Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
PROBLEMAS EMOCIONAIS

Mãe que abandonou recém-nascida em telhado estava com depressão, diz advogado

A defesa de Adriana Lima da Cunha, 23, alega problemas emocionais para ela ter cometido o ato. Segundo a polícia, Adriana teria tomado remédios abortivos e, quando deu à luz, jogou a recém-nascida no telhado do vizinho por um basculante; advogado nega



baby-feet-newborn-child_7BAA5049-1793-47D9-BB5D-2E784CC9B1BA.jpg Foto: Arquivo
27/05/2020 às 09:12

A defesa de Adriana Lima da Cunha, 23, acusada de ter abandonado a filha recém-nascida em cima do telhado de uma casa do bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus, na tarde de ontem (26), relatou à reportagem de A Crítica, na manhã desta quarta-feira (27), que Adriana cometeu a ação por ter se encontrado em estado de vulnerabilidade, devido a condições decorrentes da gestação como depressão.

O advogado que acompanha o caso, Wagner Amâncio, revelou que Adriana passou por uma situação em que muitas mulheres passam, durante o período de gestação, e que ela está arrependida.



"Ela está na Maternidade Moura Tapajós, por conta de ainda estar bastante debilitada. Ela se arrepende totalmente do que fez. É uma situação que acontece com muitas mulheres. Ela disse que fez isso porque estava em um estado onde o namorado dela não quis assumir a criança, a família também não apoiava [...] é o que se chama de 'Estado Puerperal' [que é o período de deslocamento e expulsão da placenta em volta do organismo materno, às condições anteriores à gravidez]. Algumas mulheres chegam até a matar o próprio filho", explicou a defesa.

Segundo a delegada Joyce Coelho, da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Adriana negou, em depoimento prestado na especializada, que o bebê era dela, em um primeiro momento. Mas depois confessou que havia tomado remédio para tentar abortar a criança e que jogou o bebê no telhado da casa da vizinha, por um basculante.

“Ficou constatado que os familiares de Adriana não sabiam da gravidez dela. Adriana alegou que, quando percebeu que estava tendo uma criança, se assustou, pegou a bebê por impulso e acabou jogando a recém-nascida”, disse Coelho.

O advogado informou que a criança havia nascido com gestação entre 7 e 8 meses e, por isso, se encontra na UTI neonatal, onde recebe banho de luz e amamentação, mas está em estado estável.

O bebê foi resgatado por policiais militares da 10ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), que levaram a recém-nascida à Maternidade Alvorada. Conforme a equipe de Assistência Social da Maternidade Alvorada, o bebê está fora do risco, entretanto, está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para ganhar peso.

No prédio da Depca, Adriana foi autuada em flagrante por aborto e homicídio tentados. Ao término dos procedimentos realizados na Especializada, ela será levada para uma maternidade para procedimentos médicos, e, após a conclusão, a jovem será encaminhada à Central de Recebimento e Triagem (CRT), onde ficará à disposição da Justiça.

Sobre a detenção da mãe, o advogado concluiu que, apesar de a Justiça possivelmente decidir pela prisão dela, a defesa entrará com um pedido de liberdade provisória ou até relaxamento da prisão [que incide sobre a prisão ilegal], em decorrência das circunstâncias em que a mulher se encontrava.



 


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