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Leite é injetado em sonda de bebê em hospital de Manaus

Família acusa técnica de enfermagem pelo erro e  atribui piora no quadro de saúde de bebê a erro em procedimento. Hospital nega e diz que não havia previsão de alta 10/09/2013 às 07:24
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Isaac luta pela vida há quatro meses, tendo superado duas paradas cardíacas, pneumonia e complicações menores
FLORÊNCIO MESQUITA Manaus

Uma técnica de enfermagem do Instituto da Criança do Amazonas (Icam), na Zona Sul, é acusada pelo pai de um bebê de quatro meses, Isaac, de injetar leite no tubo da sonda de gastrostomia, onde deveria ser injetado apenas soro, piorando o quadro do paciente. O caso ocorreu na madrugada da última quinta-feira, na enfermaria 3 da unidade, onde a criança está internada desde o dia 25 de julho.

O nome da profissional, que foi afastada da função, não foi divulgado. A direção do Icam nega que o erro de procedimento tenha relação com a piora do quadro do bebê .

Segundo o pai do paciente, Roberto Fernandes 47, seu filho estava prestes a receber alta médica, mas teve o caso novamente agravado pelo erro. Atualmente o bebê está com infecção, em estado grave, porém estável. A injeção de leite causou, conforme o pai, o rompimento da bexiga de Isaac. Ele estava com dois acessos na sonda, sendo um para receber medicação (soro) e outro exclusivo para alimentação. A sonda para gastrostomia com balão é usada em pacientes impossibilitados de ingerir medicamentos ou alimentos por via oral.

Roberto explicou que a técnica em enfermagem se enganou e aplicou leite no tubo usado para o soro. No tubo usado para injetar soro na bexiga poderiam ser aplicados apenas 3 ml do liquido, enquanto que no outro usado para a alimentação eram aplicados 34 ml de leite. Entretanto, os 34 ml de leite foram aplicados de uma única vez onde só comportava 3 ml de soro. O procedimento rompeu a bexiga da criança, conforme Roberto afirma com fotografias.

No caso de Isaac, o soro era aplicado como preparação para encher a bexiga e impedir que o alimento saísse quando fosse injetado.

Roberto disse que procurou a direção do instituto, mas como se tratava do feriado Elevação do Amazonas a Categoria de Província (5), só conseguiu reportar o fato posteriormente. Ele decidiu procurar a imprensa para que a Secretaria de Saúde (Susam) tome conhecimento do erro e aplique as sanções necessárias

Sobrevivente
Isaac nasceu no dia 25 de maio deste ano, na sala de espera da maternidade Balbina Mestrinho, Zona Centro-Sul, porque não havia leito. Teve duas paradas cardíacas, pneumonia, além de outras complicações de saúde por conta da demora de atendimento na maternidade, segundo a família. Ficou a maior parte da vida na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e deixou de respirar por aparelhos recentemente. Nunca deixou os leitos médicos.

Instituto diz que erro não causou dano à saúde
A profissional de enfermagem que realizou o procedimento em Isaac foi advertida e afastada pela direção do Icam, que reconheceu o erro. A direção da unidade do instituto, Christianny Sena, informou que ao iniciar a instalação de dieta na sonda, no último dia 5, a técnica de enfermagem que realizou o procedimento cometeu uma falha que levou ao rompimento do balão, que segunda ela serve para fixar a sonda à parte externa do abdômen da criança.

Segundo ela, não houve rompimento do canal de alimentação no estômago da criança e o erro não causou dano à saúde do paciente. A diretora esclareceu que o líquido injetado foi expelido, uma vez que, o balão está posicionado externamente. Ainda segundo Christianny Sena, o paciente não tinha qualquer previsão de alta hospitalar, já estava um estado grave, porém estável, devido a infecção pré-existente, que não tem relação com a aplicação do leite. Contudo, pelo “erro de procedimento”, a profissional foi afastada.

Erros ocorrem em Manaus e no País
Leite: Em novembro de 2012, uma enfermeira aplicou medicamento errado em uma criança de quatro meses, na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), do Pronto-Socorro da Criança (Codajás), na Zona Sul. A enfermeira foi afastada da função. A medição prescrita deveria ter sido administrada via oral, mas foi aplicada na veia.

Remédio: Em outubro de 2012, a aposentada Palmerina Pires Ribeiro de 80 anos, morreu depois de receber na veia café com leite, no Posto de Atendimento Médico (PAM), do município de São João de Meriti, no Rio de Janeiro. O material foi aplicado por engano por uma estagiária de técnica de enfermagem.

Sopa: Em setembro de 2012, a aposentada Ilda Vitor Maciel, de 88 anos, morreu depois de receber, sopa na veia, no braço direito, em vez de medicação. O caso ocorreu na Santa Casa de Misericórdia, de Barra Mansa, no Rio de Janeiro.

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