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Lixão clandestino na Zona Leste deu origem a uma incipiente ‘indústria’ de catação de metais

São tantos materiais recicláveis que os moradores da área passaram a trabalhar como ‘catadores’ nas horas vagas para garantir uma renda extra 01/07/2015 às 21:29
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Lixo eletrônico continua sendo despejado em terreno clandestino e vizinhos aproveitam para catar metais nobres.
Luana Carvalho Manaus

O ‘lixão’ clandestino do ramal da Gisele, no Distrito Industrial 2, Zona Leste, continua recebendo resíduos sólidos. A maior parte do lixo é eletrônico, mas também há outros tipos de resíduos provenientes da indústria, como embalagens plásticas e ferro.

São tantos materiais recicláveis que os moradores da área passaram a trabalhar como ‘catadores’ nas horas vagas para garantir uma renda extra.

É o caso do pedreiro Manoel Aurélio, de 53 anos. Ele é morador do bairro Grande Vitória e conta que viu no descarte irregular de lixo uma oportunidade para “ganhar uns trocados”.

“Outro dia estava passando por aqui e vi que tinham muitas barras de ferro, fios de cobre e outros materiais que podem ser reaproveitados. Como também tem muitos aparelhos de TV, sempre venho e trago ferramentas pra retirar o que dá pra ser reciclado. Com essa crise que estamos vivendo, tudo que vier é lucro”, relata.

Manoel vai de bicicleta para o ramal e conta que outras pessoas também recolhem os materiais. “Às vezes eles jogam muitos materiais bons aqui. Mas não demora muito e outros moradores  recolhem. Só deixam o que não dá pra vender”, relatou.

De acordo com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), os quatro ‘lixões’ ilegais que foram denunciados pelo A CRÍTICA desde o início de março deste ano já foram fiscalizados e receberam autos de infração e embargos.

Aterro ilegal

O maior deles, no ramal do Nelson, a três quilômetros de distância da pista principal do bairro Puraquequara, recebeu, segundo o Ipaam, quatro autos de infração e dois termos de embargo, por destinar resíduos sólidos sem o devido licenciamento, lançar resíduos sólidos ‘in natura’, coletar e transportar e por descumprimento de notificação. As atividades de aterro e depósito de resíduos receberam embargo.

Ontem,  moradores informaram que os caminhões não despejam lixo há dois meses, mas que ao invés dos responsáveis pelo terreno retirarem os resíduos do local, apenas ‘aterraram’ com barro. “Parte do material foi ‘empurrado’ por tratores barranco abaixo”, informou um dos moradores, que pediu para não ter o nome divulgado.  

Esgotados os prazos da lei

Em novembro do ano passado, a Presidência da República vetou do texto da Medida Provisória 651 que prorrogava para 2018 o prazo para colocar em prática a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Conforme a lei, o prazo para o fim dos ‘lixões’ esgotou em agosto de 2014, mas muitas prefeituras não conseguiram iniciar a implementação.

 No Amazonas,  46 dos 62 municípios apresentaram seus planos oficiais, mas nenhum  deu início por conta de inadimplência com a União, informou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema).  

Alvarães, Itapiranga, Parintins, Silves, Uricurituba, Anamã, Anori, Atalaia do Norte, Barcelos, Canutama, Maués, Novo Airão e Urucará não aderiram aos Planos Municipais de Saneamento e de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos do Estado do Amazonas (PLAMSAN). Boca do Acre e Juruá estão em fase de elaboração de seus planos junto à Funasa, segundo a Sema.

 A lei 12/305, de agosto de 2010 prevê a prevenção e a redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável  e o aumento da reciclagem dos resíduos sólidos. Na próxima sexta-feira, será realizada uma consulta pública sobre Lei Estadual de Resíduos Sólidos na Assembléia Legislativa (ALEAM).

Autuação

Sobre a situação da lixeira clandestina existente no ramal da Gisele, no Distrito 2, o Ipaam, informou que emitiu um Termo de Embargo/Interdição,  por ter sido inserido na Reserva Saium-Castanheiras e por ter sido instalada atividade de terraplanagem sem autorização do órgão ambiental competente. Os proprietários também foram autuados.


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