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‘Juventude que ousa lutar, constrói o projeto popular’ foi o lema do Grito dos Excluídos em Manaus

O evento reuniu cerca de 5 mil pessoas, entre elas representantes de associações, pastorais e comunidades Indígenas 09/09/2013 às 10:30
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Os manifestantes se concentraram próximo ao terminal de ônibus 5 e percorreram a avenida Grande Circular cobrando políticas públicas para a juventude
Adriana Farias ---

A 19ª edição do Grito dos Excluídos, em Manaus, foi marcada pelo apelo dos manifestantes por políticas públicas para a juventude. A concentração do evento iniciou às 15h, deste domingo (8), no bairro São José, Zona Leste da cidade. Sob a coordenação do padre Alcimar Araújo, a passeata começou às 16h30 e teve quatro paradas para a reflexão dos temas: ‘Juventude e Saúde’, ‘Juventude e Violência’, ‘Juventude, Tráfico e Exploração Sexual’ e ‘Juventude e Educação’.

O Grito dos Excluídos 2013 teve como tema “Vida em primeiro lugar” e como lema “Juventude que ousa lutar, constrói o projeto popular”. O evento reuniu cerca de 5 mil pessoas, segundo os organizadores. Participaram da mobilização a Associação das Donas de Casa do Amazonas (ADCEA), Comunidade Indígena do Conjunto Cidadão 12 , Pastoral da juventude, Pastoral DST/AIDS, Conselho Regional de Medicina, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e a Arquidiocese de Manaus, além dos Vereadores Waldemir José (PT) e Bibiano (PT).

O protesto foi pacífico. Equipes da Polícia Militar e do Instituto de engenharia e fiscalização do trânsito (Manaustrans) acompanharam os manifestantes, grande deles era jovens da Igreja Católica. Os manifestantes usaram apitos, cartazes, pulseiras e bandeiras. Frases como “Mais saúde para o povo para que a doença e a desassistência não sejam usadas nas eleições”,“Há os sem teto, os sem terra e os sem saúde”, “Paz”, “Mais oportunidades para juventude”, “Chega de violência e extermínio dos jovens” foram estampadas em em faixas e cartazes de cartolina.

Representantes do Conselho Regional de Medicina também fizeram parte do movimento. “Lutamos por mais saúde para a população do interior. Existem hospitais prontos no interior esperando o ano das eleições para serem inaugurados. A saúde está mal distribuída, está concentrada na capital. Se aqui está ruim, no interior está péssima”, afirmou um dos médicos.

Moradores indígenas do Conjunto Cidadão 12 compareceram com a cara pintada para pedir um terreno para construção de uma escola que servirá também de espaço para pratica de artesanato danças e rituais, como forma de resgatar a cultura deles. Hoje, essas atividades são realizadas em uma propriedade particular no conjunto habitacional.

A Associação das Donas de Casa do Amazonas pediu mais respeito às mulheres e enfatizou as dezenas de mulheres violentadas e mortas em Manaus. A Pastoral DST/AIDS protestou contra o preconceito a pessoas com o virus do HIV, que são discriminadas no mercado de trabalho.

Movimento oriundo das pastorais

O Grito dos Excluídos nasceu nas pastorais sociais da Igreja Católica como forma de dar continuidade à reflexão da Campanha da Fraternidade de 1995, que abordava o tema Fraternidade e Excluídos. “O dia 7 de Setembro foi escolhido para as manifestações por ser o dia da Independência do Brasil, considerada ideal pelos organizadores para refletir sobre o País”, explicou Edney Mendonça, representante da Arquidiocese de Manaus.

O Grito dos Excluídos tem como objetivo em suas mobilizações, que ocorrem simultaneamente em todo o País, denunciar o modelo político e econômico que concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão social; tornar público, nas ruas e praças, o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome; propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social, com a participação de todos os cidadãos.

Manifestantes tomam as ruas

O ato acontece simultaneamente em outras cidades do Brasil, o tom do Grito dos Excluídos 2013 foi animado pela onda de protestos que assolou o País nos meses de junho e julho. Em São Paulo o ato público ocorreu longe do Sambódromo do Anhembi, onde aconteceu o desfile de 7 de Setembro no sábado.

Os participantes do Grito dos Excluídos se dividiram em dois grupos e percorreram as ruas da região central. Em Recife, a passeata deixou a concentração na Praça Oswaldo Cruz e tomou a Avenida Conde da Boa Vista, no Centro da cidade. A organização do Grito dos Excluídos estimou a participação de 2 mil pessoas na caminhada.

No Distrito Federal, os participantes da manifestação reclamaram da postura da Polícia Militar durante e após a mobilização. “Nós já estávamos no canteiro, saindo da pista, e a PM chegou. Eles não conversaram em nenhum momento, chegaram batendo e prendendo as pessoas", disse Edson Silva.

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