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Lojistas promovem ‘desfiles’ de manequins ambulantes no meio da rua no Centro de Manaus

Para não expor produtos nas calçadas liberadas por camelôs e evitar fiscalização, lojistas ousam na criatividade e circulam com expositores entre os pedestres 13/11/2014 às 09:25
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Na terça-feira, muitas lojas tinham expositores de produtos nas calçadas. Ontem, boa parte delas trocou as ‘araras’ por manequins que são carregados pela rua
Perla Soares Manaus (AM)

“Nada no chão! A regra é clara. Mas pode ficar no ar”. Essa é a justificativa dos lojistas questionados sobre a nova “modalidade” de vendas dos produtos em frente às lojas, em ruas do Centro, Zona Sul.

Depois que os camelôs foram retirados das ruas e calçadas do Centro e realocados nas galerias Espírito Santo e dos Remédios, as calçadas ficaram livres para os pedestes, mas, nos últimos dias, vinham sendo ocupadas por lojistas, que colocavam araras, cavaletes e expositores de roupas no passeio público. Ontem, temendo a fiscalização, mas também a queda nas vendas, muitos resolveram tirar os expositores das calçadas e inovar, com manequins ambulantes, que circulam por entre os pedestres como os tradicionais bonecos do Carnaval de Olinda, em Pernambuco.

Para o gerente de uma loja localizada na avenida 7 de Setembro, vale tudo para chamar a atenção dos clientes. Até carregar manequins na cabeça pelas calçadas, desafiando a gravidade e o equilíbrio, fazendo, até mesmo, passos de dança por entre os pedestres. De acordo com o gerente, essa foi a forma encontrada de atrair os clientes. Apesar de acreditar que a atividade não é ilegal, ele não quis ser identificado. “Só não pode ficar no chão, mas no alto tudo pode, e assim não estou burlando a lei. Meus vendedores não ficam parados, eles se movimentam o tempo todo na calçada, são como pedestres”, afirmou.

Alguns lojistas afirmaram que a medida foi uma forma de “aproveitar” o espaço livre nas calçadas, com a saída dos camelôs, colocando vendedores nas ruas. Na loja Yan Confecções, vendedores usam cabides de roupas penduradas pelo corpo com várias peças como mostruário e, na calçada, convidam as pessoas a entrarem na loja. “Com as mercadorias nas mãos, os vendedores podem exibí-las para quem está passando pela rua e, assim, as pessoas se interessam, entram e podem ficar à vontade para realizar as compras”, disse a gerente da Yan confecções, Sandra Lira, 40.

Incômodo

Para a babá Rosenilda Mota Santos, 50, que estava fazendo compras para as festas natalinas, a retirada dos camelôs liberou espaço para os pedestres, que agora são “importunados” por esses vendedores. “Eles puxam a gente pelo braço para entrar na loja e, além disso, esses bonecos são um perigo. Se um deles cai na cabeça de alguém é problema na certa. O que eles fazem não tem diferença nenhuma dos camelôs”, criticou.

Prática é irregular, diz Implurb

O Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) informou que a prática adotada pelos lojistas é irregular.

De acordo com o órgão, os passeios devem ser livres de qualquer entrave ou obstáculo, seja ele fixo ou removível, que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento e a circulação, com segurança, das pessoas, disponibilizando uma faixa livre com largura mínima de 1,50m.

Ainda segundo o Implurb, é proibida a utilização do passeio público para a operação de carga e descarga, como também para a exposição de qualquer tipo de produto.

No caso de não atendimento à lei, os lojistas podem receber sanções administrativas, como notificações, multas e até apreensões de material, conforme a gravidade da obstrução.

Só no Centro, de janeiro a outubro, a prefeitura realizou 754 ações de fiscalização e apicou 239 multas por conta das mais diversas irregularidades.

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