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Manaus
CONTRA CAMELÔS

Lojistas denunciam problemas causados por ambulantes no Centro e cobram soluções

Comerciantes acreditam que o Centro de Manaus está abandonado. Eles estão inconformados com a quantidade de camelôs na frente de seus estabelecimentos 28/05/2017 às 05:00 - Atualizado em 28/05/2017 às 12:20
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Na rua Theodoreto Souto há total desrespeito com o ir e vir do público. Fotos: Márcio Silva
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O Centro da cidade de Manaus está abandonado. Essa e a opinião de lojistas que tem comércios no tradicional local e que estão inconformados com fatores como a quantidade de camelôs na frente dos seus estabelecimentos, a poluição visual causada por barracas de vendas e a intranquilidade provocada pela falta de segurança em vários pontos.

Um dos principais clamores vem de Ezra Azury Benzion, presidente da Federação da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (FCDL-AM) que representa, só no Centro, cerca de 4.500 estabelecimentos nessa área central da cidade.

“Nossa preocupação é que vimos nos últimos 18 meses, 1 ano e meio, que o Centro da cidade acabou sendo tomado por vendedores ambulantes e nós entendemos que esse não era o conceito. Nós incorporamos aquela questão de manter a avenida Eduardo Ribeiro livre, manter as ruas para que o verdadeiro dono transitasse nas calçadas que era o povo, e não os camelôs. A situação é crítica em ruas como a Marechal Deodoro, Doutor Moreira, Guilherme Moreira, Theodoreto Souto, a própria Manaus Moderna, a região dos ônibus...São zonas muito complicadas. Estão tirando o direito de ir e vir das pessoas. Não temos nada contra a pessoa querer trabalhar, mas ela tem o lugar dela que são as galerias, os bairros onde elas moram, não para tomar as calçada, mas são espaços para elas. O que não dá é acontecer atualmente das pessoas prepararem comida nas ruas, como peixe frito ou qualquer outro. Isso é questão de saúde. Continuam vendendo produtos em carrinhos de construção civil que levam massa de cimento, ou seja, não há cuidados”, denuncia o lojista.

Outro problema, destaca Azury Benzion, é o que ele chama de “jogatinas”. “É muito comum você ver no meio da rua que se juntam três, quatro pessoas que não são ambulantes, mas desocupadas  que jogam baralho e outro jogos quaisquer, e isso acaba incomodando as pessoas que estão próximas, ou seja, os clientes”.

Os lojistas sabem que existe uma crise, comentou Benzion, e que as pessoas precisam trabalhar, sobreviver, e que aquilo ali, às vezes, é a sobrevivência das pessoas, mas “também entendemos que há empresas no Centro que precisam empregar pessoas, que estão vendendo menos. E toda essa situação tira o consumidor do Centro. De um jeito ou de outro ele evita, pois o local acaba se tornando um lugar onde você não tem uma experiência boa de compra, onde se vai enfrentando o calor, o ônibus lotado, a questão da insegurança. E há a poluição visual muito grande , que atrapalha muito as vendas”, disse.

O presidente da Federação da Câmara dos Dirigentes Lojistas faz um apelo às autoridades: “Peço que as autoridades, a secretaria de feiras públicas, por parte da fiscalização, que verifique realmente quem tem licença e como foram expedidas essas licenças novas. É preciso haver um critério. Se o Centro da cidade continuar desse jeito, o Centro vai virar uma zona vermelha onde as pessoas não querem mais ir. E não é isso que a gente quer. Estamos vindo com antecedência e humildade pedindo à Prefeitura que nos ajude a salvar o Centro. Nós não temos como tirar os ambulante, mas a Prefeitura, sim, normatizando isso deixando as coisas claras”.

Não são “apenas” 

Os lojistas que estão vociferando com a situação do Centro: também os vendedores estão inconformados com a situação na qual se encontram áreas como a avenida Eduardo Ribeiro, nas cercanias do tradicional Relógio Municipal, quanto à insegurança que sentem.

Sem querer se identificar, uma vendedora, que trabalha em uma loja de confecções do local há 17 anos, comentou que não há horário para a violência atuar. Mas o pior dia é final de semana.

“O Centro está tomado por bandidos, muitos assaltos de celular e cordão e o movimento caiu muito depois que tiraram os camelôs. Diminuíram as vendas. E ainda tem essa praça (da Matriz) que está há quatro anos fechada pelo prefeito que até hoje não a terminou. O local ficou isolado demais. Dinheiro tem. Falta vontade. Todo mundo está com medo de ir pro Centro. As paradas de ônibus então nem se fala...”, comentou.

Os turistas que vêm a Manaus sofrem, diz ela. “Os gringos são atacados e chegam até a derrubar eles na nossa frente e tomam os cordões dele. Muitos entraram na nossa loja apavorados e dizem que não querem voltar nunca mais. Manaus está perdendo turistas por esse motivo. Nós queremos policiamento no Centro. Se as autoridades não tomarem providências a Cidade vai afundar em vez de melhorar”,conta ela, que trabalha de 8h às 18h30.

Camelôs geram demissões, diz lojista

Sócio-proprietário  de uma grande rede de lojas da cidade, com várias filiais no Centro, o empresário Allan Bandeira também criticou o abandono do Centro e as consequências dele. “Estamos há 45 anos na cidade e nunca vi ela neste estado: o Centro está totalmente abandonado. É sabido que o ambulante é um problema social, agora o desemprego causado pelo excesso de ambulantes no Centro com certeza dá o maior número de carteiras assinadas perdidas pelas lojas. E os nossos empregos?”, diz ele, indo mais além.

“Será que dá pra aguentar vendendo com metade do faturamento? São 20% por conta da crise, e os resto? Perder 40% e 50% das vendas é uma calamidade. Emprego mais de 300 funcionários. Não só eu como todos os lojistas tivemos que demitir. Eu, em 2016, demiti bem mais de 30 pessoas”, disse ele.

“Atrás do Hotel Amazonas estão matando galinhas. E a saúde pública? Não se pode deixar fechadas essas praças por três, quatro anos.

O Centro virou um esgoto a céu aberto”, completa.

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