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Ligação irregular de energia: moradores querem sair da ilegalidade, mas não conseguem

No Vale do Sinai, a população até quer a regularização do fornecimento de energia para acabar com os "gatos", mas esbarra na burocracia 20/03/2015 às 09:22
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As ligações clandestinas, os famosos 'gatos', além de provocarem instabilidade na rede, podem provocar prejuízos aos consumidores
Luana Carvalho Manaus (AM)

Há quase 20 anos vivendo à base de ligações clandestinas, moradores das ruas 26 e 28 do bairro Vale do Sinai, na Zona Norte, decidiram sair da ilegalidade e pedir a regularização do fornecimento de energia elétrica de suas casas, mas esbarram na burocracia. A energia é furtada por meio de um emaranhado de fios amarrados a pequenos pedaços de madeira, sobrecarregando a rede e elevando o valor  da conta de luz dos vizinhos.  

“Temos consciência que outros moradores ficam prejudicados, e que acabam pagando duas vezes: por eles e por nós. Mas a rua é cheia de ‘gatos’ porque não temos ligação de energia e nem postes. O que a gente mais pede é que a concessionária regularize nossa situação, pois queremos pagar pelo que consumimos. Até hoje nosso pedido não foi atendido”, lamentou a dona de casa Glauciete Sobrinho, 40, moradora da rua 26 há nove anos.

A energia consumida por aproximadamente 100 residências é furtada da rua 16.  “Os vizinhos ficam chateados, mas entendem a nossa situação. Prejudicamos quem paga e não aguentamos mais viver nessa irregularidade. As ruas existem há mais de 20 anos e até hoje vivemos sem energia”, completou.

Um dos principais motivos pelo qual moradores querem a regularização são as constantes quedas de energia. O músico Fredson Vander, 32, já contabilizou mais de R$ 5 mil em prejuízo na compra de geladeiras. “Vivemos no ‘gato’ e na vela. Foram três geladeiras que queimaram em menos de cinco anos. Queremos uma solução para este problema”, clamou.

Perda de R$ 400 milhões

Além de pôr em risco a vida dos consumidores, o furto de energia elétrica afeta os consumidores  que pagam pelo serviço. Na capital, a perda de energia equivale a 38% de tudo que é gerado, sendo um dos maiores índices de perda do País. Na prática, as ligações clandestinas totalizam um prejuízo de quase 400 milhões de reais ao ano, de acordo com informações da Eletrobras Amazonas Energia.

As ruas 26 e 28 do bairro Vale do Sinai, na Zona Norte, contribuem para os dados negativos. No entanto, os postes para geração de energia estão instalados, mas os fios não existem.  De acordo com a Prefeitura de Manaus, a implantação de postes para fornecimento de energia elétrica  é de competência da Eletrobras Amazonas Energia.

Os moradores alegam que já fizeram a solicitação do serviço várias vezes, mas não foram atendidos. O motorista Luiz Neto da Silva, 42, reside  em uma rua onde o fornecimento é regular, mas é um dos consumidores prejudicados com as quedas de energia. “Nós sabemos que os moradores destas ruas já solicitaram o serviço. Eles querem pagar pelo consumo, mas a rede elétrica não chega até eles. Se os órgãos competentes solucionassem esse problema, facilitaria muito para toda a comunidade”.

A Eletrobras Amazonas Energia informou que irá checar a denúncia e se posicionar após a verificação.

Armando Mendes

As ligações clandestinas são comuns em outros pontos da cidade. Na Travessa Israel Bastos, no bairro Armando Mendes,  Zona Leste, o ‘gatos’ colocam em risco quem precisa ter acesso à  Comunidade da Sharp. Instalados em pedaços de madeira, os fios chegam a encostar na cabeça dos pedestres. Mesmo sem ligação regular, muitos moradores possuem até antenas de TV fechada.

“Gato na água”

O mesmo problema acontece no abastecimento de água. A dona de casa Deuzimar da Costa Barreto, 42, relatou como faz para conseguir o recurso. “Pegamos a água das ruas onde tem abastecimento regular. O cano dos vizinhos é furado e então colocamos outro cano para a água poder chegar até nossas casas. Essa é a única maneira”.

'Gatos' de água suspensos na Zona Norte de Manaus

Segundo ela, mesmo sem os serviços básicos, o Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) chega todos os anos. “Meu IPTU veio R$ 86, mas não vou pagar porque não tenho acesso nem a energia elétrica. Na Prefeitura consta que nossas ruas têm postes, asfalto, e tudo que temos direito. Mas na realidade não é assim”, complementou Deuzimar. 

A Manaus Ambiental informou que irá atender as ruas do bairro Vale do Sinai. Ainda hoje (20), será realizada uma vistoria na área para verificar a viabilidade técnica e comercial, de acordo com a concessionária.
 

Furto de água e energia vira caso de polícia

Foi inaugurada no ano passado a  Delegacia Especializada em Combate ao Furto  de Energia, Água, Gás e Serviços de Telecomunicações (DECFS) com uma parceria com as a parceria com as concessionárias e empresas de serviços de telecomunicações.

Em nota, a Manaus Ambiental informou que irá atender as ruas 26 e 28, do bairro Vale do Sinai e que ainda nesta sexta-feira (20) será realizada uma vistoria na área para verificar a viabilidade técnica e comercial.

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