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Manaus
COMBATE À AIDS

Largo recebe 'abraço coletivo' para chamar atenção de mortes causadas pela Aids

Amazonas ocupa o 1º lugar em número de mortes por Aids no Brasil, com 15.149 casos desde 1986 29/11/2017 às 20:36 - Atualizado em 30/11/2017 às 09:19
Show largo
Abraço vai acontecer em volta do monumento no Largo São Sebastião (Foto: Arquivo/AC)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O Largo São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus, vai se tornar palco de um gigantesco abraço, nesta sexta-feira (1º) como parte da programação do Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Uma série de atividades serão realizadas de 15h às 20h, visando conscientizar e chamar a atenção da população para o tema, que é preocupante no Estado: o Amazonas ocupa o 1º lugar em número de mortes por Aids no Brasil, segundo o Fórum de Organização da Sociedade Civil em IST/HIV/AIds/Hepatites Virais e Tuberculose.

Desde 1986 e até agosto deste ano o Amazonas já registrou 15.149 casos de Aids, segundo números do Departamento Vigilância, Prevenção e Controle da IST/Aids e Hepatite Virais.

Destes dados epidemiológicos, Manaus concentra 12.179 casos (80,39%), Parintins 265 (1,74%), Tabatinga 248 (1,63%), Itacoatiara 157 (1,04%) e Tefé 155 (1,02%).

Considerando o número de casos novos de HIV/Aids em adolescentes e adultos (de 13 anos ou mais), em 2016 foram notificados, só em Manaus, 1.742 casos de HIV/Aids, 1,1% a mais que em 2015, com aumento de 3,1% no número de casos em adolescentes de 13 a 19 anos (132 casos, contra 128 casos do ano de 2015).

Um indicador positivo: Manaus registra, desde 2014, uma queda no número de notificações de casos de Aids em crianças menores de 5 anos, ou seja, que foram contaminadas pela mãe durante a gravidez, a chamada transmissão vertical. Naquele ano foram registrados 21 casos. No ano seguinte, esse número caiu para 11. Em 2016 foram seis casos e, este ano, até este mês, quatro casos.

“O abraço será dado ao redor do monumento (de abertura dos portos às nações amigas), todas as pessoas farão um laço vermelho simbolizando a solidariedade e as pessoas estarão vestidas de preto porque o Amazonas está no 1º lugar em número de óbitos por Aids no Brasil, em dados que serão divulgados neste dia 1º de dezembro. Participei de uma reunião em Brasília e isso foi mostrado pelo Departamento Nacional de HIV Aids, que está muito preocupado com os casos de mortes por Aids no Estado”, comentou a professora Evalcilene Santos, coordenadora do Fórum, que organiza o evento.

“O Estado diminuiu o número de infecções de mães para filhos, mas aumentou os casos de óbitos e número de jovens infectados. Os números são muito altos, são 15 mil pessoas com HIV no Amazonas e pessoas estão morrendo”, alertou a integrante do Fórum.

De acordo com ela, a expectativa é levar informações para a sociedade. No decorrer do ano, o fórum promoveu ações voltadas às “populações-chave”, como os LGBTs, pessoas em situação de rua e ribeirinhos. “Mas muitas das vezes deixamos de levar essa informação para a sociedade como um todo. E neste 1º de dezembro estamos focados na sociedade como um todo, à dona de casa, a quem trabalha o dia todo, quem não tem tempo de ir na unidade básica, a pessoas que não têm formação e às vezes não sabem o que é preservativo feminino, que nunca viram pessoas com HIV/Aids”, disse.

Coquetel

Muita gente não sabe, mas existe um conjunto de medicamentos (coquetel) chamado Profilaxia Pós-Exposição (PEP) que, se ingerido até 72 após a exposição ao vírus HIV (relação sexual, por exemplo) impede que ele atinja a célula de defesa (janela imunológica) e se instale no organismo. Sem acesso à célula, o vírus morre.

Em Manaus, o medicamento é encontrado na Fundação de Medicina Tropical (FMT), na Zona Centro-Oeste, e deve ser tomado durante 28 dias ininterruptos.

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