Terça-feira, 25 de Junho de 2019
REIVINDICAÇÕES

Mães e esposas de presos realizam protesto por melhorias em presídios

Manifestantes relataram que presos estariam recebendo uma refeição por dia e que teriam sido obrigados a rasparem a cabeça. Cogestora dos presídios de Manaus, a Umanizzare nega acusações e afirma que cumpre procedimentos rigorosos de qualidade



presos_8584DB22-BAC9-4551-B44A-1ADA163CFABF.JPG Foto: Winnetou Almeida
07/06/2019 às 14:25

Cerca de 40 mulheres se reuniram em frente ao Fórum Ministro Henoch Reis, na Zona Centro-Sul de Manaus, na manhã desta sexta-feira (7) para protestar sobre o tratamento que os detentos das unidades prisionais da capital estariam recebendo por agentes de segurança pública. Cogestora dos presídios, a Umanizzare nega acusações e afirma que são realizados procedimentos rigorosos de qualidade por parte da empresa.

Mudanças teriam iniciado após massacre ocorrido em quatro presídios da capital nos dias 25 e 26 de maio deste ano. Cogestora dos presídios, a Umanizzare nega acusações. As visitas estão suspensas desde o ocorrido no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), Instituto Penal Antônio Trindade - (IPAT), Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM1) e Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

Esposas e mães de detentos pediram que a Comissão de Direitos  Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM) entrem nos presídios e verifiquem a atual situação do sistema carcerário. A mãe de um detento, que preferiu não ser identificada por medo de represálias, explicou que os próprios funcionários do local e até advogados relataram sobre o tratamento que os internos estariam recebendo.  

Ainda segundo informações repassadas por familiares dos detentos, os presidiários foram obrigados a rasparem a cabeça e estariam se alimentando apenas uma vez por dia. Além disso, muitas vezes as refeições seriam azedas e até viriam com insetos.

Outro pedido feito pelos manifestantes é que a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) permita que medicamentos entrem nas unidades prisionais, por haver um surto de doenças dermatológicas que afetariam tanto os internos quanto os visitantes.

Uma auxiliar de serviços gerais, de 49 anos, contou que o filho relatou durante uma audiência no Fórum, que as celas estariam comportando 19 presos e que teriam 4 camas apenas no local.

“Os responsáveis pelas penitenciárias precisam entrar nos pavilhões, teve mortos no massacre, mas os que ficaram estão morrendo um pouco a cada dia, de fome, de doença. Julgam nossos familiares presos por crimes que cometeram. O Governo passado matou mais gente na Saúde com má administração. Só estamos exigindo o que é pra ser feito”, finalizou a auxiliar.

Posicionamento 

A reportagem entrou em contato com a Umanizzare, cogestora das unidades prisionais de Manaus, que negou a procedência das denúncias. Segundo o porta-voz e diretor da empresa, André Caires, todos os dias são servidas três refeições [café da manhã, almoço e janta] nos presídios.

Sobre a qualidade dos alimentos, ele informou que uma nutricionista acompanha todo o processo de preparação dos pratos, também passando pela análise de servidores da Seap e de promotores da Vara de Execuções Penais (VEP). Além disso, o diretor explicou que a mesma comida dada aos presos é servida aos funcionários da Umanizzare e da segurança pública que atuam nas unidades prisionais.

A Seap afirmou por meio de nota que "as declarações e ações feitas por familiares dos detentos não refletem a realidade".

"Ontem tivemos a visita da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, onde os mesmos visitaram as unidades prisionais COMPAJ e IPAT e nenhuma das afirmações feitas foram comprovadas. Em momentos como esse, todas as atenções estão voltadas ao sistema prisional, estando o mesmo aberto para visita de qualquer órgão ou autoridade do Estado ou da União a fim de verificar a realidade intramuros, em todas as visitas nada do afirmado pelas famílias se pode observar", diz a secretaria na nota. 

Sobre a estética dos presos, a Seap declarou que fundamenta suas decisões com foco nas determinações na Lei de Execução Penal (LEP), "não se tratando jamais como um desejo pessoal de qualquer administrador, são ações orientadas com previsão e proteção da lei".

As visitas continuam canceladas nas unidades prisionais onde as mortes ocorreram. "A medida tem prazo de 30 dias a contar do dia do evento! Essas medidas se mostram necessárias ao controle e pacificação do sistema prisional, inclusive para proteção aos internos e aos seus familiares, com objetivo de restabelecer a ordem e devolver estabilidade a todo o sistema", finaliza a nota.

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Repórter de Polícia do jornal Manaus Hoje

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