Sábado, 07 de Dezembro de 2019
LISTA DE FACHIN

Vereadores não comentam sobre polêmica lista de investigados na Lava Jato

Discursos de deputados repercutiram decisão do ministro Edson Fachin, enquanto vereadores foram a tribuna falar do Uber



zDIA031302_p02.jpg Maioria na CMM, base de apoio ao prefeito Artur Neto, um dos citados nas delações da Odebrecht, não se manifestou na tribuna
13/04/2017 às 09:05

Enquanto na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) deputados utilizaram, ontem, a tribuna para se manifestar sobre a lista de políticos do Amazonas (três senadores, o prefeito de Manaus e um ex-deputado estadual) que serão investigados no âmbito da operação Lava Jato, na Câmara Municipal de Manaus (CMM) os 41 vereadores silenciaram sobre o assunto no plenário da Casa. 

As reações diferentes nas duas casas legislativas ocorreu um dia após a divulgação da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, de autorizar a abertura de inquérito contra ministros e políticos, incluindo os senadores  Eduardo Braga (PMDB), Vanessa Grazziotin (PCdoB) e Omar Aziz (PSD), além do deputado federal Alfredo Nascimento (PR) e do ex-deputado estadual Eron Bezerra (PCdoB). 



O presidente da ALE-AM, David Almeida (PSD), defendeu o senador Omar Aziz (PSD) durante seu discurso no plenário, ressaltando que o fato de ter sido citado não significa culpa, além de a delação ser recurso para quem está preso e quer se livrar da penalidade. “Para quem está morrendo afogado, jacaré é tronco”, foi o ditado que o presidente usou para ilustrar a lista elencada. “No momento em que nós estamos atravessando o simples fato de você ser citado, já causa entre todos, não a presunção da inocência, mas a convicção da culpa. E eu saio sim, em defesa do senador Omar Aziz”, enfatizou.

Para o deputado estadual Luiz Castro (REDE), o Brasil necessita de uma reforma política e a lista prova isso. “Nós observamos que o sistema todo está contaminado, a Lava-Jato está mostrando isso para o País e está colocando em crédito todos os grandes partidos, dos grandes líderes”, comentou.

Sem assunto
Na tribuna, os vereadores, ontem, deixaram a lista de Janot de lado para comentar a implantação do Uber em Manaus.

Quando questionado sobre a lista, o líder do prefeito Artur Neto, na casa, Marcel Alexandre (PMDB) afirmou que o inquérito afeta o Amazonas, uma vez que seus representantes máximos estão citados.  “É um lado que preocupa, porque é o Estado e são pessoas que depositamos a fé pública. Eu acredito pelo fato de ser investigado, não quer dizer que não são merecedores ainda do crédito que a população deu quando votou neles. Se tiver responsabilidade, vai ser punido”, afirmou.

Sobre a citação do prefeito Artur Neto, acusado de receber R$ 300 mil em propina na campanha para o Senado Federal, em 2010. “Ele deve passar pelo processo normal, que é a investigação. Acredito que a situação dele é menos preocupante”, disse. 

Blog - Sabá Reis (PR)  Líder do governo na Assembleia Legislativa

“O Alfredo Nascimento (PR) nunca recebeu nenhum tipo de ajuda indevida,    nunca teve relação nenhuma com eles. Portanto, igual como teve da vez passada que o Alfredo foi inocentado, agora a justiça vai inocentá-lo de novo. O prejuízo político, moral, de sofrimento, ninguém vai dar isso de volta. Entre a palavra de um dedo duro e o senador Omar, eu fico com o Omar. Entre um dedo duro e o Eduardo Braga (PMDB), eu fico com o Eduardo. Entre um dedo duro e a Vanessa, eu fico com a Vanessa. Portanto, eles estão sendo investigados e não é condenado. Só que a população de um modo geral já os condenou exatamente por conta desse turbilhão que é o que causa essas operações da Lava-Jato”.

Saiba mais - Defesa
Ontem, o líder do PR na CMM, Cláudio Proença  defendeu a investigação  minuciosa dos fatos ao ser questionado pela reportagem. O partido teve o deputado federal, Alfredo Nascimento, citado nas delações. “A abertura de um inquérito não quer dizer que seja uma condenação. É apuração de fatos relatados por alguém. Cabe a investigação detalhada e provar o culpado. Quem acusa cabe o ônus da prova, como cabe o amplo direito de defesa de todos. No decorrer das investigações, os culpados serão responsabilizados”, afirmou.

Personagem - Vereador pelo PMN, Chico Preto
“Momento complicado”
Diante da divulgação dos nomes que serão investigados por conta das delações de ex-executivos da Odebrecht, o vereador Chico Preto (PMN) defendeu a necessidade dos políticos que compõem a bancada federal do Amazonas e do prefeito Artur Neto de prestarem  esclarecimento à população.

“O inquérito é uma investigação. Eles não são réus, mas passam a ser investigados, o que é algo muito sério. Eu espero, como cidadão amazonense, que nossos representantes tenham a máxima preocupação com esse assunto e façam as devidas explicações”, afirmou Chico Preto. 

Ressaltou o fato de parte da bancada no Congresso estar envolvido no maior escândalo de corrupção do País. “Não quero fazer pré-julgamentos sobre isso, mas é um momento muito complicado para a política amazonense”, disse.

Voz da Web 

“Simplesmente a realidade de nosso país é essa. A corrupção começa da base. Infelizmente é assim, para mudar só trocando todos e principalmente o nosso sistema político. Nosso estado não foge desse problema”
Josimar Pereira

“Só foram citados. Pode ter certeza que esse quinteto fantástico não vão ser punido pela nossa justiça (injusta), mas podemos fazer a justiça em 2018. Só depende de nós. Isso se os amazonenses não amarelarem”
Marcelino Franco

“Ate que enfim! A faxina ética nessa classe vergonhosa chega ao Amazonas... Que Deus ilumine os investigadores a fim de que, se provada a culpa destes, sejam todos eles presos e punidos na forma da lei! ”
Gilson Silva

“Isso é uma vergonha para o povo manuara. São esses que querem representar o povo. O povo brasileiro tem que tomar vergonha na cara e escolher melhor os seus representantes”
Waldemir Santos

“Novidade apenas a nível nacional, porque do curral de Adail, passando pela cozinha de Omar Aziz até a sala do excelentíssimo Eduardo Braga todo amazonense sabe que essa lama é podre demais”. 
Flavia Silva

Voz nas ruas

Parlamentares do Amazonas que serão investigados no âmbito da operação Lava Jato
 

Artur Neto -Prefeito de Manaus pelo PSDB

O prefeito Artur Neto  teria recebido  R$ 300 mil do departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht.  A informação está em petição do relator da Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, que enviou o caso para o Tribunal Regional Federal da (TRF) 1ª Região, a quem cabe autorizar a investigação contra o prefeito. Em nota, Artur rebateu a denúncia. E ressaltou que em toda sua carreira política não há  qualquer coisa que possa ligá-lo a interesses empresariais.  
 

Alfredo Nascimento - Deputado federal pelo PR

Será investigado por corrupção  e lavagem de dinheiro. Foi citado por quatro ex-executivos da Odebrecht. Um deles,  José de Carvalho Filho relatou  ter participado de reunião com o então ministro dos Transportes  na qual  teria sido solicitada ajuda financeira  para a campanha de Alfredo no valor de R$ 200 mil por cada empresa presente no encontro. O repasse  teria sido feito em  2006 por meio de caixa 2. Em nota, Alfredo  disse que nunca teve relação com executivos e empresas. E que não fez nada de errrado. 

Eduardo Braga - Senador pelo PMDB

Será investigado com o senador Omar Aziz  por advocacia administrativa, corrupção e lavagem de dinheiro. O delator  Arnaldo de Souza e Silva revelou um  ajuste entre o Grupo Odebrecht e o então governador  Eduardo Braga para que fossem feitos pagamentos em seu favor relativos à obra da Ponte do Rio Negro. Foi apresentada uma planilha  com  repasse de R$ 1 milhão. Em nota  Eduardo Braga disse que desconhece o conteúdo das informações que levaram a PGR a pedir abertura de inquérito. 

Eron Bezerra - Ex-deputado estadual pelo PCdoB

Vai ser investigado por falsidade ideológica eleitoral com a mulher, a senadora Vanessa Grazziotin  em razão das declarações prestadas pelo delator Fernando Luiz Ayres  Reis, de que teria participado de reunião para repasse  financeiro pelo Grupo Odebrecht à parlamentar a titulo de doação para a campanha eleitoral de 2012,  sem registro oficial, quando disputou a Prefeitura de Manaus. Em nota, Eron  disse que a inclusão do nome dele na lista de Fachin não passa de ilação.

Omar Aziz - Senador pelo PSD e ex-governador

Será investigado por advocacia administrativa, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo o delator Arnaldo e Silva, após a eleição de Braga ao  Senado, os pedidos de  propina pela construção da ponte Rio Negro passaram a ser feitos por José Lopes, empresário supostamente ligado ao então  governador Omar Aziz. Os pagamentos visavam favorecer o consórcio Camargo Corrêa/Construbase. Em nota, Omar afirmou que nunca teve relação com a Odebrecht e que a empresa não tinha contratos com o governo dele. 

Vanessa Grazziotin - Senadora pelo PCdoB

A PGR vai investigá-la por falsidade ideológica eleitoral. De acordo com a delação de Fernando Ayres  Reis, a senadora  teria recebido  repasses financeiros efetuados pelo setor de operação estruturada da   Odebrecht para sua campanha eleitoral de 2012,  quando disputou a Prefeitura de Manaus, “sem o devido registro oficial”. Em nota, a parlamentar disse que tem consciência de que não cometeu qualquer tipo de ilegalidade. Disse que confia que isso será provado com a investigação.


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