Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
CASO SEM SOLUÇÃO

Mãe de jovem desaparecido relembra caso após reconhecer roupa de filho em ossada

'Meu filho esperava que eu fosse varrer esse mundo até encontrar ele, e encontrei', disse a mãe do adolescente Rayner Vinicius da Silva Gonçalves, de 15 anos, que desapareceu após ir correr na Ponta Negra. Caso ainda é um mistério



10/10/2019 às 07:04

No dia 17 de dezembro de 2018, a população do Amazonas acordou com a triste notícia do desaparecimento do adolescente Rayner Vinicius da Silva Gonçalves, de 15 anos, que sumiu na noite anterior após deixar a casa onde morava e ir em direção a praia da Ponta Negra paa caminhar. À época, o caso não só abalou toda a cidade de Manaus, mas também pessoas de diversos estados do Brasil e de outros países. Todos torciam para que Maria Antônia, mãe do rapaz, o encontrasse com vida, o que não aconteceu.

Na tarde desta quarta-feira (9), dois dias após banhistas acharem restos mortais que podem ser de Rayner Vinicius, dona Maria convidou o Jornal A CRÍTICA para ir até a sua residência contar detalhes sobre o caso. Na casa, ao relembrar o pedido que o jovem fez no dia do desaparecimento, para que ela o ensinasse a fazer vitaminada de abacate, ela se emocionou.



"Naquele dia o meu filho almoçou com a gente e, próximo a hora dele sair, ele veio aqui e disse: 'mãe, eu quero fazer uma abacatada, como que faz?' Eu expliquei, ele fez e trouxe para mim. Logo depois ele voltou e me chamou para caminhar, ficou me chamando de velha gorda, sedentária (risos), mas eu disse que eu não poderia ir, mas que na terça-feira eu iria com ele. Então ele pediu autorização para ir caminhar e eu deixei. Ele chegou a chamar o primo dele e uns amigos para ir, mas ninguém podia, então foi sozinho”, disse. 

Ainda conforme Antônia, o adolescente caminhava na praia duas vezes por semana e sempre retornava às 21h30 para a casa, porém naquele dia, ele não retornou. "O que me deixa triste é que mesmo com tanta repercussão, autoridades que poderiam ter se empenhado mais, não fizeram. Na mesma noite em que ele desapareceu, eu fui à delegacia, me disseram que talvez o meu filho estivesse embriagado dormindo na praia ou que estivesse na casa de alguma namorada. Eu respondi que o meu filho não bebia e que não tinha nenhuma namorada", contou.

O dia seguinte

Na manhã de segunda-feira (17), dona Maria, ao ir até a praia, perguntou das pessoas que estavam lá se sabiam de algum possível afogamento, os banhistas e proprietários de barracas informaram que não havia nenhum comentário sobre o assunto no local. Em seguida, a mãe do adolescente foi até a base do Corpo de Bombeiros, que informaram que desde o dia 13 de dezembro não ocorria nenhum acidente com vítimas de afogamento na praia. 

"O Rayner sempre esteve lá. Quando soube que tinham achado uma ossada humana por meio de fotos de pessoas me mandando no celular, eu estava com uma amiga minha no trabalho, eu olhei para ela e falei: A procura acabou, é a roupa do meu filho, e ela disse que era para eu me acalmar, que podia ser apenas uma roupa parecida, mas eu sabia que não, que não era uma roupa parecida, era a roupa do meu filho", descreveu.

Venezuelana atendeu celular

Maria, ao ligar para o celular do filho, ouviu a voz de uma venezuelana, que atendeu o telefonema e falou que o adolescente teria morrido afogado. A mulher disse que encontrou o celular e os pertences dele jogados na praia. "Eu coloquei crédito no celular dele, pois o chip estava bloqueado para ligação por falta de crédito, em seguida o telefone dele tocou. Eu pensei: 'ele está bem, ele está em algum lugar, o telefone está chamando', e aí a venezuelana atendeu e disse que ele havia morrido, que o dono do telefone estava morto, que ele havia se suicidado. Disse que o meu filho foi nadando até o meio do rio e afundou. Meu filho não tinha problema para se suicidar", relembrou. 

Com ajuda da população, a polícia, por meio da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), sob o comandado da delegada Joyce Coelho, fez a divulgação do retrato falado da venezuelana. A jovem foi então identificada como Rusbelys Yilferlyn Borrero Farias, de 23 anos. Ela foi encontrada na Avenida Joaquim Nabuco, no Centro de Manaus. Na ocasião, os policiais conseguiram identificar outras quatro pessoas que afirmavam ter visto o adolescente na Ponta Negra, que passaram a contribuir com informações sobre o caso. Porém, o caso ainda é um mistério para a Polícia Civil, que não conseguiu desvendar o que aconteceu naquele dia e por qual motivo os pertences do adolescente estariam com venezuelanos. 

Último adeus

O laudo de exame de DNA que comprovará se são ou não os restos mortais do adolescente ficará pronto em trinta dias. Maria lamentou por não poder realizar o velório, pois já não há corpo.

"Se as pessoas tivessem se empenhado mais, até poderiam ter me dado o corpo do meu filho, teriam me dado a matéria, não somente ossos para eu enterrar. Eu poderia ter feito um velório digno para o meu filho. Eu não vou poder olhar mais o rosto dele. Ele sempre esteve lá, e ninguém o encontrou", lamentou.


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