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Justiça suspende reintegração de posse na invasão Cidade das Luzes

Policiais, operadores de trator e bombeiros já se retiraram do local. Desde o início da manhã uma mega operação havia sido montada para retirar os ocupantes do terreno 24/11/2015 às 12:58
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Operação para retirar ocupantes da invasão foi suspensa
Luana Carvalho Manaus

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A Justiça suspendeu a reintegração de posse na comunidade Cidade das Luzes, que vinha sendo cumprida desde o início da manhã desta terça (24) no terreno localizado no bairro Tarumã, Zona Oeste da cidade, e onde moram centenas de famílias. Policiais, operadores de trator e bombeiros já se retiraram do local.

A ordem de suspensão da reintegração partiu do juiz Adalberto Carim Antônio, da Vara Especializada do Meio Ambiente e de Questões Agrárias (VEMAQA).

Desde o início da manhã, por volta das 9h, tropas especiais da Polícia Militar, Força Tática, do Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer), Grupamento de Manejo de Artefatos Explosivos (Grupo Marte), Canil e policiais da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) adentraram a área, em uma mega operação para reintegrar o terreno.

Na tentativa de frear a ação dos policiais, moradores atearam fogo nas árvores e atiraram pedras nos policiais, que reagiram com tiros de borracha.

De acordo com o comandante de Policiamento Especial (CPE), coronel Cleitmam Coelho, a reintegração seria cumprida, mas a área do Parque das Tribos e outra área que está em litígio na Justiça Federal serão preservadas.


“No primeiro momento a Defensoria Pública e o Ministério Público, com os órgãos de habitação do estado e município, irão ter uma conversa com a população, na tentativa de sensibilizar, porque essa ordem terá de ser cumprida. Vamos respeitar, mas não podemos deixar que uma ordem seja desrespeitada por questões de interesses pessoais. Em último caso faremos uso das técnicas de controle e uso de armamentos não letais e de armamentos químicos”, afirmou.

Logo no início da ação, os ocupantes fizeram uma barricada e atearam fogo para impedir a entrada dos policiais. Ao ver a chegada da polícia, os ocupantes soltaram fogos de artifício e prometem resistir. Um morador da comunidade Cristo Rei, em frente a Cidades das Luzes, informou que há homens escondidos no mato só aguardando a entrada dos policias.

“Vai ter morte. Ouvi dizer que os donos de mercadinhos, que fizeram investimento alto, construíram casas de três pisos, não vão deixar barato”, comentou o morador, que preferiu não ter o nome divulgado.

Concentrados em ramal

Todos os moradores da invasão estavam concentrados no ramal da Anaconda, que dá acesso a Cidade das Luzes. Alguns moradores estavam desesperados por não terem lugar para ir. A auxiliar de cozinha Rosilene de Almeida, 30, disse que está desempregada e por isso mora, há um ano, na invasão.

“Sou cadastrada na Suhab (Superintendência Estadual de Habitação) há mais de três anos e todas as vezes que vou lá eles me dizem para esperar. Falam que não tem vaga. Mas quem passa na minha frente são os parentes dos funcionários que trabalham lá”, desabafa.

Rosilane tem três filhos e afirmou que nunca foi impedida de entrar ou sair da ocupação por traficantes. “Pode ter traficantes como tem em todo lugar. Mas também existem muitas famílias necessitadas, que não tem para onde ir. Estamos desesperados”.

O delegado do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), Frederico Mendes, informou que a reintegração seria feita por etapas e que as secretarias municipais e estaduais de programa sociais e de habitação irão orientar os ocupantes. No entanto, deixou claro que o Governo não irá, neste momento, disponibilizar habitação.

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