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Manaus
INVESTIGAÇÃO

Laudo aponta que incêndio na invasão Buritizal Verde pode não ter sido criminoso

Diretor de departamento afirma que diversos fatores podem ter dado início às chamas de forma acidental 01/08/2017 às 18:23 - Atualizado em 01/08/2017 às 18:27
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Desespero tomou conta de quem morava no local (Foto: Jander Robson)
Tiago Melo Manaus (AM)

O Departamento de Polícia Técnico-Científica do Amazonas (DPTC-AM) divulgou, na tarde desta terça-feira (01°), trechos do laudo pericial ambiental sobre o incêndio nos barracos da invasão Buritizal Verde que apontam que o incidente, ocorrido no dia 30 de maio deste ano, pode não ter sido intencional.

O documento, contudo, não descarta a possibilidade de um incêndio criminoso em represália à morte do policial militar Paulo Sérgio Portilho, que foi encontrado morto e enterrado na invasão no dia 30 de maio.

“A constatação dos peritos não nos permite dizer se foi um incêndio criminoso ou não. Mas também não se pode falar em combustão espontânea. O fato é que, por conta de toda a situação do lugar, o incêndio pode ter sido acidental”, afirmou o Jefferson Mendes, diretor do DPTC-AM.

Ele informou que o local do incêndio contava com inúmeras ligações elétricas clandestinas, várias substâncias inflamáveis que eram utilizadas em equipamentos como motosserras e roçadeiras, além dos próprios barracos feitos de materiais de fácil combustão, como papelão, madeira e lona.

“Os peritos não conseguiram determinar a causa do incêndio. O local não estava preservado, muita gente já tinha mexido lá antes da perícia chegar”, disse o diretor do departamento. Jefferson destacou ainda que, conforme o laudo, ao todo 15 barracos foram atingidos durante o sinistro.

A partir de agora, conforme o diretor, com o laudo em mãos, o delegado responsável pelo caso, Fernando Bezerra, titular da 2ª Seccional Norte, poderá dar o direcionamento das investigações.

“Em campo, este documento é definitivo, porém, se o delegado avaliar e entender que é necessário uma nova análise no local, o faremos”, concluiu Jefferson, ressaltando que, por conta da grandeza do caso, para a perícia foi designada uma equipe multidisciplinar formada por engenheiros florestais, elétricos, entre outros especialistas.

Entenda o caso

Vários casebres de madeira pegaram fogo no dia 30 de maio, na invasão chamada Buritizal Verde, no bairro Nova Cidade, na Zona Norte de Manaus, no mesmo local onde, horas antes, foi encontrado o corpo do policial militar Paulo Sergio Portilho, 34.  

Moradores acusaram os policiais de terem ateado fogo nas casas como uma represália pela morte do policial, que estava desaparecido desde o dia 26 do mesmo mês e foi encontrado enterrado no local.

As chamas iniciaram pouco antes das 18h, mas o Corpo de Bombeiros só chegou ao local às 18h30. Uma moradora do local disse que os policiais mandaram todos saírem da invasão e minutos depois ocorreu o incêndio.

Mesmo tendo conhecimento do ocorrido, a corporação informou que só poderia ir ao local após um acionamento oficial via 193. Apenas uma viatura da corporação estava atendendo a ocorrência, mesmo sendo considerado um incêndio de grandes proporções.

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