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Manaus
caso do grande vitória

Mães de jovens desaparecidos apelam: 'devolvam os nossos filhos!'

Desesperadas as mães de Alex, Rita e Weverton pede que os envolvidos no sumiço dos três contem onde os filhos, vivos ou mortos estão, para acabar com a agonia. Uma delas está há seis dias sem comer. 04/11/2016 às 05:00 - Atualizado em 04/11/2016 às 10:44
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Fotos: Clóvis Miranda
Joana Queiroz Manaus (AM)

As mães  de  Alex Julio Roque de Melo, 25, Rita de Cássia Castro da Silva, 19, e Weverton Marinho, 20, fizeram ontem um apelo dramático para que as pessoas envolvidas no desaparecimento dos três jovens, provavelmente policiais militares, devolvam os seus filhos, vivos ou mortos. “Devolvam os nossos filhos, queremos abraçá-los, pelos menos isso”, disse a dona de casa Arlete Roque, mãe de Alex.

“Devolvam o meu filho. É um pedido que estou fazendo para as pessoas que o levaram. Quero meu filho de volta. Além de desaparecerem com ele, ainda andam falando que ele é traficante. Isso me magoa”, o apelo é da dona de casa Iracilene Batista, 44, mãe de Weverton

Lindalva Castro, 45, mãe de Rita de Cássia, ainda está em estado de choque. Ela estava viajando para Fortaleza quando a filha desapareceu. “Cheguei e não tinha mais ninguém pra me chamar de rainha. Pelo amor de Deus, encontrem a minha filha porque eu preciso vê-la”, desabafou.

O drama das mães começou na madrugada de sábado, quando os filhos voltavam para casa de um pagode no bairro Armando Mendes, na Zona Leste. Os três estavam em uma motocicleta de cor preta e vermelha e placa OAE-2789 quando, na rua Criciúma, bairro Grande Vitória, na Zona Leste, foram abordados por duas guarnições da Polícia Militar. Eles foram algemados e colocados no camburão da viatura. A partir de então, eles nunca mais foram vistos.

As buscas por pelo menos uma pista dos três já duram sete dias e, quanto mais  demora, mais aumenta o sofrimento das famílias. Arlete está sem se alimentar desde o dia que Alex sumiu. Já não está tendo forças para ficar de pé e não  teve sequer condições de doar sangue para exame de DNA que seria usado para comparar com o sangue encontrado nas sandálias dele deixadas em um campo na área do ramal do Brasileirinho.

“Eu peço em nome de Jesus que possam dizer onde estão os corpos dos nossos filhos, se estão em cativeiro, se estão mortos. Que digam onde estão para que possamos chegar a eles e dar um abraço  porque as famílias estão aflitas com o desaparecimento deles”, apela a mãe de Alex.

Lindalva disse que Rita de Cássia era uma boa menina, trabalhava, estudava e era carinhosa. No dia que desapareceu, a jovem estava de folga do trabalho. Pelo celular, Rita  mandou mensagens carinhosas dizendo que  amava a mãe. 

Vestindo uma camiseta amarela com a imagem do filho, Iracilene disse que se encontrar o filho com vida vai mudar de bairro. Ela afirmou que Weverton não tinha envolvimento com o crime e que ele gostava mesmo era andar de motocicleta. “É uma dor insuportável dormir e acordar pensando onde está o seu filho, se ele está bem, se está amarrado ou sofrendo alguma dor. Devolvam o meu filho vivo ou morto”, pediu.

Sem buscas, sem pistas

Até o fim da tarde desta quarta-feira (3), a polícia ainda não tinha pistas que levassem ao paradeiro de Alex, Rita e Weverton. Pela manhã, as buscas foram realizadas apenas por familiares e amigos, que com recursos próprios percorreram a mata da área onde foi encontrada a sandália de Alex.  

À tarde, familiares das vítimas contaram que não iriam passar  mais nenhuma informação dizendo que foram proibidos pela polícia, mas garantiram que só vão cessar as buscas depois que os jovens forem localizados. Apesar do tempo passado, a maioria dos familiares dos jovens ainda espera encontrá-los com vida. 

Investigação: policiais ouvidos

Nesta quarta-feira, nove policiais militares que estava trabalhando na 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) no dia do desaparecimento foram ouvidos oficialmente na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Os depoimentos entraram pela noite, mas o teor deles não foi revelado.

Na tarde de quarta-feira, investigadores da DEHS, policiais militares estiveram no ramal Velho Chico, que fica dentro do ramal Brasileirinho, na Zona Leste, para localizar pistas que possam esclarecer o desaparecimento e levar ao encontro do jovens.

Protesto no sábado

No dia posterior ao sumiço dos jovens, familiares, amigos e vizinhos fizeram um protesto em frente à 4ª Cicom

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