Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
NO FIM DE SEMANA

Lanchas e jet skies atrapalham a vida de moradores da Zona Oeste de Manaus

Quem mora em sítios ou em flutuantes na região do rio Tarumã-Açu, não consegue sair de casa nos finais de semana devido ao tráfego intenso de embarcações conduzidos por ‘turistas’



11/06/2017 às 05:00

A beira-rio  do Tarumã-Açu é  um dos ‘points’ mais movimentados e procurados por turistas e amazonenses que gostam da natureza e buscam um refúgio para se divertir. O motivo  são os flutuantes que reúnem, em um único espaço, bares, restaurantes e até hotéis. A “explosão” de estabelecimentos desse segmento, no entanto, transformou  ribeirinhos em  reféns dentro das  próprias casas por temerem  acidentes com  jetskis e lanchas.

A dona de casa Francineide de Jesus Silva, 58, que vive em uma casa flutuante na região  há mais de 34 anos, lembra saudosa dos tempos em que pegava a canoa da família para pescar e passear pelo rio. O que, segundo ela, há dois anos é praticamente impossível nos fins de semana em virtude do aumento no fluxo de jetskis e lanchas, que trafegam em alta velocidade. “É uma bagunça, elas passam chutadas, não respeitam a gente, fica muito perigoso, não pode nem sair de casa porque tem risco de acidente”, contou.



Segundo a dona de casa,  o número de flutuantes comerciais aumentou e ainda irá aumentar. Essa “explosão” no Tarumã tem incomodado moradores mais antigos e mais humildes da região. “A gente não tem sossego, fica com medo de alguma desgraça acontecer e não pode nem ir lá falar nada porque eles não respeitam, porque eles são ricos, sabe! Tem vizinho que não aguentou mais viver com medo e foi embora. A gente mora quase a vida toda aqui, não é a gente que tem que ir embora”, ponderou Francineide.

Há mais de 15 anos morando na bacia do do Tarumã-Açu, a dona de casa Marleide Avelino, 54, também sofre com o tráfego intenso de embarcações na região. Ela contou que evita até sair durante o fim de semana para pescar e trazer o alimento para os netos. “Não saio porque tenho medo, é cada banzeiro alto por causa dos barcos. Não sei se eles andam na ‘alta’ porque gostam ou se estão bêbados. O melhor é evitar sair para não correr o risco de acidentes, como a aconteceu por aqui”, disse.

O flutuante de Marleide fica bem próximo aos movimentados flutuantes. Ela contou que pensou em mudar de local há cerca de dois anos quando o movimento aumentou, mas tem medo de não se adaptar em outra margem do rio. “Fico com medo, mas tenho mais medo de sair daqui, eu já estava aqui quando tudo isso começou”.

O marítimo Nilton Silva Barbosa, 48, mora há 17 anos no Tarumã-Açu e também afirmou que convive com o medo. Nos fins de semana, além do risco de acidentes  nas águas, Nilton também disse que é quase impossível dormir a noite por conta da algazarra nos flutuantes. “É muita bagunça, não há nenhum respeito. Mas a gente fica calado porque quem freqüenta esses lugares são pessoas da alta”, disse.

Marinha exige certificação
O Comando do 9º Distrito Naval informou que a certificação para a construção de qualquer estrutura sob, sobre e às margens de águas de jurisdição brasileira depende de parecer favorável da autoridade marítima  da região. O proprietário deve ir até a Marinha para dar entrada e saber quais documentos serão necessários para receber esse parecer favorável à construção.

O Comando informou ainda que, após os proprietários darem entrada nesse requerimento, a Marinha faz uma vistoria na obra.

Ipaam notifica proprietários
Segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), os flutuantes comerciais do Tarumã não possuem nenhum tipo de licenciamento. O órgão informou que no ano passado uma fiscalização foi realizada e  identificou que nenhum possuía licenciamento e todos estão sendo notificados pelo instituto desde a ação para se regularizarem para que possam atuar dentro das exigências previstas no licenciamento ambiental

Contudo, apesar das notificações, o Ipaam informou que não recebeu pedido de 2015 a 2017 de representantes legais dos flutuantes localizados na bacia do Tarumã para obter licenciamento.

O instituto informou, por meio de nota, no prazo de 60 dias realizará uma ação para fazer um levantamento de todos os flutuantes que desenvolvem atividades comerciais. Segundo o Ipaam, a iniciativa tem o intuito de gerar o diagnóstico detalhado de cada caso, identificando o responsável pelo empreendimento, localização na orla, atividade desenvolvida (bar, restaurantes, hotel e etc), lançamento de efluentes no rio, coleta e destinação de resíduos (lixo) e situação legal de licenciamento.

Quanto ao licenciamento ambiental de estruturas flutuantes com objetivos comerciais e hoteleiros, informou que a Lei n. 3.785, de 24 de julho de 2012, a qual dispõe sobre o licenciamento ambiental no Estado do Amazonas, enquadrou as atividades de Hotel Flutuante e Restaurante Flutuante como passíveis de licenciamento ambiental.


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