Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020
no petrópolis

Laboratório do Inpa é roubado e equipamentos para pesquisas são levados

Funcionários do órgão destacaram que a segurança do local está precária



itens_EC7EC4A1-F092-43FB-A92A-364A3C47ADC5.JPG Foto: Divulgação
22/06/2020 às 17:55

Cerca de 37 equipamentos foram roubados do Laboratório de Celulose e Papel/ Carvão Vegetal, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Petrópolis, Zona Sul de Manaus. O roubo teria acontecido na segunda-feira passada (15), no retorno dos trabalhos presenciais, quando um técnico encontrou um balde no banheiro com parafusos de um dos equipamentos – as peças eram da usina piloto que tem capacidade de gerar celulose, papel, carvão, briquete e filtro. A Polícia Federal investiga o caso.

Entre os equipamentos roubados estão duas tampas de cozinhadores (feitas de metal), 20 peneiras de cobre, 14 panelas de refino e uma resistência elétrica, peças consideradas essenciais para usar madeiras de forma tecnologicamente sustentável e fazer resíduos tornarem insumos de grande valor agregado. Todos eles, com mais de 40 anos, são feitos de alumínio, metal e cobre - metais valorizados no mercado de sucatas.



Segundo funcionários que conversaram com a reportagem de A Crítica, sob a condição do anonimato, não havia sinais de arrombamento no galpão. “A segurança do Inpa está precária. Há câmeras instaladas, mas algumas delas não funcionam. Houve uma redução de funcionários na portaria”, disse um deles.

“Não [são] meras peças como uma televisão ou notebook, que já causa grande prejuízo, mas peças que fazem a engrenagem da pesquisa girar. E como gira bem ali. Mesmo com vista oculta no desconhecido pela grande maioria, o laboratório qualificou alunos, mestres e doutores. Há objetos, que por mais que sejam apenas matérias, guardam uma história. Ajudam vidas. Não compre. Não indique o valor de objetos”, declarou, em nota, a pesquisadora chefe do Laboratório, Marcela Amazonas.

Segundo a bióloga Viviany Guimarães, uma das alunas que trabalha do laboratório, por serem equipamentos essenciais para o desenvolvimento das pesquisas, as atividades podem ser suspensas por tempo indeterminado e os funcionários remanejados para outros setores.

“Algumas parcerias estão comprometidas com a paralisação das atividades do laboratório, como a da Ufam [Universidade Federal do Amazonas] e do Distrito Industrial. Investimentos poderão ser cortados. O roubo desses materiais vai comprometer muito o nosso trabalho, pois não temos condição de comprar equipamentos novos, que custam entre R$ 100 e 200 mil reais. Eles estavam no instituto desde a fundação e não são mais fabricados. Estamos fazendo de tudo para que o laboratório não feche”, disse.

O Laboratório de Celulose e Papel/Carvão Vegetal, que foi um dos primeiros a serem construídos na sede atual do Inpa, detém cinco patentes. Com o retorno das atividades presenciais, o laboratório estava prestes a executar três projetos: filtro de tucumã sem ativação, celulose de resíduos para nanotecnologia e briquetes (blocos densos geralmente feitos a partir de resíduos de madeira utilizados como combustíveis no lugar da lenha).

Posicionamento

Em nota enviada à redação de A Crítica, a administração do Inpa informou que a administração do instituto acionou a Polícia Federal para investigar o caso e está dando o suporte necessário para que os fatos sejam apurados. “O Inpa está acompanhando o caso e repudia veementemente a violência contra o patrimônio público”, diz um trecho.

A nota destaca ainda que o cerne das pesquisas do laboratório é o desenvolvimento de tecnologias voltados para reaproveitamentos de resíduos da região e desenvolvimentos sustentável da Amazônia. “Destaque para três tecnologias sob proteção industrial que são o Papel artesanal à base de cupuaçu, briquete de caroço de açaí e tucumã, um carvão amazônico alternativo ao carvão mineral, e o sistema de filtragem de água por meio de biomassa vegetal de tucumã, açaí e madeiras da Amazônia carbonizadas”, diz.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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