Publicidade
Manaus
Furto de energia

Ligações clandestinas de luz estão cada vez mais evidentes nos terminais de ônibus

Sem poder utilizar a energia do local, os vendedores ambulantes puxam a energia diretamente da rede elétrica da Eletrobras Amazonas Distribuição deixando um emaranhado de fios e irregularidades que geram risco de acidentes 31/05/2017 às 05:00
Show t5
No T5, vendedores ambulantes puxam energia do poste por meio de fios com ganchinhos e deixa nos gradis e ferros da estrutura do terminal (Fotos: Winnetou Almeida)
Silane Souza Manaus (AM)

As ligações clandestinas de luz estão cada vez mais evidentes nos terminais de integração de ônibus de Manaus. Sem poder utilizar a energia do local, os vendedores ambulantes puxam a energia diretamente da rede elétrica da Eletrobras Amazonas Distribuição deixando um emaranhado de fios e irregularidades que geram risco de acidentes.

No T5, bairro São José Operário, na Zona Leste, a situação é mais crítica. Os conhecidos “gatos” podem ser vistos de longe. E o furto de energia é feito não só pelos vendedores que ficam dentro do terminal, mas também pelos que ficam do lado de fora, que puxam do poste por meio de fios com ganchinhos e deixa nos gradis e ferros da estrutura do T5.

O vendedor ambulante Raimundo Nonato, 42, afirmou que desde a reinauguração do terminal 5, em dezembro de 2013, os vendedores tentam se regularizar junto a concessionária de energia elétrica, mas não conseguem. “Fizemos cadastro, entregamos documentos, participamos de reuniões, mas até hoje não tivemos nenhuma resposta”, relatou.

Conforme ele, a Prefeitura de Manaus tinha que construir uma mureta numa das entradas do T5 para que a energia fosse distribuída através dela para os vendedores ambulantes. Porém, isso não aconteceu. “Como não fizeram a mureta o pessoal da Eletrobras não veio e nós só temos energia se puxar dos postes porque não podemos utilizar do terminal”, destacou.

No terminal 4, bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, a situação não é diferente. Apenas os fios estão menos expostos. De acordo com a vendedora ambulante Ivonete Pereira, 35, eles também fizeram cadastro e entregaram a documentação para a concessionária de energia, mas até o presente momento não receberam nenhum retorno da Eletrobras e prefeitura.  

Para ela, seria melhor pagar uma taxa pelo consumo de energia do que utilizar de forma clandestina, visto que não tem nenhum amparo. “Para muitos vendedores a energia é fundamental. Todos concordam em pagar para ter energia, pois se a gente pagasse não teria problemas com a falta de luz quando a Eletrobras vem tirar os nossos fios dos postes”, observou.

Todas as ligações de energia feitas sem a autorização da Eletrobras Distribuição Amazonas são consideradas clandestinas, configurando crime de furto, tipificado no § 3º do art.155 do Código Penal.

Perigos

A própria Eletrobras Distribuição Amazonas ressalta que os riscos das ligações clandestinas envolvem desde a questão de segurança, com a possibilidade de choques elétricos, bem como riscos à integridade dos equipamentos elétricos que venham a ser conectados a esse tipo de ligação.

A empresa informou que a situação apontada pela reportagem será apurada por suas equipes de fiscalização técnica, a fim de se distinguir as ligações regulares (autorizadas pela Eletrobras) daquelas irregulares, que deverão ter suspenso o fornecimento de energia (cortadas).

A distribuidora informou ainda que as equipes de fiscalização técnica da Eletrobras Amazonas atuam de modo a identificar e regularizar as ligações clandestinas em toda a cidade de Manaus.

A reportagem de A CRÍTICA também entrou em contato com a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), responsável pela gestão dos terminais de integração de ônibus da cidade, a qual informou, pouco antes do fechamento desta edição, que o caso teria que ser tratado com a Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab).

Publicidade
Publicidade