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Manaus
massacre penitenciário

Maior parte de presos mortos estava na cadeia por roubo e homicídios

Dos 63 detentos mortos já identificados, dez estavam na cadeia por tráfico de drogas, contra 28 por roubo ou furto e 21 por homicídios ou latrocínios 12/01/2017 às 17:49 - Atualizado em 12/01/2017 às 18:05
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Segundo Sérgio Fontes, presos são aliciados pelas facções por intimidação, e não por experiência no tráfico
Dante Graça e Oswaldo Neto Manaus (AM)

Dos 63 detentos assassinados na série de mortes ocorridas entre os dias 1º e 8 de janeiro no sistema prisional do Amazonas que já foram identificados, 28 deles estavam presos por roubo ou furto, conforme lista divulgada hoje pelo Governo do Estado.

Depois dos roubos e furtos, o crime que mais levou os detentos mortos à cadeia foram os homicídios. Dos alvos do massacre, 21 deles estavam presos por homicídio ou latrocínio. Outros dez presos estavam na cadeia por tráfico, nove por estupro, dois por falsificação de documentos e um por corrupção ativa. O número de crimes elencados - 71 - supera os 63 mortos porque há detentos que estavam condenados por mais de um crime.

A guerra pelo comando do tráfico de drogas no Estado foi apontada pelas autoridades de segurança como o principal motivo para as mortes nas rebeliões. Para o secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, o fato de condenados por tráfico aparecerem em menor quantidade em relação aos roubos, furtos e homicídios, não anula a tese de que o massacre se deu por conta de uma guerra entre facções.

"Na cadeia os crimes se misturam e passa a valer a filiação à facção", afirmou o secretário, ressaltando que independente do crime cometido, o que vale é recrutar bandidos. "O recrutamento é na base da intimidação", explicou ele.

Ainda de acordo com Sérgio Fontes, quem entra para facções como a Família do Norte (FDN), apontada como a responsável pelo massacre, ou Primeiro Comando da Capital (PCC), tida como o alvo da FDN, não necessariamente tem histórico no tráfico de drogas. Segundo ele, apenas estupradores, informantes  e ex-policiais são excluídos das fileiras das facções.

Identificação

Segundo o Governo do Estado, apenas um dos detentos mortos ainda não foi reconhecido pela família. Ele era do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, onde 56 pessoas foram mortas no dia 1º deste ano, durante a segunda rebelião mais sangrenta da história do Brasil, perdendo apenas para o massacre do Carandiru, em 1992, quando 111 detentos foram assassinados por militares. 

Os quatro presos assassinados na Unidade Prisional do Puraquequara, no dia 2, já foram identificados, bem como os outros quatro que foram mortos na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no último dia 8. 

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