Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
ANIMAIS

Conheça o treinamento do labrador que faz buscas por drogas em presídio de Manaus

O cão Kimball atua dentro dos pavilhões do CDPM II, especialmente nos dias de visitas: sextas-feiras e sábados



24/02/2019 às 10:22

O cão Kimball, de 1 ano e meio, é o novo integrante da turma de animais que trabalham ao lado dos agentes de ressocialização do Centro de Detenção Provisória Masculina II (CDPM II), em Manaus. O labrador que possui habilidades especiais de faro atua na busca por drogas e materiais ilícitos. A unidade prisional contava com 10 cães: a inovação é a recém-chegada de Kimball. 

Para integrar a equipe de cachorros que auxiliam os agentes, os animais passam desde o nascimento por diversas situações. Segundo o major da Polícia Militar do Amazonas, Paulo Padilha, responsável pelo adestramento dos cães, os bichinhos são colocados em provas e precisam mostrar os próprios drives (impulsos): caça ou presa.

"Os cães são submetidos a testes desde o nascimento. Eles são colocados na prova dos drives, para verificarmos se são mais para caça ou presa. A partir disso, descobrimos qual brinquedo ele gosta e direcionamos a vontade dele de brincar com a busca do entorpecente, como é no caso do Kimball", explica Padilha.

Mesmo com o drive do animal sendo descoberto pelos testes, os trabalhos não param por aí. Kimball e os outros cães da unidade prisional treinam semanalmente. "Eles (animais) são expostos as mais diversas situações que podem acontecer em uma unidade prisional. O Kimball tem sido treinado desde filhote e se encontra em um nível de trabalho muito bom, podendo ser usado tranquilamente no faro. Essa é a nossa inovação, porque os outros são cães de guarda", afirma o major.

Com a confiança de todos, o labrador de 1 ano e meio atua dentro dos pavilhões, especialmente nos dias de visitas: sextas-feiras e sábados. A primeira vez que ele trabalhou no faro das substâncias foi no dia 2 de fevereiro. "O cão não tem contato com as visitas. O trabalho dele é com os objetos. A partir do momento que a visitar deixa objetos, passamos com o Kimball. Se tiver alguma sustância ilícita, ele encontra", acredita Padilha.

Treinamento

No dia entrevista, o major Padilha, da PMAM, fez uma demonstração de treinamento com Kimball. Ele pegou fracos com pequenas quantidades de entorpecentes, entre skunk e cocaína, e escondeu em um dos três cones que se encontravam no local. A bola do animal também foi escondida debaixo de um dos materiais.

Ao perceber que a sua bolinha tinha sido escondida, o animal se encaminhou até os três cones. De primeira, ele foi no cone que se encontrava a bola, mas se sentou ao sentir que tinha materiais ilícitos dentro do cone do meio.

"Algumas pessoas acreditam que o animal é viciado em drogas, mas estamos desmitificando isso. O cão é viciado no brinquedo dele e vai procurá-lo. Ao passar pelo local da droga, mesmo fechado, o cão sente o odor. O cachorro tem quase 250 milhões de células olfativas, enquanto o ser humano 5 milhões. Se o animal estiver interessado no brinquedo, ele vai procurar", destacou o major, que foi comandante do canil da PM por quatro anos.

Por se tratar de um animal, o trabalho de farejar os objetos se torna uma brincadeira. "O trabalho do cão é uma diversão. Em nenhum momento, ele é submetido a algo que não gosta. O prêmio dele é o brinquedo, para ele é muito prazeroso, procurar. Os animais ficam aqui no CDPM mesmo e existe uma equipe de agentes que é direcionada apenas ao cuidado deles", destaca o policial, acrescentando dos pontos fortes em se contar com ajuda de animais.

"Os animais tem uma velocidade imensa para encontrar os objetos. A segunda certeza é a que se tiver um entorpecente, ele encontra. O Kimball é o cão farrejador, mas os outros que temos aqui são guardas. Estes precisam ser mansos e sociáveis, mas quando encontram ameaças ficam totalmente agressivos. Temos aqui uns das raças holtville, pitbull e pastores belga e alemão", completou.

Outras unidades

Além do CDPM 2, o Complexo Penitenciário Anísio Jobim(Compaj) também conta com auxílio de cães. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) quer estender as atividades para outras unidades do Estado, como o Centro de Detenção Provisória Masculino I (CDPM I) e o Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat).

O diretor do CDPM 2, Lucas Maceda, explica que a implantação das atividades nas unidades estão encaminhadas. O trabalho com os cães é uma parceria da Seap, Embrasil Serviços - empresa responsável pela cogestão da unidade prisional - e a Amazonas Fauna e Flora.

"As atividades estão em procedimento de implantação, porque estão sendo finalizadas as questões contratuais. A previsão é que tão logo esses contratos sejam finalizados, os cães comecem a atuar em todas unidades prisionais em apoio e auxílio aos agentes, principalmente no procedimento de soltura e tranca de banho de sol, além das visitas", finalizou o diretor.

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