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Manaus
ESPERANÇA

Mães de desaparecidos no Grande Vitória pedem chance de 'enterro digno' dos filhos

Policiais militares acusados de envolvimento no caso foram levados hoje, sob forte esquema de segurança, para audiência de instrução do processo 26/02/2018 às 14:47 - Atualizado em 26/02/2018 às 14:49
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Familiares das vítimas ao lado do advogado (Foto: Gilson Mello)
Joana Queiroz Manaus

Um forte esquema de segurança foi montado para resguardar a integridade física dos policiais militares suspeitos do desaparecimento de três jovens no Grande Vitória, durante audiência de instrução realizada hoje na 3ª Vara do Tribunal do Júri.

O tenente Luiz Ramos, o “Boca De Lata”, e os soldados José Fabiano Alves da Silva, Edson Ribeiro Costa, Ronaldo Cortez, Eldeson Alves de Moura, Cleidson Eneas Dantas, Denilson de Lima Correa e Isaac Loureiro da Silva foram intimados para irem a seção de instrução processual e julgamento no processo em que  eles são os acusados de seqüestro, tortura e desaparecimento de Alex Roquede Melo, Rita de Cássia Castro e Weverton Marinho da Costa, no dia 29 de outubro de 2016, na comunidade Grande Vitória.

Os militares são réus presos e chegaram ao fórum Henoch Reis escoltados por homens da Força Tática armados com fuzis e metralhadoras.  De acordo com informações dos servidores da vara, hoje foram ouvidas as testemunhas arroladas pelo Ministério Público Estadual, que são as de acusação, entre elas uma confidencial que teve que ser conduzida coercitivamente.

Familiares das vítimas também foram ao fórum. Lindalva da Silva Castro, 44, mãe de Rita de Cássia, e Iracy Marinho, mãe de Weverton estavam acompanhadas do advogado Avanilson Araújo, representante da Central Sociedade Popular que veio a Manaus para dar apoio jurídico às famílias das vítimas.

Em meio ao trâmite jurídico,o  sentimento das mães eram os mesmos:  a saudade dos filhos e o desejo de saber onde foram colocados os corpos deles. “Queremos dar a eles um fim digno, um sepultamento e não ficar a vida inteira sem saber onde foram jogados”, disse a mãe de Maria Rita, Lindalva da Silva.

"Só estou viva porque estou respirando", afirmou Iracy Marinho, que ainda sonha encontrar o corpo do filho para ter uma despedida que até hoje não foi possível. "Que os policiais militares pelo menos devolvam o corpo do meu filho". 

Pistas

As mães não têm dúvidas que os filhos foram mortos pelos policiais militares. O estojo de munição calibre ponto 40, encontrado em um campo de futebol, nas proximidades do ramal do Quixito, no Distrito II, foi deflagrada da arma que estava sendo usado pelo tenente Luiz Ramos, conforme o laudo de balística.

De acordo com as informações que constam no inquérito policial, ele teria comandado o seqüestro e o desaparecimento de Alex, Rita e Weverton. Com base nessa e outras provas técnicas conseguidas pela polícia durante o período de investigação, o Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia contra o tenente e os policiais.

Embora os acusados continuem negando serem os autores do crime, nas investigações feitas pela Polícia Civil foi possível conseguir provas técnicas e irrefutáveis que apontam para o grupo demilitares como sendo os responsáveis pelas mortes, conforme denúncia apresentada pelo promotor Rogério Marques.

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