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Lixeira clandestina a céu aberto na Zona Norte de Manaus é mantida ‘à base de bala’

Motoristas de caçambas ameaçam moradores da comunidade Águas Claras, Zona Norte para não denunciarem a prática 06/06/2015 às 18:11
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Resíduos de construção civil é jogado em terreno abandonado por caçambas com placas cobertas, denuncia Carlos
Isabelles Valois Manaus (AM)

Uma lixeira clandestina a céu aberto é mantida sob o terror na comunidade Águas Claras, na Zona Norte. Moradores que tentam denunciar a prática são vítimas de violência e ameaças por motoristas das caçambas que diariamente entulham o local.

Os moradores vizinhos da lixeira clandestina, localizada entre as ruas Jardim Alegre e rua J11, próximo a avenida Nathan Xavier, Aguas Claras, Zona Norte, afirmam que os motoristas das caçambas jogam os entulhos há dois anos no local para evitar pagar a taxa que a prefeitura cobra na lixeira municipal para despejar resto de entulho de construção.

O autônomo Carlos Renne Pereira dos Santos, 40, morador do conjunto, contou que procurou a prefeitura e outros órgãos públicos para denunciar a irregularidade, mas até o momento nenhum fiscal foi conhecer a realidade da lixeira clandestina da comunidade.

Carlos explicou que o terreno que serve como lixão é de propriedade particular, mas nos últimos dois anos o proprietário não busca alternativas para evitar que o local deixe de receber o lixo a céu aberto.

Desde que os caçambeiros descobriram o terreno, os moradores tentam impedir o depósito ilegal do lixo, pois além de entulhos de construção e descarte hospitalar, animais de grande porte e outros dejetos são colocados no loteamento.

“Durante semanas fomos obrigados a sentir o forte odor de carniça de um cavalo que foi desovado no terreno. Além do mau cheiro, o animal atraiu urubus. Tem vezes que eles jogam até o animal na rua, e os próprios moradores que precisam procurar um jeito de resolver a situação”, contou Carlos.

Ele acrescenta que desde que começaram a jogar os animais no lixão clandestino, uma moradora chegou a tentar impedir que os caçambeiros entrassem na comunidade, mas ela recebeu graves ameaças. “Eles não estão nem aí para a situação; a vizinha que tentou conversar foi recebida com uma arma apontada para sua cabeça, se não fosse os outros moradores intervir, creio que algo pior teria ocorrido”, lembrou.

Por causa da situação, todo caçambeiro que entra na lixeira clandestina cobrem a placa dos veículos para evitar que qualquer morador os denuncie.

Máfia do lixo

Vinte e uma empresas dos ramos de alimentação, comércio e eletrônicos podem responder criminalmente por descarte ilegal de resíduos sólidos em lixeiras clandestinas de Manaus, caso o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) confirme denúncia apresentada por comissão Câmara Municipal de Manaus.

Entulhos tem origem diversificada

Os moradores afirmam que os estulhos são de várias obras da capital, desde dos órgãos públicos como também de empresas do próprio Distrito.

Um dos caçambeiros chegou a contar aos moradores que eles jogam no terreno para ficar com o dinheiro que essas empresas pagam para jogarem no aterro apropriado da prefeitura.

“Tudo isso só ocorre por ganância. Agora colocaram um trator mais interno que espalha o lixo na mata virgem, até a nascente de um igarapé que existe próximo à lixeira, está sendo enterrado”, disse o morador.

Na comunidade, um dos vizinhos do lixão construiu um cercado para evitar que o lixo invade o loteamento. “Se algo não for feito para evitar que isso continue, logo muitos moradores vão perder seus lotes”, reforçou Carlos.

Até o fechamento desta edição, a prefeitura não havia se pronunciado sobre a denúncia.

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