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Manaus
Plano de Morte

Magistrada está sob ameaça de morte no Amazonas

Juíza que decretou a prisão de investigados na operação ' Gaya' revelou que delegado também é alvo 17/05/2013 às 11:28
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Além da juíza Careen Fernandes, o delegado Rodrigo Bona também foi ameaçado
Jornal A Crítica Manaus

A juíza da 7ª Vara Criminal, Careen Aguiar Fernandes, e o delegado titular do 26º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Rodrigo Bona, estão sendo ameaçados de morte há uma semana e as ameaças estariam partindo dos investigados no inquérito que deu origem à operação Gaya, realizada no dia 25 de abril, que prendeu 11 pessoas  integrantes de uma quadrilha especializada em vendas ilegais de terrenos nos loteamentos Águas Claras e Parque das Garças, na Zona Norte.

A magistrada, que nessa quinta-feira(16) se encontrava em uma comarca do interior, falou por telefone com A CRÍTICA e confirmou as ameaças. Ela disse que o caso já está sendo investigado pela polícia e comunicado ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). Ela não quis comentar o teor das denúncias, segundo ela, para não atrapalhar as investigações, que estão acontecendo em caráter sigiloso. Ela apenas revelou que a denúncia que chegou à polícia é que havia um plano para matar o delegado Bona e ela.

O delegado Bona  foi procurado e preferiu não comentar o caso, dizendo que já encaminhou os autos à Justiça. O delegado e a juíza disseram que não vão parar as investigações até que os inquéritos sejam concluídos. Segundo o delegado, o número de vítimas já chega a 130, que pagaram pelos terrenos valores de R$ 8 mil a R$ 200 mil.

Bona foi o delegado que presidiu as investigações, que duraram um ano e quatro meses e que resultaram na prisão de parte dos acusados. Ainda há mais nove mandados para serem cumpridos. A juíza Careen foi quem decretou os mandados de prisões preventivas e buscas e apreensões dos investigados. A juíza e o delegado classificam o bando como uma organização criminosa que possui tentáculos em vários órgãos públicos, entre eles secretarias municipais e cartórios.

Presos

Entre os presos estão o tenente-coronel da PM Berilo Bernardino de Oliveira, 45, a corretora de imóvel Maria Silma Lima Braga, o ex-presidiário Jean Cláudio Lima Sombra, o ex-investigador da Polícia Civil Janilton Gomes de Araújo, Alcineide de Oliveira Barbosa, 52, Elias Fernandes Carvalho, 63, Jordan Mota da Silva, 41, Oseias Silva de Carvalho, 55, Adriani da Silva Oliveira e as irmãs Priscila e Denise Lima Menezes. A polícia continua as investigações para prender os foragidos.

Entre os foragidos está a advogada Syrslane Ferreira Navegante Santos. Em gravação telefônica feita pela polícia com autorização da Justiça, a advogada  aparece conversando com o tenente-coronel Berilo. No diálogo, eles tratam de uma transação de venda de terra no valor de R$ 130 mil. Ela seria a advogada dos integrantes do bando. Os advogados já entraram com pedido de habeas corpus em favor de Syrslane, que ania não foi julgado.

Documentos e arquivos apreendidos

Durante a operação a polícia apreendeu grande quantidade de documentos, computadores, que serão periciados, e carimbos de cartórios.

De acordo com as investigações o tenente-coronel Berilo Bernardino  atuava no bando facilitando as vendas, utilizando a patente militar na influência de pessoas e dando suporte nas desapropriações dos terrenos, que chegavam a ser comercializados mais de três vezes para pessoas diferentes. Berilo irá responder por corrupção passiva, tráfico de influência e formação de quadrilha.

O ex- policial civil Janilton Araújo dava suporte para o grupo. Durante as investigações, a polícia conseguiu, por meio de escuta telefônica autorizada pela Justiça, interceptar conversas de Janilton tentando contratar pistoleiros para prestar serviços ao grupo. Maria Silma e Jean Sombra são acusados de agilizar a venda dos terrenos. Silma usava a empresa Banco de Negócios Imobiliários, de propriedade dela, para os negócios.

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