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Manaus
ASSASSINATO

Mãe de lutadora morta a tiros rebate amiga da vítima e a acusa de ser comparsa

“Ela foi ao velório sim, eu que botei ela para fora”, disse a mãe de Patrícia Cunha. Segundo ela, Luciane, ex-namorada do principal suspeito e possível motivo do crime, fez afirmações mentirosas 30/01/2019 às 17:38 - Atualizado em 30/01/2019 às 17:39
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Foto: Divulgação
Vinicius Leal Manaus (AM)

Maria da Graça Pereira da Cunha, de 52 anos, mãe da lutadora de jiu-jítsu Patrícia da Cunha Leite, de 26 anos, que foi assassinada a tiros no último final de semana em Manaus, durante a própria festa de aniversário, falou hoje à reportagem do Portal A Crítica. Dona Graça, como é conhecida, desmentiu afirmações feitas pela amiga da vítima, Luciane Cardoso da Silva, e a acusou de ser comparsa no crime. Luciane é ex-namorada do principal suspeito do crime, Carlos Eduardo de Alencar Navegante, 22, e teria “motivado” o assassinato devido uma briga entre Eduardo e a lutadora.

Segundo dona Graça, ao contrário do que disse Luciane ontem ao jornalista Mário Cézar Filho, da TV A Crítica, ela foi sim ao velório de Patrícia realizado em Manaus, numa igreja evangélica no bairro São Lázaro, Zona Sul. “Ela (Luciane) disse que não foi ao velório da minha filha, mas é mentira. Ela esteve lá sim. Eu que botei ela para fora de lá. Tinha uma menina lá (no velório) desmaiando. Só depois que me avisaram que era ela (Luciane). Então eu cheguei com a mãe dela e falei ‘pegue sua filha e leve ela para fora daqui, antes que eu puxe ela pelos cabelos, porque se ela está chorando, é de remorso’. Aí a mãe dela disse que me entendia, e eu disse ‘não, você não entende minha situação”.

A mãe de Patrícia Cunha faz outra acusação contra Luciane. Segundo ela, a jovem saiu da festa de aniversário da lutadora antes do assassinato acontecer não porque a mãe dela estava passando mal, como informou ontem à reportagem da TV A Crítica, mas porque, segundo dona Graça, foi avisada pelo próprio ex-namorado e principal suspeito do crime, Eduardo Navegante. Atualmente, Eduardo e outros dois homens estão presos por envolvimento no crime.

“Ela disse que ficou no aniversário até onze horas, onze e meia da noite, mas ela saiu de lá meia hora antes de começar o tiroteio. A mãe dela estava lá ‘enchendo o rabo de bebida’. As duas saíram ‘nas carreiras’. Ela ajudou a minha filha a organizar todo o aniversário e acho que antes deles (assassinos) chegarem, ele (Eduardo Navegante) ligou para ela (Luciane) avisando tudo”, acusou dona Graça.

A motivação do assassinato, segundo familiares da lutadora, seria desentendimentos entre Patrícia e Eduardo causados por agressões cometidas pelo suspeito enquanto namorava Luciane. Conforme a irmã da lutadora, Maiane Cunha, a vítima vinha sofrendo ameaças. “Ela não tinha desavença com ninguém. A única situação era essa, por isso a gente acredita nisso. Que foi ele, porque ele já vinha fazendo ameaças”, disse Maiane.

Luciane confirma ameaças

As ameaças de Eduardo contra Patrícia foram, inclusive, confirmadas por Luciane, ontem, na entrevista à TV A Crítica. Segundo a moça, os desentendimentos entre a lutadora e o suspeito teriam começado neste mês de janeiro, após o relacionamento dela e de Eduardo ter chegado ao fim, com uma indireta da lutadora publicada nas redes sociais.

“Ela disse que ele (Eduardo) tinha chamado atenção dela. Não sei se era curtindo uma foto ou alguma coisa. Então, por meio disso, que ela viu que ele estava online, ela postou coisas falando que, se fosse a irmã dela, iria matar, que não era para (o Eduardo) fazer isso, essas coisas. Se fosse com alguém da família dela, ela iria matar”, disse Luciane à TV A Crítica.

Luciane também revelou à TV A Crítica conversas no aplicativo WhatsApp em que Patrícia contava à amiga que Eduardo estava passando perto da casa dela com frequência. “Ela mandou mensagem não uma vez, mas várias vezes, dizendo que ele estava passando toda hora na frente da casa dela. Tanto que ele passava na frente da casa dela e subia à esquerda, que andava na rua da casa da minha tia, também”, assegura a jovem, que também afirma não ter imaginado que o ex-namorado seria capaz de tirar a vida da amiga.

Multidão de pessoas

Depois de ser velado em Manaus, o corpo da lutadora de jiu-jítsu Patrícia da Cunha Leite foi transladado até o município de Tefé, a 523 quilômetros de Manaus, onde foi sepultado. O corpo foi recebido por uma multidão de pessoas nas ruas da cidade. “Eu sabia que ela tinha amizades, mas eu não esperava tanta gente assim”, disse a mãe de Patrícia, dona Graça. “Quero que se faça justiça. Eu sei que não vão trazer a minha filha de volta, a minha filha preciosa, que me ajudava em tudo, mas eu quero justiça”, finalizou.

Investigações

O caso do assassinato da lutadora Patrícia da Cunha Leite segue sendo investigado pela Polícia Civil. Mesmo com três suspeitos do crime mantidos presos preventivamente, nenhum deles foi apresentado à imprensa. Um quarto envolvido ainda não foi encontrado.

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