro Antony, da 3ª Vara do Tribunal do Júri, que entendeu que crime trata-se de hediondo, com características de grupo de extermínio



justi_a.JPG Decisão foi dada na manhã desta terça-feira (29) (Foto: Gilson Melo/Freelancer)
29/11/2016 às 21:56

Sete policiais militares suspeitos de envolvimento no desaparecimento de três jovens, ocorrido há um mês no bairro Grande Vitória, na Zona Leste de Manaus, tiveram suas prisões prorrogadas por mais 25 dias pelo juiz Mauro Antony, da 3ª Vara do Tribunal do Júri. Mauro Antony entendeu que o crime pelo qual os militares são suspeitos trata-se de hediondo, com características de grupo de extermínio.

Para A CRÍTICA, o magistrado explicou a decisão dizendo que há indícios de que os policiais são responsáveis pelo sumiço das vítimas Alex Roque Melo, 29,  Rita de Cássia Castro da Silva, 19, e  Weverton Marinho, 20. Conforme Mauro Antony, se for confirmado que as vítimas foram mortas, os policiais militares podem ser autuados pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe.  “Com a ausência dos corpos, o Ministério Público poderá trabalhar com provas testemunhais, documentais e até filmagens para oferecer a denúncia contra os réus” disse o magistrado.

O titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Ivo Martins, disse ontem que as investigações  estão em andamento e  que há novos indícios, mas que até o momento ainda não podem ser divulgados para não atrapalhar o trabalho de investigação.

Ivo Martins, no entanto, adiantou que há fortes indícios de que a picape de placa placas NOT-5687 do tenente Luiz Ramos, o “Boca de Lata”, que comandava a guarnição que fez a abordagem aos três jovens na noite que eles desapareceram, tenha sido usada para levá-los ao local onde possivelmente foram mortos, até o momento desconhecido pela polícia.

Em depoimento, os militares negaram terem desaparecido com as vítimas, mas de acordo com o delegado Ivo Martins há fortes indícios que  eles são os responsáveis pelo desaparecimento.  “Nós estamos trabalhando para descobrir a participação de cada um no crime”, destacou o delegado.

Ivo Martins disse que ainda não tem uma data exata para enviar o inquérito à Justiça e que fará isso no momento em que achar que o ele esteja devidamente instruído para que o Ministério Público possa trabalhar na denúncia.  O delegado também está aguardando os laudos dos exames de comparação balística e de DNA feito no sangue encontrado em uma sandália que foi reconhecida como sendo de Alex.

Esperança

O delegado Ivo Martins disse que acha difícil que os jovens ainda estejam vivos. A maioria dos familiares também já não tem tanta esperança, a não ser o pai de Alex, o autônomo Júlio César Roque, 47, que disse que enquanto ele não ver o corpo do filho, vai continuar acreditando que ele ainda está vivo.   “Eu fico pensando onde ele deve estar. Todo dia chegam informações de onde ele estaria, mas até o momento nada”, afirmou.

 Júlio Roque disse que todos os dias sai para procurar o filho, que desapareceu no dia 29 do mês passado,  depois que ele e dois amigos foram abordados por duas guarnições  da 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) da Polícia Militar, no bairro Grande Vitória, na Zona Leste de Manaus.

O pai começou a procurar horas depois que soube que Alex tinha sido levado pelos policiais. Foi ele quem encontrou as sandálias de Alex sujas de sangue com um projétil deflagrado ao lado. Ele usa recursos próprios, como terçados, enxadas e cães da raça vira-lata, lanternas e outros equipamentos nas buscas. Quando aparece uma pista ele vai checar se é verdadeira.

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