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"Lamento Rebecca não ter participado da campanha", afirma Vanessa Grazziotin

Segunda colocada na eleição de 2012, a senadora afirma que falta transparência à gestão do prefeito Artur Neto e aponta contradição no anúncio de cortes enquanto se reforma o gabinete do vice-prefeito 31/03/2013 às 16:02
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Senadora Vanessa Grazziotin assumiu, na terça-feira, o comando da Procuradoria Especial da Mulher no Senado
Rosiene Carvalho Manaus (AM)

Candidata oficial do grupo da base aliada do governador Omar Aziz (PSD) e do senador Eduardo Braga (PMDB) nas eleições de 2012, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) se prepara para se dedicar 100% à  vida parlamentar em 2013, sem tirar o olho de Manaus.

Cinco meses depois do pleito, a parlamentar revela que ainda lamenta a omissão da deputada Rebecca Garcia que, pelo silêncio, cooperou para dar força ao boato de que Vanessa teria tramado contra ela para ser candidata. E faz críticas à gestão Artur. A seguir trechos da entrevista.

Por que a senhora votou em Renan Calheiros para presidente do Senado?

A bancada toda daqui votou nele. Mesmo os partidos que formalmente não o apoiaram tiveram senadores que votaram nele. O parlamento e a democracia têm suas regras. A regra é o partido que tem a maior bancada indicar um candidato à presidência. O partido indicou o Renan. Quando não tem regras, tem anarquia. No parlamento é assim, se você descumpre uma regra. Logo depois você vai e descumpre outra regra.


Qual a sua avaliação desse início da gestão de Renan?

Ele está muito empenhado em retomar o respeito popular que ele perdeu, ele vai fazer um bom trabalho e muito além da expectativa. Foi promulgado o fim do 14º e 15º. Eu concordo, mas acho que o os parlamentares têm que ter condições de trabalho. Ele tem que ter. Se você pega salário de parlamentar e de membros do Judiciário está muito menor porque o parlamentar só tem reajuste a cada quatro anos. O Judiciário tem todo ano. Enfim, ele está tomando medidas que não são só medidas do ponto de vista ético. Mas medidas legislativas muito interessantes. Ele vai tirar da gaveta, porque nós já temos o novo Código do Processo Civil e Penal, e vamos em frente e vamos votar.

A senhora considera que ainda há possibilidade do senador Eduardo Braga  assumir algum ministério?

O senador foi reconduzido à liderança do Governo no Senado. Isso pode ser algo permanente ou provisório. O que eu tenho conhecimento é de que a reforma não será ampla. Vai ser para trazer ao governo o PR e o PSD. E sei que a presidente queria muito o senador Blairo (Maiggi, do PR- MT), que acabou de assumir a presidência da Comissão de Meio Ambiente e não tem disposição, mesmo porque, até onde eu sei, ele é candidato ao governo do Mato Grosso. Então é acomodar o PR e PSD.

O senador Braga chegou a ser sondado?


Não sei. Se foi não me falou nada.

A senhora acha possível promover reforma política um ano antes da eleição presidencial?

Acho que vamos enfrentar esse assunto este ano. Andei lendo que o PT vai começar coletar assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular. Vão trabalhar muito o financiamento público de campanha. Eu já vi que a OAB vai entrar nessa campanha. Nós estamos dentro. Tem que mudar. A eleição está cara. O partido não é valorizado. E acaba que o cara que tem mais visibilidade ganha porque tem programa de TV.

O processo que o MP move contra a senhora, das eleições 2010, entrou em fase de alegações finais. A senhora acompanha esse processo?

Claro que acompanho, mas com preocupação nenhuma. Primeiro, porque tudo começou com uma denúncia que a gente teria comprado votos com cartão. A partir daí, começaram a agregar outras denúncias como o Zona Franca Verde. Olha bem para mim. Que cargo eu tinha no Governo? Que poder eu tinha? Eu precisava distribuir implemento para ganhar a eleição no Senado? Eu estou muito tranqüila quanto a isso tudo. Para mim, seria muito bom que acabasse logo essa novela. Eu não ocupava cargo. Aí, usam o Eron, pobre coitado, não foi nem eleito. A denúncia é de um lugar que eu nem fui. Eu faço emenda para tudo. E eu lembro que na época me disseram que ia ter uma entrega de uma emenda minha, mas eu disse que não ia porque era durante a campanha. Eu nem conheço as pessoas. Nem as que agiam a meu favor e nem as contra mim.

Uma das questões da eleição de 2010  foi o distanciamento entre a senhora, a primeira-dama Neijmi e a deputada Rebecca Garcia. Essa relação melhorou?

Me dou bem com a Nejmi não tive nenhum problema. Mas, quanto à deputada Rebecca, o que eu lamento é que ela não fez parte da minha campanha. Não participou em nenhum momento e o que eu lamento muito foi o fato que se espalhou que eu teria trabalhado contra a candidatura dela. E ela sabe que não. Porque eu não era candidata à prefeita. Sou uma senadora que foi eleita há dois anos. Não estava nos meus planos, mas aceitei o desafio. Se você me perguntar se estou arrependida, digo que não. Tudo na vida é um aprendizado. Tenho certeza que não saio queimada perante o meu povo. Se o povo não quis me eleger. Não vou ficar inventando coisa. Pelo contrário, sofri muito nessa campanha. Sofri até o fato de, tendo sido agredida, me colocaram como se eu tivesse inventado a agressão. Saiu o laudo da Polícia Federal.
 
O prefeito Artur Neto tem que dar mais transparência aos detalhes da dívida da prefeitura, das mordomias que eram concedidas?
 
Sim. Às vezes eu fico até pensando no que fazer. A sociedade mira muito no parlamento. Mas se compararmos o nível de transparência do parlamento e de uma capital como Manaus, a gente não consegue acessar dado nenhum. E o povo merece saber.  A nova administração anunciou uma série de cortes de mordomias. Mas não se sabe onde. Quem é que recebia. Então, em meio ao anúncio de cortes de gastos desnecessários, o Diário Oficial do Município trouxe a publicação da reforma de um dos gabinetes do vice-prefeito no valor de R$ 230 mil. Ah, ele (Hissa Abraão) tem dois gabinetes? Que chique. Isso é muito chique. É uma contradição, por enquanto eu prefiro parar aí. Mas que é, é. Engraçado que a característica da nova administração é uma publicidade como nunca se viu. Isso é uma faca de dois gumes. Se você economiza aqui, mas gasta ali numa coisa que pode ser comparada como supérfluo. Porque quantas unidades básicas de saúde estão precisando de reforma? Para mim, é delicado porque tudo que eu disser vão falar que é porque não fui eleita.

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