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Lixeiras viciadas tomam conta das ruas de Manaus

São mais de 365 pontos identificados na capital que servem de depósito de lixo e entulho, com amontoados de móveis usados, garrafas de plástico e outros materiais 15/06/2015 às 08:35
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Um dos pontos que chama a atenção, está na rua Antônio Passos de Mendonça, no bairro Petrópolis, Zona Sul
Náferson Cruz ---

Lixeiras viciadas cada vez mais afligem a população de Manaus e tomam conta das ruas, calçadas e terrenos. São mais de 365 pontos identificados na capital que servem de depósito de lixo e entulho, com amontoados de móveis usados, garrafas de plástico e outros materiais, ameaçando a saúde de quem mora nas proximidades desses locais.

Um dos pontos que chama a atenção, está na rua Antônio Passos de Mendonça, no bairro Petrópolis, Zona Sul. Lá, parte da faixa da via e da calçada é ocupada por uma grande pilha de lixo que dificulta a passagem de veículos e de pedestres.

O problema, segundo os moradores, é que o problema por ali dura anos. A CRÍTICA identificou apenas de um lado da via, divida por um igarapé, dez pontos de lixeiras viciadas ao longo de toda a extensão da faixa. O espaço que deveria abrigar apenas árvores e servir ao deslocamento de pedestres, porém, diariamente é tomado por lixo deixado por moradores, e principalmente, comerciantes.

Entretanto, eles reclamam que o lixo não é coletado em todas as ruas do bairro e isso acaba favorecendo acúmulo de sacolas plásticas naquele ponto do bairro. Outro problema também presente na comunidade é o descarte incorreto de alguns resíduos. Restos de eletrodomésticos e da construção, por exemplo, também acabam ficando na calçada.

“Isso aqui é um problema que enfrentamos há anos, parte desse lixo que é despejado nestes pontos são de moradores de outras ruas. Lamentamos o descaso, isso aqui já se tornou comum e ninguém liga mais para essa situação”, lamentou o comerciante Francisco Matos, 44, que reside na rua Antônio Passos de Miranda, há 13 anos. Parte dos moradores adverte que o problema está na falta de lixeiras e de placas informando onde se deve jogar o lixo.

O descarte incorreto dos resíduos também foi identificado num terreno no final da rua Santa Teresinha, no bairro Colônia Terra Nova, Zona Norte. Os moradores que trafegam diariamente pela via convivem com o mau cheiro. “Dificilmente o lixo é recolhido. Às vezes quando o caminhão de coleta passa nas outras ruas do bairro temos que acioná-los para eles virem até este local. Eles reclamam que não faz parte da rota e que a localização é de difícil acesso”, disse Álvaro Mendes, 39, morador do bairro.

Ainda na Zona Norte, uma lixeira clandestina a céu aberto localizada entre as ruas Jardim Alegre e rua J11, próximo a avenida Nathan Xavier, na comunidade Águas Claras, na Zona Norte, é mantida sob o temor na comunidade. Moradores que tentam denunciar a prática são vítimas de violência e ameaças por motoristas das caçambas que diariamente entulham o local.

Atividade cancelada

A Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) informou que tem recebido diversas denúncias sobre lixeiras clandestinas. Os casos, segundo a nota, são repassadas aos fiscais, técnicos e ao próprio secretário, que verifica pessoalmente cada denúncia.

Para conscientizar a população sobre o descarte irregular de lixo, a Semulsp através do Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Socioambiental de Manaus (Prourbis) pretendia realizar hoje, no bairro Jorge Teixeira, 3ª Etapa, na Zona Leste, uma ação em prol da conscientização junto aos moradores da comunidade. A campanha, prevista para ocorrer às 9h, foi cancelado na tarde da última sexta-feira, informação repassada pela assessoria do Prourbis, sem tais esclarecimentos.

Lixo em avenida

Por conta das obras paradas, em determinados pontos da avenida das Flores, há lixeiras viciadas. A via está em fase de construção. Em sua extensão, há objetos domésticos como tênis, cadernos usados, malas rasgadas, restos de concretos e sacos plásticos que se acumulam.

 ‘Máfia dos lixos’

 A 53ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Prodemaph) e o Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (CAO-Crimo) serão os responsáveis, no Ministério Público do Estado, por investigar a “Máfia dos lixões”. A reportagem também mostrou que áreas no Distrito Industrial 2, estão sendo utilizada irregularmente para o descarte de lixo doméstico e industrial. Na última quinta-feira, a reportagem retornou em algumas dessas áreas e constatou que apesar da atuação de órgãos responsáveis por coibir a prática ilegal, o descarte continua.


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