Publicidade
Manaus
Cenas opostas

Prédios públicos luxuosos contrastam com a falta de estrutura de pontos em Manaus

Enquanto o transporte não vem, sol e chuva castigam sem piedade os usuários dos coletivos 19/06/2016 às 17:00 - Atualizado em 20/06/2016 às 10:09
Show 1096408
Contraste: ponto de ônibus em frente à luxuosa fachada do TCE. (Clóvis Miranda)
Náferson Cruz Manaus (AM)

Por uma questão de hábito, passageiros e rodoviários sabem que o local em frente ao Tribunal de Constas do Estado (TCE), na avenida Ephigênio Salles, se trata de uma parada de ônibus, mas um visitante jamais o identificaria como tal: não há abrigo, somente uma placa de sinalização para os usuários.

Enquanto o transporte não vem, sol e chuva castigam sem piedade os usuários dos coletivos. E, o que mais chama a atenção é que naquele espaço onde não se gastaria muito para a construção de um abrigo descente, está fixado em frente à imponência de um luxuoso prédio público, onde foram gastos milhões em recursos para construí-lo.

Na opinião do jardineiro Valdir Lopes, 41, que presta serviço nos condomínios localizados na avenida Ephigênio Salles, e durante a semana espera pelo transporte no ponto em frente ao TCU, é lamentável que o poder público trate dessa forma o cidadão. “Há muito dinheiro para certas coisas e para uma pequena parcela das pessoas e para outras não. Há uma classe desfavorecida que vive com míseros centavos e outra que esbanja luxo”, comentou o jardineiro.

A mesma temática se repete na avenida Brasil, no bairro Compensa, na Zona Oeste, onde estão instalados os ‘palácios’ dos governos municipal e estadual. Em quase todo extensão da via, não há abrigos (paradas) de ônibus. O que se vê,  a exemplo da ‘parada’ de ônibus em frente ao TCE, são placas de sinalização. Não há coberturas e muito menos assentos. 

Apesar de estarem na via de acesso às sedes dos governos, os usuários do transporte coletivo se sentem desassistidos pelo poder público. “Como pode, os governantes passam por aqui todos os dias com seus secretários e com certeza observam este descaso nas paradas de ônibus, e não tomam providências”, disse o aposentado José Antônio da Silva, 65 anos, morador da Compensa.

O retrato desse típico contraste urbano também é observado em outras áreas da cidade. Próximo do Amazonas Shopping, na Zona Centro-Sul,  alguns vendedores ambulantes disputam um pequeno espaço na entrada da passarela sobre a avenida Djalma Batista.

Os comerciantes atuam com a venda de lanches, bijuterias, DVDs e outros produtos. Eles , também lamentam a falta de oportunidade de um local para a comercialização dos produtos. “Estamos diante da forte concorrência  do shopping, mas esta foi a única forma que encontramos para o sustento da família”, disse o vendedor ambulante, Marcos Taveira, 29 anos. 

Áreas fora do projeto

No meio da semana, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) divulgou os bairros que serão contemplados com novos abrigos de ônibus. No planejamento, o lote 3, abrange 22 bairros das zonas Centro-Sul, Centro-Oeste e Oeste, porém não consta o bairro Compensa, muito menos a avenida Brasil no cronograma de obras. O mesmo acontece com a avenida Ephigênio Salles, na Zona Centro-Sul, que está fora do planejamento.

Publicidade
Publicidade