Publicidade
Manaus
7 de setembro

Mesmo sem onças, mais de 10 mil pessoas acompanham desfile militar em Manaus

No tradicional evento, organizado pelo CMA com apoio da Polícia Militar, as Forças Armadas exibiram seus grupamentos e parte do corpo bélico a pé ou motorizado 07/09/2016 às 10:12 - Atualizado em 07/09/2016 às 20:29
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O  desfile militar desta quarta-feira no Centro de Convenções (Sambódromo) não contou, esse ano, com as carismáticas onças-pintadas que marcavam presença anualmente no evento alusivo ao Sete de Setembro, Dia da Independência do Brasil. No ato tradicional, organizado pelo Comando Militar do Amazonas (CMA) com apoio da Polícia Militar (PM), as Forças Armadas, associações e entidades militares exibiram seus grupamentos e parte do corpo bélico a pé ou motorizado mas, por conta da morte da onça-pintada Juma, ocorrida durante a passagem da tocha olímpica por Manaus, diferente dos anos anteriores o desfile motorizado não teve a presença de qualquer animal da fauna silvestre.

Em dia 20 de junho, a onça participou da cerimônia de revezamento da tocha olímpica no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs). Após o evento, o animal se soltou das correntes. Para tentar capturá-la, segundo relatório do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), foram disparados quatro dardos com tranquilizantes, mas apenas um atingiu o animal, que avançou nos militares. Para garantir a segurança dos soldados  presentes no local, foram efetuados dois disparos de pistola que atingiram a cabeça do felino.

O Ministério Público Federal do Amazonas (MPF) entrou com uma ação na Justiça para que o Exército seja impedido de usar animais silvestres em eventos públicos e ainda seja condenado a pagar indenização pela morte da onça Juma.

A Justiça Federal decidiu, em resposta à ação civil pública ingressada pelo MPF, que o Exército precisa de autorização específica dos órgão ambientais competentes para pode transportar, exibir em público ou desenvolver atividades com uso de animais silvestres. A permissão deve ser individualizada para cada evento.

Em caso de descumprimento da decisão, a multa será no valor de R$ 50 mil, a recair sobre o patrimônio pessoal dos comandantes de cada unidade militar que abrigar animais silvestres e que descumprir a presente decisão. 

Na última terça-feira (6), véspera do desfile, a Gerência de Fauna do Instituto de Protecao Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que não havia recebido nenhuma notificação sobre qualquer decisão judicial que obrigasse o órgão a emitir autorização para exibir animais silvestres em público pelo Exército.

Tampouco, o Exército, através dos seus batalhões regionais, pediu autorização do órgão para levar onças ao Desfile Militar de 7 de Setembro deste ano. Sem animais silvestres, o público não bateu continências, mas sim palmas, para grupamentos como o Batalhão Sussuarana, do Exército, que trouxe estilosos cães.   

Mas, mesmo sem as onças-pintadas, é claro que o desfile teve momentos esperados ansiosamente pelo público pela carga emotiva que carregam, caso dos ex-combatentes (pracinhas), bandas de música e pelotões femininos, além do Grupamento Indígena do Tarumã, entre outros que arrancaram aplausos do público.  O Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), por exemplo, foi muito aplaudido durante sua passagem, bem como os soldados do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas que possui 140 anos de atuação.

Ausente, o governador José Melo foi representado na cerimônia pelo presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Flávio Humberto Pascarelli, que representou o Estado como governador em exercício.

Números

Quatro mil foi o efetivo que desfilou ontem no Centro de Convenções  (Sambódromo) das corporações da Policia Militar, Corpo de Bombeiros, Exército, Marinha e Aeronáutica, além de associações das Forças Armadas e outras entidades.

Opinião

“O desfile foi maravilhoso, mas senti falta do desfile aéreo e dos animais, que não ‘passaram’ esse ano. Não teve muita atração, foram só os militares desfilando, mas faltou aquele coisa de todo ano. Senti falta, também, dos fogos de artifício. Foi simples, mas maravilhoso. E houve essa divisão de dias, onde as escolas militares ficaram desfilando em um dia (5) e os militares noutro (7). Inclusive eu nem sabia; se eu soubesse teria vindo na última segunda para assistir ao desfile do Colégio da Polícia Militar. Além disso, teve o desfile da Marinha do Brasil na Ponta Negra, no dia 6. Houve essa separação, e por isso mesmo não houve essa aglomeração de pessoas para prestigiar. Separar os três acho que ficou estranho”, disse Luzia Pereira, 47, comerciante.

Publicidade
Publicidade