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Leite doado pela prefeitura de Manaus é vendido na Zona Leste da cidade

Um funcionário do comércio afirma que sabe que a venda do leite é ilegal, mas descreve que atitude é apenas para beneficiar os moradores que não consomem o produto e trocam pela lata de leite Ninho 13/03/2013 às 14:10
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Vender, trocar ou comercializar produtos com venda proibida é crime de receptação e o comerciante pode responder criminalmente pelo ato
Bruna Souza Manaus, AM

O leite que deveria ser direcionado para a nutrição de crianças pertencentes a famílias de baixa renda da cidade de Manaus – beneficiadas pelo programa ‘Leite do Meu Filho’ –, é posto a venda em prateleiras de mercadinho da Zona Leste da cidade.

O Mercadinho Super Ceará, localizado entre as ruas I e Perimetral, no bairro Armando Mendes, vende ilegalmente os produtos doados pela gestão municipal. A informação partiu de uma denuncia anônima feita à redação de A Crítica.

A equipe de reportagem do portal acrítica.com foi até o local e constatou a veracidade da denúncia na manhã desta quarta-feira (13).

Aproximadamente cinco latas do leite Nestogeno 2, para crianças a partir dos seis meses de vida, estavam sendo comercializadas no mercadinho pelo valor de R$14,50, com preço 50% inferior ao valor oferecido em redes de farmácias da cidade. O slogan da Prefeitura Municipal de Manaus (PMM) e a marca de venda proibida mostram a irregularidade da venda dos produtos provenientes do dinheiro público.

Crime 

De acordo com a subsecretária da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Ludélia de Sá Freire, a venda, a troca ou a comercialização de quaisquer produtos originários de benefícios do serviço público é crime e alerta para a proibição na receptação dos leites.

“Vender, trocar ou comercializar produtos com venda proibida é crime de receptação e o comerciante pode responder pelo ato. A gestão municipal tem se preocupado em beneficiar realmente quem precisa do leite para alimentação e nutrição das crianças e por isso estamos realizando o recadastramento’’, afirmou.


Um funcionário do mercadinho, ao ser questionado sobre a venda ilegal, afirmou que o dono só quer “ajudar os moradores da área que não utilizam o leite”, justificando que as crianças não consomem o Nestogeno, trocando por latas de leite da marca Ninho.

“O mercadinho não compra os leites e nem somos cadastrados para receber. Apenas queremos ajudar as famílias que não consomem um tipo de leite e trocamos pelo Ninho”, justificou.

Ele afirma ainda, que sabe que a venda é ilegal, mas descreve que atitude é apenas para beneficiar os moradores e por isso comercializa com a lata do leite com o valor inferior ao de mercado.

Ludélia Freire afirmou ainda que o Programa ‘Leite do Meu Filho’ doa os leite Nestogeno 1, Nestogeno 2 e o Ninho 1 e o Ninho 2, sendo improvável a troca do leite por outra marca.

“Deve se tratar de comercialização mesmo, pois o programa atende com uma variedade de marcas de leite. A família da criança que não estiver se adaptando a determinado leite pode procurar o posto de saúde e relatar a situação à equipe da Semsa. Os assistentes sociais vão analisar a situação e realizar a troca de acordo com a necessidade”, declarou a subsecretária.

Recadastramento

O recadastramento de 76 mil crianças que são beneficiadas pelo programa, com quatro latas de leite mensalmente, tem por objetivo verificar a situação financeira das famílias e a real necessidade do benefício como o déficit nutricional e vulnerabilidade social. Desde o dia 1 de Março, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todas as zonas da cidade estão preparadas para realizar a atualização de cadastro das crianças.

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