Publicidade
Manaus
POLÍTICA

‘Lula enganou o povo e enriqueceu ilicitamente’, afirma senador Romário

Autor de livro que revela com detalhes a corrupção na CBF, desvendada pela CPI do Futebol, ex-jogador diz que a influência da entidade no Congresso Nacional tem uma razão: Caixa 2 nas campanhas 04/10/2017 às 17:14
Show rom rio
Romário durante noite de autógrafos em Manaus. Foto: Evandro Seixas
André Alves Manaus (AM)

Ele já passou dos 50. Tem mais cabelos brancos, está mais maduro, mais eloquente e bem mais magro após a cirurgia bariátrica para a remissão do diabetes. A aparência mudou. A língua continua a mesma. Do lado de fora do campo, e há sete anos no Congresso Nacional, o senador Romário de Souza Faria segue levantando polêmicas e, de certa forma, expressando de maneira clara o que a população sente vontade de dizer. Na entrevista a seguir, concedida ao Portal A Crítica na última sexta-feira (29), quando  esteve em Manaus para lançar o livro “Um olho na bola, outro no cartola – o crime organizado no futebol brasileiro”, o parlamentar fala de sua frustração com o governo de Michel Temer e da decepção com o ex-presidente Lula, que diz ter enganado o povo e enriquecido ilicitamente -  “ele e a família, com toda a sua corja de pessoas corruptas”. Romário também dispara contra o PT. “O País vive esse momento caótico exatamente por causa do Lula, PT e seus asseclas”. O senador ainda fala do plano de comandar o Rio de Janeiro. Sobre o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, resume: “ladrão” e “safado”.

O silêncio de atletas de renome diante de maus feitos tanto da CBF quanto do poder público não parece covardia, já que são influenciadores por natureza?

Na verdade, quando se trata de CBF, eu não sei se a palavra é covardia. Mas, com certeza, quando se trata de problemas sociais que temos no nosso País, aí sim é uma grande covardia por parte desses ex-atletas ou atletas ainda em vigor. Em relação à CBF, eu acredito que seja difícil e complicado pra esses jogadores se posicionarem porque existe uma influência muito forte por parte da própria CBF, das federações dos seus Estados e principalmente dos seus clubes no que se refere aos presidentes e diretores, para que esses jogadores possam se manifestar. A gente teve um movimento muito positivo, o “Bom Senso”, que eu até entendi que realmente conseguiria modificar um pouco essa estrutura. Mas, infelizmente, por essas pressões da CBF, esse movimento foi diminuindo e hoje praticamente não existe mais.

Quando o senhor atuou na CPI do Futebol, em que momento percebeu a força da máfia por trás da Confederação Brasileira de Futebol?

Nesse um ano e meio que eu tive de embate contra a CBF, o que eu entendi é que a CBF é muito forte dentro do Congresso Nacional. Mais forte ainda do que no Senado, é na Câmara Federal, até porque existem alguns deputados que fazem parte do seu quadro, como o deputado federal Vicente Cândido, de São Paulo, Marcelo Aro, de Minas, Jovair Arantes...Muitos são presidentes ou diretores de grandes clubes do futebol brasileiro que indiretamente ou diretamente vão estar sempre ligados à CBF. A CBF tem um lobby muito grande dentro da Casa. E o que a Confederação faz para ter essa força? Banca campanhas de muitos políticos.

Por meio de Caixa 2?

Caixa 2! Isso foi descoberto pela nossa investigação na CPI. Ela (CBF) tem um tratamento especial com muitos políticos em relação às competições e aos jogos. Que tipo? Paga ingresso, paga estadia. Convida alguns desses políticos para serem “chefes” de comissão, responsável por determinada viagem daquele grupo.

Concede regalias. 

Várias regalias. E o que faz de mais desonesto nisso: banca muitos desses políticos através de Caixa 2 nas eleições. E tudo isso faz com que a CBF cresça cada vez mais no Congresso e aqueles que, assim como eu, querem no mínimo tentar melhorar a cara do futebol, do esporte em geral, sempre terão mais dificuldade do que o normal.

Hoje nós temos um presidente da CBF que não pode sair do País...

Não, não. Hoje nós um presidente da CBF que ele é ladrão, safado, corrupto, mentiroso, e por ele ter sido “julgado” pelo FBI, e condenado, ele, aí entra onde você ia me fazer a pergunta, não pode sair do País, não pode se ausentar do Brasil, e o que é pior ainda: talvez seja o único presidente (de confederação) da história de uma Copa do Mundo que não vai estar presente com o seu País. Isso é uma vergonha. É uma indecência para o futebol e para o nosso País.

Não é um vexame que, lá fora, ele possa ser preso e, aqui, continue livre, leve e solto?

Hoje, infelizmente, ele (Marco Polo Del Nero) continua livre, leve e solto. Mas através das investigações que estão sendo feitas e principalmente das informações que estão sendo enviadas lá de fora, do FBI, da polícia da Suíça, da polícia da Espanha e com certeza do relatório da CPI do Futebol, eu tenho esperança que ele seja preso o mais rápido possível. Não é utopia. É realidade. Acredito 100%.

Após quase três anos de mandato de senador, como o senhor resume a experiência na Casa?

Olha. O Senado é um lugar dentro do Congresso chamado ‘A Casa dos Senhores’. É uma casa reguladora das leis e aonde posso te afirmar que, qualitativamente, é superior à Câmara, até porque ali tem ex-presidentes da República, ex-senadores, ex-governadores, ex-prefeitos de grandes cidades. Não que isso qualifique melhor quem nunca foi nada. Também tem corrupto  igual a qualquer lugar. Mas é uma casa que eu, particularmente, tenho uma relação muito boa com a maioria dos senadores. Consegui nesses últimos três anos, coisa que eu não consegui na Câmara, emplacar projetos importantes e relevantes, principalmente para o segmento de pessoas com deficiência e para o esporte. Tem sido um período complicado. Difícil, mas bem interessante.

Como o senhor avalia o governo do presidente Michel Temer?

Primeiramente, quando eu votei a favor do impeachment (de Dilma Rousseff) foi porque eu tinha e continuo tendo convicção de que a nossa antiga presidente  cometeu crime fiscal. Em relação ao governo Temer, como todo o Brasil, nós esperávamos que a coisa teria uma cara diferente. Ninguém pode dizer que algumas coisas não melhoraram - a própria economia – mas infelizmente a escolha de alguns ministros, de pessoas que o cercam, foi uma escolha muito infeliz. Muitos são corruptos. Já foi demonstrado isso. Estão respondendo por isso. Como brasileiro, tenho esperança que as coisas melhorem. Mas se formos fazer um resumo do primeiro dia até hoje, não é o que eu esperava do governo Temer.

O Lula contaria com seu apoio em 2018?

O Lula nunca mais contará com meu apoio e eu espero que nunca mais conte com o apoio da população brasileira. O Lula, apesar de ter feito um bom mandato nos primeiros anos, mas está aí, comprovado, ainda não judicialmente, mas será, que ele enganou o povo durante esses anos, enriqueceu ilicitamente, ele e a família, e consequentemente, toda a sua corja de pessoas corruptas, incompetentes – esses ladrões que o acompanharam, afundaram o Brasil de uma forma e hoje eu posso afirmar: o País vive esse momento caótico exatamente por causa do Lula, PT e seus asseclas.

O senhor é pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro. Não é um risco abrir mão de um mandato (se eleito) bem visto pela opinião pública por um Estado absolutamente destroçado?

Acho não. Tenho certeza que, a partir do momento que eu tenha a possibilidade de ganhar, eu estou abrindo mão exatamente disso que você falou. Mas eu sempre corri grandes riscos na minha vida fora da política, e nesses quase sete anos (Câmara e Senado), não é diferente. É um risco que, se eu decidir correr, tenho bastante consciência. Mas, por um lado, primeiro vou torcer para papai do céu me dar sabedoria para escolher pessoas competentes, capazes, excelentes técnicos para colocar nos seus devidos lugares. Formar um grande grupo e tentar tirar o Rio de Janeiro desse caos. É o pior momento da história do Rio.

Se for eleito governador do RJ, como será sua atuação na favela, nas comunidades, e o combate ao tráfico de drogas, duas coisas que, infelizmente, se misturam às vezes?

Na verdade, estão totalmente envolvidos um no outro. Eu continuo sendo a favor da UPP nas favelas. Só não sou a favor como foi criada a UPP. Não adianta a polícia subir nos morros. O Estado tem que subir no morro, junto com a polícia. 

 

Em meio a tanta turbulência, onde e como o senhor encontra paz?

Encontro paz quando estou com meus amigos. Encontro paz quando estou com meus filhos. É difícil, nos dias de hoje, você ter paz em determinados lugares que você gostaria de ter. Mas, se você procurar, você encontra.

O senhor tem alguma relação com Deus?

Eu sou católico. Infelizmente, nos últimos meses, não tenho sido muito praticante. Mas estou sempre em conversa com ele. E eu tenho certeza que todas as minhas ações, tudo o que  acontece na minha vida, é porque ele quer que assim aconteça. Não tem lugar melhor do que encontrar a paz dele quando estou em pensamento com ele.

No Amazonas, há algum time da sua preferência?

Nacional, por influência do Omar (senador Omar Aziz). Ele fala muito desse time (risos).

LEIA MAIS 

De passagem por Manaus, senador Romário visita o GACC

Namorada de Romário sensualiza e mostra olhos azuis na web

Publicidade
Publicidade